<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624</id><updated>2012-01-25T11:26:15.854-03:00</updated><title type='text'>sobre Economia e Sociedade</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>347</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-1319406918054480908</id><published>2012-01-25T10:39:00.000-03:00</published><updated>2012-01-25T11:26:15.867-03:00</updated><title type='text'>Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual. A Revolta da Burguesia Assalariada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mtJuZJ3YQis/TyAGsNPs8BI/AAAAAAAAB5U/c108dPByb4o/s1600/Slavoj_Zizek.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-mtJuZJ3YQis/TyAGsNPs8BI/AAAAAAAAB5U/c108dPByb4o/s200/Slavoj_Zizek.jpg" width="141" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;Artigo de&amp;nbsp;&lt;b&gt;Slavoj Žižek&amp;nbsp;&lt;/b&gt;(foto), no &lt;b&gt;London Review of Books&lt;/b&gt;, reproduzido pelo sítio Viomundo, 22-01-2012.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como foi que &lt;b&gt;Bill Gates&lt;/b&gt; se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos? A riqueza dele não tem nada a ver com a Microsoft produzir bons programas a preços mais baixos que a competição, ou com ‘explorar’ seus trabalhadores com mais sucesso (a Microsoft paga um salário relativamente alto a seus trabalhadores intelectuais). Milhões de pessoas ainda compram programas da Microsoft porque a Microsoft se impôs quase como um padrão universal, praticamente monopolizando o mercado, como uma personificação do que &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt; chamou de &lt;u&gt;“intelecto geral”, com o que ele quis dizer conhecimento coletivo em todas as suas formas, da Ciência ao conhecimento prático&lt;/u&gt;. &lt;b&gt;Gates&lt;/b&gt; privatizou eficazmente parte do intelecto geral e ficou rico ao se apropriar do aluguel deste intelecto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A possibilidade de privatização do intelecto geral é algo que &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt; nunca previu nos seus escritos a respeito do capitalismo (em grande parte porque ele negligenciou a dimensão social do capitalismo). Ainda assim, isso está no centro da luta atual sobre propriedade intelectual: na medida em que o papel do intelecto geral – baseado no conhecimento coletivo e na cooperação social – aumenta no capitalismo pós-industrial, a riqueza se acumula de forma desproporcional no trabalho gasto na sua produção. O resultado não é, como &lt;b&gt;Marx &lt;/b&gt;parecia esperar, a autodissolução do capitalismo, mas a gradual transformação do lucro gerado pela exploração do trabalho em renda apropriada através da privatização do conhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mesmo vale para os recursos naturais, cuja exploração é uma das principais fontes de renda do mundo. Existe uma luta permanente sobre quem fica com essa renda: os cidadãos do Terceiro Mundo ou as corporações ocidentais. É irônico que ao explicar a diferença entre trabalho (que produz valor excedente) e outras &lt;i&gt;commodities&lt;/i&gt; (que consomem todo seu valor no uso), &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt; tenha dado como exemplo o petróleo, uma &lt;i&gt;commodity&lt;/i&gt; ‘ordinária’. Hoje, qualquer tentativa de ligar as flutuações do preço do petróleo às oscilações de seu custo de produção ou ao preço da exploração do trabalho não faria o menor sentido: o custo de produção é insignificante como proporção do preço que pagamos pelo petróleo, preço que na realidade é a renda que os donos do recurso podem extrair graças à oferta limitada de petróleo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A consequência do aumento de produtividade causado pelo crescimento exponencial do conhecimento coletivo é uma mudança no papel do desemprego. É o próprio sucesso do capitalismo (maior eficiência, aumento de produtividade, etc.) que produz desemprego, tornando mais e mais trabalhadores inúteis: o que deveria ser uma bênção – menor necessidade de trabalho pesado – se torna uma maldição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou, para explicar de outra maneira, a oportunidade de ser explorado em um emprego de longo prazo agora é experimentada como um privilégio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mercado mundial, como disse &lt;b&gt;Fredric Jameson&lt;/b&gt;, é “um espaço onde todo mundo já foi um trabalhador produtivo e no qual o trabalho começou, em toda parte, a se precificar fora do sistema”. No atual processo de globalização capitalista, a categoria dos desempregados não se limita mais ao “exército industrial de reserva” de &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt;; ela também inclui, como nota &lt;b&gt;Jameson&lt;/b&gt;, “&lt;i&gt;essas massas populacionais do mundo que ‘despencaram da história’, que foram deliberadamente excluídas dos projetos modernizadores do Primeiro Mundo capitalista e descartadas como casos terminais ou sem esperança: os chamados estados falidos (Congo, Somália), vítimas da fome ou de desastres ecológicos, os que caíram na armadilha pseudo-arcaica dos ‘ódios étnicos’, objetos da filantropia ou das ONGs ou alvos da guerra ao terror&lt;/i&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A categoria dos desempregados foi, assim, expandida para incluir uma vasta esfera de pessoas, dos desempregados temporariamente aos que não podem mais conseguir emprego e estão permanentemente desempregados, aos habitantes de guetos e favelas (quase todos esses descartados por &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt; como parte do lumpemproletariado), e finalmente todas as populações e estados excluídos do processo capitalista global, como os espaços vazios de mapas antigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns dizem que esta nova forma de capitalismo oferece novas possibilidades de emancipação. Essa é a tese de “Multitude”, de &lt;b&gt;Hardt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Negri&lt;/b&gt;, que tenta radicalizar &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt;, afirmando que se nós simplesmente cortarmos a cabeça do capitalismo, teremos o socialismo. &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt;, eles argumentam, estava limitado historicamente: ele pensou em termos de trabalho industrial centralizado, automatizado e organizado hierarquicamente. Como resultado, entendeu o “intelecto geral” como algo semelhante à agência de planejamento central; somente hoje, com o surgimento do “trabalho não-material”, uma mudança revolucionária se tornou “objetivamente possível”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse trabalho não-material se estende entre dois polos: &amp;nbsp;do &lt;u&gt;trabalho intelectual&lt;/u&gt; (a produção de ideias, textos, programas de computador, etc.) a &lt;u&gt;trabalhos afetivos&lt;/u&gt; (desempenhados por médicos, babás e comissários de bordo). Hoje, o trabalho não-material é hegemônico, no sentido com que &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt; proclamou, no capitalismo do século XIX, que a produção industrial em larga escala era hegemônica: ele se impõe não através da força dos números, mas por desempenhar um papel-chave, emblemático de toda a estrutura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que emerge é um vasto novo domínio chamado de “&lt;i&gt;commons&lt;/i&gt;”: conhecimento compartilhado e novas formas de comunicação e de cooperação. Os produtos da produção não-material não são objetos, mas novas relações sociais e interpessoais; a produção não-material é biopolítica, é a produção da vida social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Hardt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Negri&lt;/b&gt; descrevem aqui o processo que os atuais ideólogos do capitalismo pós-moderno celebram como a passagem da produção material para a simbólica, da lógica da hierarquia centralizadora para a lógica da auto-organização e da cooperação multicentralizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A diferença é que &lt;b&gt;Hardt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Negri&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;(1)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; são fiéis a &lt;b&gt;Marx&lt;/b&gt;: eles tentam provar que ele estava certo, que o surgimento do intelecto geral é, a longo prazo, incompatível com o capitalismo. Os ideólogos do capitalismo pós-moderno afirmam exatamente o oposto: a teoria marxista (e a prática), argumentam, continua limitada pela lógica hierárquica do controle centralizado do estado e por isso não consegue lidar com os efeitos sociais da revolução da informação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existem boas razões empíricas sustentando o argumento deles: o que de fato arruinou os regimes comunistas foi sua incapacidade de se acomodar à nova lógica social sustentada pela revolução da informação. Eles tentaram dirigir a revolução, fazer dela mais um projeto em grande escala de um governo centralizado. O paradoxo é que o que &lt;b&gt;Hardt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Negri &lt;/b&gt;celebram como uma oportunidade única para derrubar o capitalismo é comemorado pelos ideólogos da revolução da informação como o surgimento de um capitalismo novo, sem ‘fricção’.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A análise de &lt;b&gt;Hardt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Negri &lt;/b&gt;tem alguns pontos fracos, o que nos ajuda a entender como o capitalismo tem conseguido sobreviver ao que deveria ser (em termos marxistas clássicos) uma nova organização da produção que o tornaria obsoleto. Os dois subestimaram a extensão do sucesso do capitalismo de hoje (ao menos no curto prazo) na privatização do intelecto geral, além de subestimarem a dimensão de como os trabalhadores, mais do que a própria burguesia, estão se tornando supérfluos (&lt;u&gt;com um número cada vez maior de trabalhadores se tornando não apenas desempregados temporários, mas estruturalmente não-empregáveis&lt;/u&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o capitalismo antigo idealmente envolvia o empresário que investia (o seu ou emprestado) dinheiro na produção, que ele organizava e geria, e depois tirava lucro disso, um novo tipo ideal está surgindo hoje: não mais o empresário que é dono de sua companhia, mas um administrador especializado (ou um conselho de administração presidido por um CEO), que governa a empresa de propriedade dos bancos (também geridos por administradores, que não são donos do banco) ou investidores diversos. &amp;nbsp;Neste novo tipo de capitalismo ideal, a velha burguesia, tornada desfuncional, é reciclada como gerenciadora assalariada: os membros da nova burguesia recebem salários, e mesmo quando são donos de parte da empresa, ganham ações como parte de sua remuneração (“bônus” pelo seu “sucesso”).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa nova burguesia ainda se apropria da mais-valia, mas no formato (mistificado) do assim chamado “superávit salarial”: eles recebem bem mais que o “salário mínimo” do proletariado (quase sempre um ponto mítico de referência, cujo único exemplo real na economia global de hoje é o salário dos trabalhadores na indústria têxtil da China ou da Indonésia), e é esta distinção em relação proletário comum que determina o &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; da nova burguesia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A burguesia no sentido clássico, assim, tende a desaparecer: capitalistas reaparecem como um subsetor de trabalhadores assalariados, como administradores qualificados para ganhar mais pela virtude de sua competência (por isso a avaliação pseudocientífica é crucial: ela legitima as disparidades). &amp;nbsp;Longe de se limitar aos administradores, a categoria de trabalhadores que ganha superávits salariais se estende a todo tipo de especialista, administradores, servidores públicos, médicos, advogados, jornalistas, intelectuais e artistas. O superávit assume duas formas: mais dinheiro (para gerentes, etc.), mas também menos trabalho e mais tempo livre (para – alguns – intelectuais, mas também para administradores do estado, etc.).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;O processo de avaliação usado para decidir quais trabalhadores devem receber superávit salarial é um mecanismo arbitrário de poder e ideologia, sem conexão séria com a verdadeira competência; o superávit salarial existe não por razões econômicas, mas políticas: para manter uma “classe média” e preservar a estabilidade social.&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A arbitrariedade na determinação da hierarquia social não é um erro, mas objetivo do sistema, com papel análogo ao da arbitrariedade no ’sucesso de mercado’.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A violência não ameaça explodir quando existe muita contingência no espaço social, mas quando se tenta eliminar a contingência. Em “&lt;i&gt;La Marque du sacré&lt;/i&gt;”, &lt;b&gt;Jean-Pierre Dupuy&lt;/b&gt; trata a &lt;u&gt;hierarquia&lt;/u&gt; como um dos quatro procedimentos (“&lt;u&gt;dispositivos simbólicos&lt;/u&gt;”) que têm como função tornar não humilhante a relação de superioridade: a própria hierarquia (uma ordem imposta externamente que me permite experimentar meu &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; social mais baixo de forma independente do meu valor inerente); &lt;u&gt;desmistificação&lt;/u&gt; (o procedimento ideológico que demonstra que a sociedade não é uma meritocracia, mas o produto de disputas sociais objetivas, que me permite evitar a conclusão dolorosa de que a superioridade de alguém sobre mim é resultado dos méritos e realizações do outro); &lt;u&gt;contingência&lt;/u&gt; (mecanismo parecido, através do qual entendemos que nossa posição na escala social depende de uma loteria natural e social; os sortudos nascem com os genes certos, em famílias ricas); e &lt;u&gt;complexidade&lt;/u&gt; (forças incontroláveis têm consequências imprevisíveis; por exemplo, a mão invisível do mercado pode me levar ao fracasso e o meu vizinho ao sucesso, mesmo que eu trabalhe muito mais e seja bem mais inteligente).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao contrário do que parece, esses mecanismos não contestam ou ameaçam a hierarquia, mas a tornam mais palatável, já que “o que dispara o tumulto da inveja é a ideia de que o outro não merece a sorte que tem e não a ideia oposta – a única que se pode expressar abertamente”. &lt;b&gt;Dupuy&lt;/b&gt; tira desta premissa a conclusão de que é um grande erro pensar que uma sociedade razoavelmente justa, que se enxerga como justa, estará livre de ressentimento: pelo contrário, é nessas sociedades que aqueles que ocupam as posições inferiores encontrarão nas explosões violentas de ressentimento um veículo para seu orgulho ferido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso está conectado ao impasse que a China enfrenta hoje: o ideal das reformas de &lt;b&gt;Deng&lt;/b&gt; era introduzir o capitalismo sem uma burguesia (já que ela formaria a nova classe dominante); agora, porém, os líderes da China estão descobrindo dolorosamente que o capitalismo sem uma hierarquia estabelecida, possibilitada pela existência de uma burguesia, gera instabilidade permanente. Então, que caminho a China seguirá?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os ex-comunistas estão emergindo como os administradores mais eficientes do capitalismo porque sua inimizade histórica com a burguesia como classe casa perfeitamente com a tendência atual do capitalismo de se tornar um capitalismo administrativo, sem burguesia – nos dois casos, como &lt;b&gt;Stalin&lt;/b&gt; disse faz tempo, “&lt;i&gt;os quadros decidem tudo&lt;/i&gt;”. (Uma diferença interessante entre a China e a Rússia de hoje: na Rússia, os professores universitários têm salários ridiculamente baixos – eles já são, de fato, parte do proletariado – enquanto na China recebem um superávit salarial confortável para garantir sua docilidade).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noção de superávit salarial também coloca sob nova ótica os constantes protestos “anticapitalistas”. &amp;nbsp;Em momentos de crise, o candidato óbvio para apertar o cinto são as classes mais baixas da burguesia assalariada: protestos políticos são seus únicos recursos se quiserem evitar se juntar ao proletariado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de seus protestos serem, nominalmente, dirigidos contra a lógica brutal do mercado, elas estão protestando, de fato, contra a erosão gradual de sua posição econômica privilegiada (politicamente).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em “&lt;i&gt;Atlas Shrugged&lt;/i&gt;”, &lt;b&gt;Ayn Rand&lt;/b&gt; tem a fantasia de fazer greve contra capitalistas “criativos”, uma fantasia que encontra realização pervertida nas greves de hoje, quase todas sustentadas por “burguesias assalariadas” movidas pelo medo de perder o superávit salarial. Esses não são protestos proletários, mas protestos contra a ameaça de ser reduzido a proletariado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem tem coragem de entrar em greve hoje, quando ter um salário fixo é, em si mesmo, um privilégio? Trabalhadores com baixos salários (o que resta deles) da indústria têxtil, etc., não; mas os trabalhadores privilegiados que têm emprego garantido (professores, empregados dos transportes públicos, policiais), sim. Isso também explica a onda de protestos estudantis: sua principal motivação é, sem dúvida, o medo de que a educação superior não garanta um superávit salarial mais tarde, na vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo está claro que o grande renascimento de protestos no último ano, da Primavera Árabe à Europa ocidental, do Occupy Wall Street à China, da Espanha à Grécia, não deve ser descartado meramente como uma revolta da burguesia assalariada. Cada caso deve ser analisado de acordo com seus próprios méritos. Os protestos estudantis contra a reforma universitária na Grã-Bretanha são claramente diferentes dos distúrbios de agosto, que foram um carnaval consumista de destruição, uma verdadeira explosão dos excluídos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode-se argumentar que os levantes no Egito começaram, em parte, &amp;nbsp;como uma revolta da burguesia assalariada (com jovens educados protestando por conta de sua falta de perspectiva), mas este foi apenas um dos aspectos de um protesto mais amplo contra um regime opressivo. Por outro lado, o protesto não mobilizou, realmente, trabalhadores mais pobres e camponeses e a vitória eleitoral dos islâmicos deixa clara a estreita base social do protesto secular original. A Grécia é um caso especial: nas últimas décadas, foi criada uma nova burguesia assalariada (especialmente na inchada administração estatal), graças à ajuda financeira da União Europeia, e os protestos, em boa parte, foram motivados pela ameaça do fim disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A proletarização das camadas mais baixas da burguesia casa, no oposto extremo, com a alta remuneração irracional de administradores e banqueiros do topo (irracional como demonstraram as investigações nos EUA, já que ela tende a ser inversamente proporcional ao sucesso da companhia). Ao invés de submeter essas tendências à crítica moralizante, devemos lê-las como sinais de que &lt;u&gt;o sistema capitalista não é mais capaz de uma estabilidade autorregulada – em outras palavras, ele ameaça ficar fora de controle&lt;/u&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;(1)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Antonio Negri e Michael Hardt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-1319406918054480908?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/1319406918054480908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2012/01/slavoj-zizek-privatizacao-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/1319406918054480908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/1319406918054480908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2012/01/slavoj-zizek-privatizacao-do.html' title='Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual. A Revolta da Burguesia Assalariada'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mtJuZJ3YQis/TyAGsNPs8BI/AAAAAAAAB5U/c108dPByb4o/s72-c/Slavoj_Zizek.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-2728033636604225267</id><published>2011-12-29T07:05:00.002-03:00</published><updated>2011-12-29T07:10:55.591-03:00</updated><title type='text'>Miami se transforma para receber calorosamente os brasileiros gastadores</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;span class="autor"&gt;Por Lizette Alvarez, Miami (EUA), &lt;/span&gt;Tradução: George El Khouri Andolfato.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Fonte: The New York Times, em 29/12/2011 &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-f_kt9PZeTDQ/Tvw8mKdSASI/AAAAAAAAB4k/TnPaUUcxW3w/s1600/gastador.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-f_kt9PZeTDQ/Tvw8mKdSASI/AAAAAAAAB4k/TnPaUUcxW3w/s320/gastador.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo em uma cidade que abraçou tantas ondas de latinos a ponto de ser tratada como brincadeira de única capital sul-americana na América do Norte, nenhum grupo tem sido tão cortejado e paparicado quanto os brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheios de dinheiro de uma economia em boom e apaixonados pelo luxo, os brasileiros estão visitando o sul da Florida em grande número e gastando milhões de dólares em imóveis de férias, roupas, joias, móveis, carros e arte, tudo muito mais barato aqui do que no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como agradecimento, os cidadãos da Flórida estão criando modos inovadores de deixar os brasileiros de língua portuguesa contentes. Corretores imobiliários, por exemplo, formaram empresas que reúnem em uma só parada decoração de interiores, serviços de concierge, assessoria jurídica e ajuda com vistos. Alguns corretores abriram escritórios no Brasil para simplificar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientes de que os brasileiros não gastarão à vontade a menos que se sintam em casa, os shoppings centers os atraem com funcionários que falam português para venderem vestidos Dulce &amp;amp; Gabbana e relógios Hublot. Até mesmo a Target coloca avisos de contratação de funcionários em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os restaurantes brasileiros também estão florescendo por toda Miami, incluindo uma rede popular do Brasil –a Giraffas– que oferece pão de queijo brasileiro e cortes especiais de carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hola” e beijos no ar ainda são o padrão aqui, mas o “Oi” está perceptivelmente avançando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós viemos para Miami para investir, porque no meu país os imóveis residenciais estão muito caros”, disse Claudio Coppola Di Todaro, um investidor de fundo hedge de São Paulo, que comprou recentemente um apartamento nas Trump Towers, em Sunny Isles Beach, e outro na Trump SoHo, em Manhattan (os brasileiros também adoram Nova York). “Nós gostamos de passar férias em Miami algumas vezes por ano. Muitos brasileiros fazem isso agora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os Estados Unidos e a Europa continuam enfrentando uma recessão, a economia do Brasil continua galopando à frente, movida pelas exportações, uma crescente base manufatureira e recursos naturais abundantes. O desemprego em outubro era de 5,8% e nesta semana o Brasil ultrapassou o Reino Unido, se transformando na sexta maior economia do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os brasileiros atentos a grifes adoram usar seu dinheiro (em espécie, acima de tudo), figurando em primeiro lugar per capita em gastos entre os 10 principais grupos de turistas estrangeiros nos Estados Unidos, uma lista que inclui franceses, britânicos e alemães. Ao todo, 1,2 milhão de brasileiros visitaram em 2010 e gastaram US$ 5,9 bilhões, ou US$ 4,940 por visitante. Apenas turistas da Índia e da China gastam mais que os brasileiros, mas eles são em número bem menor e não figuram entre os 10 mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Departamento do Comércio espera que o número total de turistas brasileiros será ainda maior neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impacto econômico dos brasileiros é tão grande que os setores de turismo, restaurante e varejo, juntamente com a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, estão fazendo lobby em Washington para permitir que os brasileiros viajem sem a necessidade de visto, como podem os cidadãos dos países da União Europeia. Em novembro, o Departamento de Estado concordou em aumentar o número de consulados para acelerar o procedimento de visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A American Airlines tem 52 voos por semana de cinco cidades no Brasil para Miami e fez pedido para mais rotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Flórida é o Estado que mais se beneficia com a nova riqueza do Brasil e com o crescimento de sua classe média. A maioria dos brasileiros que vêm aos Estados Unidos visita a Flórida, e nos primeiros nove meses deste ano, cerca de 1,1 milhão de brasileiros gastaram US$ 1,6 bilhão no Estado, um aumento de quase 60% em comparação ao ano anterior. Entre os países estrangeiros, apenas o Canadá envia mais visitantes à Flórida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro dos brasileiros ajudou a ressuscitar o mercado imobiliário em Miami. Estrangeiros são responsáveis por mais da metade de todas as vendas de imóveis em Miami, e prédios de apartamentos que antes estavam vazios estão esgotando rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De muitas formas, os brasileiros têm sido a salvação aqui”, disse Edgardo Defortuna, presidente da Fortune International Realty, que tem escritórios no Brasil e em Miami. “O preço não é um problema para eles.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os brasileiros entram aqui no estilo de vida latino-americano –jantares tarde da noite e moda, alimentos e música familiares. E a relativa segurança dos Estados Unidos é um bônus. A taxa de homicídios do Rio de Janeiro, apesar de em queda, é quase três vezes maior do que a de Miami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ávidos por fazer compras e passar tempo com parentes e amigos, os brasileiros costumam comprar apartamentos no mesmo prédio, como o W em South Beach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em Miami, eles podem vir e usar relógios caros, andar em seus conversíveis e ninguém cortará o braço deles para roubar uma joia, como acontece em casa”, disse Alexandre Piquet, um advogado brasileiro da Piquet Realty, que foi fundada por seu irmão, Cristiano, um conhecido piloto de corrida. “Aqui não temos que nos preocupar com crianças atravessando a rua e sendo sequestradas, alguns dos problemas que ainda enfrentamos lá. É a realidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Piquet Realty, aberta em 2005, dobrou seus negócios no ano passado, disse Cristiano Piquet. Alguns apartamentos que ele vende são entregues plenamente mobiliados pela Artefacto, uma proeminente empresa brasileira de design de móveis. Se os brasileiros precisam de ajuda com transações legais, impostos ou orientações sobre imigração, a empresa também oferece. Se um cliente quiser uma Ferrari, a Piquet Realty também providencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muitas empresas no sul da Flórida, a empresa promove agressivamente a si mesma no Brasil, como a junta de turismo de Miami. O governador da Flórida, Rick Scott, viajou ao Brasil neste ano em uma missão comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, Orlando está tentando atrair os brasileiros, que preferem os shoppings da cidade a seus parques temáticos. A Pegasus Transportation opera visitas regulares a shoppings, levando milhares de brasileiros a eles. O outlet da grife de moda Tommy Hilfiger e a loja de eletrônicos H.H. Gregg abrem cedo apenas para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eles estão comprando tudo o que é imaginável”, disse Claudia Menezes, vice-presidente da Pegasus. “Laptops, câmeras, roupas de grife –muito Prada e Louis Vuitton.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto por gastar é o principal motivo para a batalha dos vistos estar começando a repercutir no Capitólio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há apenas quatro consulados americanos no Brasil, um país quase do mesmo tamanho dos Estados Unidos. Para obter um visto, muitos brasileiros precisam viajar longas distâncias para ser entrevistados no consulado. Apesar do processo oneroso, foram feitos 820 mil pedidos de visto neste ano, com uma média de espera de 50 dias –tempo demais, dizem autoridades de turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lobistas estão pressionando o Congresso e o Departamento de Estado para mudar o processo. Caso isso não seja possível, eles pedem por mais consulados e um programa que possibilite a seleção dos requerentes de visto por meio de videoconferência. Sete projetos de lei estão tramitando no Congresso a respeito da questão do visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, dizem as autoridades de turismo, a Europa atrai um grande número de brasileiros porque viajar para lá é muito mais fácil. A Europa Ocidental recebe 52% de todos os brasileiros que viajam ao exterior e os Estados Unidos recebem 29%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seria possível dobrar o número de brasileiros nos Estados Unidos” se o visto não fosse necessário, disse Patricia Rojas, vice-presidente da Associação de Turismo dos Estados Unidos. “Nós estamos em grande desvantagem.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-2728033636604225267?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/2728033636604225267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/miami-se-transforma-para-receber.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/2728033636604225267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/2728033636604225267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/miami-se-transforma-para-receber.html' title='Miami se transforma para receber calorosamente os brasileiros gastadores'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-f_kt9PZeTDQ/Tvw8mKdSASI/AAAAAAAAB4k/TnPaUUcxW3w/s72-c/gastador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-5348667491825696058</id><published>2011-12-13T15:44:00.001-03:00</published><updated>2011-12-13T15:47:26.869-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Gérard Duménil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;''O mundo já ingressou na segunda fase da crise''&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O economista francês &lt;b&gt;Gérard Duménil&lt;/b&gt; é autor de vários livros e ensaios sobre o capitalismo contemporâneo. Este ano publicou, em parceria com Dominique Lévy, o livro The crisis of neoliberalism (Harvard University Press, 2011). Duménil esteve na Unicamp para uma palestra sobre a crise atual no Centro de Estudos Marxistas (Cemarx) no âmbito do programa de pós-graduação em ciência política do Instituto de Filosofia e Ciências&amp;nbsp; Humanas (IFCH) da Unicamp. Na ocasião, concedeu a entrevista que segue ao cientista político &lt;b&gt;Armando Boito Júnior&lt;/b&gt;, professor titular do IFCH, publicada pelo jornal da Unicamp, 12 a 18 de dezembro de 2011.&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você vem pesquisando o capitalismo neoliberal há muito tempo. Na sua análise, como se deve caracterizar essa etapa atual do capitalismo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neoliberalismo é a nova etapa na qual ingressou o capitalismo com a transição dos anos 70 e 80. Eu e Dominique Lévy falamos de uma nova “ordem social”. Com essa expressão nós designamos a configuração de poderes relativos de classes sociais, dominações e compromissos. O neoliberalismo se caracteriza, desse modo, pelo reforço do poder das classes capitalistas em aliança com a classe dos gerentes (classe des cadres) – sobretudo as cúpulas das hierarquias e dos setores financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer dos decênios posteriores à Segunda Guerra Mundial, as classes capitalistas viram o seu poder e suas rendas diminuírem sensivelmente na maior parte dos países. Simplificando, nós poderíamos falar numa ordem “social-democrata”. As circunstâncias criadas pela crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e a força internacional do movimento operário tinham conduzido ao estabelecimento dessa ordem social relativamente favorável ao desenvolvimento econômico e à melhoria das condições de vida das classes populares – operários e empregados subalternos. O termo “social-democrata” para caracterizar essa ordem social se aplicava, evidentemente, melhor à Europa que aos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o estabelecimento da nova ordem social neoliberal, o funcionamento do capitalismo foi radicalmente transformado: uma nova disciplina foi imposta aos trabalhadores, em matéria de condições de trabalho, poder de compra, proteção social etc., além da desregulamentação (notadamente financeira), abertura das fronteiras comerciais e a livre mobilidade dos capitais no plano internacional – liberdade de investir no exterior. Esses dois últimos aspectos colocaram todos os trabalhadores do mundo numa situação de concorrência, quaisquer que sejam os níveis de salário comparativos nos diferentes países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano das relações internacionais, os primeiros decênios do pós-guerra, ainda na antiga ordem “social democrata”, foram marcados por práticas imperialistas dos países dos países centrais: no plano econômico, pressão sobre os preços das matérias-primas e exportação de capitais; no plano político, corrupção, subversão e guerra. Com a chegada do neoliberalismo, as formas imperialistas foram renovadas. É difícil julgar em termos de intensidade, fazer comparação. Em termos econômicos, a explosão dos investimentos diretos no estrangeiro na década de 1990 certamente multiplicou o fluxo de lucros extraído dos países periféricos pelas classes capitalistas do centro. O fato de os países da periferia desejarem receber esses investimentos não muda nada a natureza imperialista dessas práticas – sabe-se que todos os trabalhadores “desejam” ser explorados a ficar desempregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em meados dos anos 90, nós introduzimos essa interpretação do neoliberalismo em termos de classe, ela suscitou pouco interesse. Mas a explosão das desigualdades sociais deu a essa interpretação a força da evidência. A particularidade da análise marxista é a referência às classes mais que a grupos sociais. Esse caráter de classe está inscrito em todas as práticas neoliberais e inclusive os keynesianos de esquerda se exprimem, agora, nesses termos. Uma recusa a essa interpretação, no entanto, ainda se mantém; muitos não aceitam o papel importante que atribuímos aos gerentes (cadres) na ordem social neoliberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os marxistas, continua-se a recusar que o controle dos meios de produção no capitalismo moderno é assegurado conjuntamente pelas classes capitalistas e pela classe dos gerentes (classe de cadres), o que faz dessa última uma segunda componente das classes superiores. Essa recusa é ainda mais desconcertante quando se tem em mente que as rendas das categorias superiores dos gerentes (cadres) no neoliberalismo explodiram ainda mais que as rendas dos capitalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Para alguns autores, o neoliberalismo foi um ajuste inevitável provocado pela crise fiscal do Estado; para outros foi o resultado, também inevitável, da globalização.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explicação do neoliberalismo pela “crise fiscal” e frequentemente também pela inflação é a explicação da direita; é uma defesa dos interesses capitalistas. Ela especula com as inconsequências dos blocos políticos que dirigiam a ordem social do pós-guerra. Esses foram incapazes de gerir a crise dos anos 70 e preparam a cama para o neoliberalismo. Passa-se o mesmo com a explicação que apresenta o neoliberalismo como consequência da globalização. Esse argumento inverte as causalidades. O que o neoliberalismo faz é orientar a globalização, uma tendência antiga, para novas direções e acelerar o seu curso, abrindo a via para a “globalização neoliberal”. O movimento altermundialista lutou por uma outra globalização, solidária, e não baseada na exploração em proveito de uma minoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você acaba de publicar, juntamente com o seu colega Dominique Lévy, um livro sobre a crise econômica atual. Na sua avaliação, qual é a natureza dessa crise?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise atual é uma das quatro grandes crises – crises estruturais – que o capitalismo atravessou desde o final do século XIX: a crise da década de 1890, a crise de 1929, a crise da década de 1970 e a crise atual – iniciada em 2007/2008. Essas crises são episódios de perturbação de uma duração de cerca de uma dezena de anos (para as três primeiras). Elas ocorrem com uma periodicidade de cerca de 40 anos e separam as ordens sociais que evoquei na resposta à primeira pergunta. A primeira e a terceira dessas crises, as das décadas de 1890 e de 1970, seguiram-se a fases de queda da taxa de lucro e podem ser designadas como crises de rentabilidade. As duas outras crises, a de 1929 e a atual, nós as designamos como “crises de hegemonia financeira”. São grandes explosões que ocorrem na sequência de práticas das classes superiores visando ao aumento de suas rendas e de seus poderes. Todos os procedimentos do neoliberalismo estão aqui em ação: desregulamentação financeira e globalização. O primeiro aspecto é evidente, mas a globalização foi também, como vou indicar, um fator chave da crise atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queda da taxa de lucro e explosão descontrolada das práticas das classes capitalistas são dois grandes tipos de explicação das grandes crises na obra de Marx. O primeiro tipo é bem conhecido. No Livro III de O Capital, Marx defende a tese da existência de uma “tendência decrescente da taxa de lucro” inerente ao caráter da mudança tecnológica no capitalismo (a dificuldade de aumentar a produtividade do trabalho sem realizar investimentos muito custosos, o que Marx descreve como a “elevação da composição orgânica do capital”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que Marx refuta explicitamente a imputação da queda da taxa de lucro ao aumento da concorrência. (O segundo grande tipo de explicação para as crises já aparece em esboço nos escritos de Marx da década de 1840.) No Manifesto do Partido Comunista, Marx descreve as classes capitalistas como aprendizes de feiticeiros, desenvolvendo mecanismos capitalistas sob formas e em graus perigosos e perdendo, finalmente, o controle sobre as consequências de sua ação. Os aspectos financeiros da crise atual remetem diretamente às análises do “capital fictício”, aos quais Marx consagrou longos desenvolvimentos no Livro II de O Capital, desenvolvimentos que ecoam as ideias do Manifesto. De uma maneira bem estranha, alguns marxistas só aceitam a explicação das grandes crises pela queda da rentabilidade, excluindo qualquer outra explicação, e passam a multiplicar cálculos mal fundamentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a crise atual não é uma simples crise financeira. É a crise de uma ordem social insustentável, o neoliberalismo. Essa crise, no centro do sistema, deveria acontecer, de qualquer modo, um dia ou outro, mas ele chegou de uma maneira bem particular em 2007/2008, vinda dos Estados Unidos. Dois tipos de mecanismos convergiram. Encontramos, de uma parte, a fragilidade induzida em todos os países neoliberais pelas práticas de financeirização e de globalização (notadamente financeira), motivada pela busca desenfreada de rendimentos crescentes por parte das classes superiores, reforçada pela recusa de regulamentação. O banco central dos EUA, em particular, perdeu o controle das taxas de juros e a capacidade de conduzir políticas macroeconômicas em decorrência da globalização financeira. De outra parte, a crise foi o efeito da trajetória econômica estadunidense, uma trajetória de desequilíbrios cumulativos, que os EUA puderam manter devido à sua hegemonia internacional – contrariamente à Europa que, considerada no seu conjunto, não conheceu tais desequilíbrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 1980, o ritmo da acumulação de capital nos Estados Unidos desacelerou no território do próprio país enquanto cresciam os investimentos diretos no exterior. A isso é necessário acrescentar: um déficit crescente do comércio exterior, uma grande elevação do consumo (da parte das camadas mais favorecidas) e um endividamento igualmente crescente das famílias. O déficit de comércio exterior (o excesso de importações frente às exportações) alimentava um fluxo de dólares para o resto do mundo que tinha como única utilização a compra de títulos estadunidenses, levando ao financiamento da economia daquele país pelos estrangeiros – uma “dívida” vis-à-vis o estrangeiro, simplificando um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por razões econômicas que eu não explicarei aqui, o crescimento dessa dívida exterior devia ser compensado por aquele da dívida interna, a das famílias e a do Estado, a fim de sustentar a atividade no território do país. Isso foi feito encorajando o endividamento das famílias pela política de crédito e pela desregulamentação – a dívida do governo teria podido substituir o endividamento das famílias mas isso ia contra as práticas neoliberais de antes da crise. Os credores das famílias (bancos e outros) não conservavam os créditos criados, mas os revendiam sob a forma de títulos (obrigações), cuja metade, mais ou menos, foi comprada pelo resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto emprestar às famílias para além da capacidade delas saldarem as dívidas, as inadimplências se multiplicaram desde o início do ano de 2006. A desvalorização desses créditos desestabilizou o frágil edifício financeiro, nos EUA e no mundo, sem que o banco central dos Estados Unidos estivesse em condição de restabelecer os equilíbrios no contexto de desregulamentação e de globalização que ele próprio tinha favorecido. Esse foi o fator desencadeador, mas não o fundamental, da crise – combinação de fatores financeiros (a loucura neoliberal nesse domínio) e reais (a globalização, o sobre-consumo estadunidense e o déficit do comércio exterior desse país).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Você falou em suas palestras no Brasil que a crise econômica teria entrado numa segunda fase. Como a crise vem se desenvolvendo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo já ingressou na segunda fase da crise. É fácil compreender as razões. A primeira fase atingiu o pico no outono de 2008, quando caíram as grandes instituições financeiras estadunidenses, quando começou a recessão e quando a crise se propagou para o resto do mundo. As lições da crise de 1929 foram bem aprendidas. Os bancos centrais intervieram massivamente para sustentar as instituições financeiras (com medo de uma repetição da crise bancária de 1932) e os déficits orçamentários dos Estados atingiram níveis excepcionais. Mas essas medidas keynesianas, estimulando a demanda, só podiam ter por efeito uma sustentação temporária da atividade. Os governos dos países do centro ainda não tomaram consciência do caráter estrutural da crise. Eles agem como se a crise tivesse sido puramente financeira, já ultrapassada; entretanto, as medidas keynesianas só criaram um sursis. Nenhuma medida antineoliberal séria foi tomada nos países do centro. São apenas políticas que visam o reforço da exploração das classes populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, a administração de Barak Obama elaborou uma lei, a lei Dodd-Frank, para regulamentar as práticas financeiras, mas os republicanos bloquearam completamente a aplicação. Em outras esferas, como gestão das empresas, exportação, déficits do comércio exterior, nada foi feito. Na Europa, a crise não é identificada como a crise do neoliberalismo. A Alemanha é apresentada como tendo provado a sustentabilidade do caminho neoliberal. A crise é imputada à incapacidade de gestão de certos Estados, notadamente a Grécia e Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda parte, a direita retomou a ofensiva. Ela se atém à questão dos déficits orçamentários e da elevação da dívida pública. Ela finge não ver que a austeridade orçamentária, além da transferência, que a felicita, do peso da dívida para as classes populares, não pode senão provocar a recaída numa nova contração da atividade. Essa é a segunda fase da crise. Essa segunda fase não será a última. O novo mergulho na recessão necessitará novas políticas. Contrariamente à Europa, os Estados Unidos se lançaram massivamente no financiamento direto da dívida pública pelo banco central (o quantitative easing). Muito mais coisa será necessária, apesar da direita. Nós temos dificuldade em ver como a Europa poderá escapar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É sabido que a crise econômica atingiu mais fortemente, pelo menos até agora, os EUA e a Europa. Na década de 1990, ao contrário, as crises econômicas foram mais fortes na periferia. Por que essa diferença? Como a crise atual se manifesta nas diferentes regiões do globo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a segunda metade da década de 1990, o neoliberalismo produziu estragos no mundo, notadamente na América Latina e na Ásia. Mesmo hoje, as taxas de crescimento na América Latina permanecem inferiores àquelas dos primeiros decênios do pós-Segunda Guerra Mundial, e isso a despeito da redução massiva dos salários reais – que foi reduzido à metade desde a crise de 1970 em alguns países da região. Na década de 1990 – e em 2001 na Argentina – os avanços do neoliberalismo provocaram grandes crises, das quais a crise argentina é um caso emblemático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo entrou, agora, numa fase nova. A transição para o neoliberalismo provoca um tipo de “divórcio”, nos países do centro, entre os interesses das classes superiores e os do país como território econômico. O caso dos Estados Unidos é espetacular. Como eu disse, as grandes empresas desse país investem cada vez menos no território do país e, cada vez mais, no resto do mundo. A globalização levou a um deslocamento da localização da produção industrial para as periferias: na Ásia, na América Latina e, inclusive, em alguns países da África sub-saariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As políticas propostas pelos dois grandes da União Europeia para superar a crise têm repetido as fórmulas neoliberais. Os mercados intimidam os governos; Sarkozy e Merkel exigem mais e mais cortes orçamentários. Por que insistem em uma política que, para muitos observadores, está na origem da crise? Que resultado a aplicação de tais políticas poderá produzir?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não penso de jeito nenhum que o rigor orçamentário tenha sido uma das causas da crise. Isso é a expressão de uma crença keynesiana ingênua, tão ingênua quanto à crença na capacidade dessas políticas de suscitar a saída da crise, dispensando as necessárias transformações antineoliberais. Porém, nesse contexto, as políticas que visam erradicar os déficits não deixarão de provocar uma nova queda da produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Muitos analistas têm destacado que os partidos, sejam eles de direita ou de esquerda, não se diferenciam muito nas propostas para enfrentar a crise. Ademais, em vários países europeus, como a Inglaterra, a Espanha e Portugal, a direita foi eleitoralmente favorecida pela crise econômica. Os movimentos sociais poderiam construir uma alternativa de poder? Qual poderia ser um programa popular para enfrentar a crise atual?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós não falamos dos aspectos políticos do neoliberalismo. A aliança na cúpula das hierarquias sociais entre classes capitalistas e classes dos gerentes (classes de cadres) logrou, por diversos mecanismos, afastar as classes populares da política “politiqueira”. Quero dizer: as afastou dos jogos dos partidos e dos grupos de pressão. Para as classes populares, só restou a (luta de) rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso fazer entrar em cena grupos sociais que se encontram na “periferia” das classes dos gerentes (&lt;i&gt;classes de cadres&lt;/i&gt;): os intelectuais e os políticos profissionais. No compromisso social dos pós-Segunda Guerra, frações relativamente importantes desses grupos eram partidárias da aliança com as classes populares (às quais elas não pertenciam), que elas apoiavam nos seus campos próprios de atuação. No contexto do colapso do movimento operário mundial, as classes capitalistas lograram, no neoliberalismo, a selar uma aliança com as classes dos gerentes – usando o recurso da remuneração, notadamente – conduzindo gradualmente esses grupos periféricos (a universidade fornece muitas ilustrações sobre esse fenômeno) no empreendimento de conquista social do neoliberalismo. A proporção de grupos sociais motivados para uma aliança com as classes populares estreitou-se consideravelmente, ficando reduzida a alguns grupos “iluminados” aos quais eu próprio pertenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofrimento das classes populares não chega ao grupo dos gerentes e, no plano político, não há mais nenhum grande partido de esquerda. Na França, sabe-se no que se tornou o Partido Socialista, completamente ganho pela “globalização”, um termo para ocultar o neoliberalismo. Algo semelhante poderíamos dizer dos democratas nos Estados Unidos e eu deixo para vocês mesmos julgarem a situação do Brasil a esse respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida política – politiqueira – se reduz à alternância entre dois partidos não equivalentes; mas o partido que se diz de esquerda é incapaz de propor uma alternativa, para não falar da sua implementação. O voto se reduz àquilo que nós chamamos na França o “voto sanção”. A direita sucede a esquerda na Espanha, por exemplo, porque a esquerda estava no poder durante a crise; a direita não tem, evidentemente, nenhuma capacidade superior para gerir a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Muitos observadores têm falado da possibilidade de extinção do euro. Você acredita que isso poderá ocorrer? Na sua avaliação, quais seriam os desfechos mais prováveis para a crise atual?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que alguns países saiam da zona do euro. Isso não resolveria o problema da dívida deles, que se tornaria ainda impagável depois da desvalorização da nova moeda substituta do euro. O problema é o do cancelamento da dívida ou de sua adoção pelo banco central. A crise da dívida atingiu agora os países do centro da Europa, e será necessário que esses países tomem consciência da amplitude e da verdadeira natureza do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso remete às características daquilo que nós chamamos a “terceira fase da crise”. Quais políticas serão adotadas face à nova recessão? Como será gerida a crise na Itália e, depois, na França? Como a Alemanha responderá à pressão dos “mercados” (as instituições financeiras internacionais)? Uma coisa é certa: essas dívidas não devem ser pagas, o que exige a transferência delas para fora dos bancos ou uma forte intervenção na sua gestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o ponto fundamental é a vontade dos governos dos países mais poderosos da Europa, notadamente a Alemanha, de reforçar a integração europeia (em vez de estourar a zona do euro), que se opõe à vontade de “desglobalização” de alguns. Esse debate oculta a questão central: qual Europa? Uma Europa das classes superiores ou a de um novo compromisso de esquerda?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-5348667491825696058?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/5348667491825696058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/entrevista-gerard-dumenil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5348667491825696058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5348667491825696058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/entrevista-gerard-dumenil.html' title='Entrevista - Gérard Duménil'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7796645852570389419</id><published>2011-12-13T14:06:00.000-03:00</published><updated>2011-12-13T15:44:44.612-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Reinaldo Gonçalves</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os rumos do capitalismo global: locomotivas voltam para os trilhos, vagões descarrilam. &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Crises econômicas têm quatro manifestações distintas: real, financeira, fiscal e cambial. No médio prazo os EUA e países desenvolvidos da Europa devem sair da crise. Já o Brasil será atingido se não houver mudanças significativas na estratégia e política econômicas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por: Graziela Wolfart e Márcia Junges&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Economista Reinaldo Gonçalves, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Gonçalves é formado em Economia/UFRJ, Mestre em Economia/FGV-RJ e Doutor em Letters and Social Sciences pela University of Reading/Inglaterra. Atualmente leciona na UFRJ. É autor de Economia internacional. Teoria e experiência brasileira (Rio de Janeiro: Elsevier, 2004) e Economia política internacional. Fundamentos teóricos e as relações internacionais do Brasil (Rio de Janeiro: Elsevier, 2005). Publicou também com Luís Filgueiras, o livro A economia política do governo Lula (Rio de Janeiro: Contraponto, 2007).&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Quais são as perspectivas para o Brasil frente a crise econômica?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Gonçalves – Há risco crescente de que o número de países atingidos por crises econômicas aumente. No entanto, o cenário mais provável é que os Estados Unidos e os principais países desenvolvidos da Europa saiam da crise atual no médio prazo. O Brasil, porém, tende a ser atingido pela crise se não ocorrerem mudanças significativas na estratégia e na política econômicas. Assim, o cenário atual parece indicar que as locomotivas voltarão para os trilhos e o vagão de terceira classe descarrilará mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;b&gt;HU On-Line – Por que ocorrem essas crises no capitalismo reiteradamente? Isso aponta para o esgotamento desse sistema?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Gonçalves – Crise é a irmã mais nova da instabilidade. Ela é filha natural do capitalismo. Instabilidade, no capitalismo, significa alternância de situações de prosperidade e crise. Os economistas chamam de fases esses fenômenos – ascendentes e descendentea – do ciclo econômico. Na fase descendente, surge a crise econômica, que é a perda ou risco crescente de perda de renda e bem-estar por parte de parcela expressiva da sociedade. Crise, portanto, é fase difícil ou grave da evolução dos processos, estruturas e relações econômicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Há crise real quando o processo de geração de renda e emprego apresenta significativa desaceleração ou retrocesso (recessão). Há crise financeira quando as estruturas de financiamento de indivíduos e empresas são rompidas ou não funcionam de modo adequado. Isto é, ocorrem problemas graves nos bancos e mercado de capitais. Há crise fiscal quando o governo tem dificuldade para expandir a dívida pública (mercado de títulos públicos). Há crise cambial ou de contas externas quando relações comerciais e financeiras com outros países são restringidas, o que impede a geração de renda no país e o financiamento dos gastos no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crises no capitalismo também ocorrem porque a ânsia de riqueza e renda (fenômeno também chamado de “espírito animal” do capitalista) gera variações extraordinárias de preços de bens (petróleo e outros), moedas (dólar, euro, etc.) e ativos financeiros (ações e outros) e reais (exemplo, imóveis). O aumento extraordinário de preços é conhecido como formação de “bolhas”. O resultado da especulação é que as “bolhas” explodem quando há reversão de expectativas e, nesse momento, há eclosão de crise. Riquezas desaparecem de um dia para outro. Os que perderam riqueza contraem seus gastos, os endividados quebram, os trabalhadores são demitidos e o lucro do capitalista desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Quais são os motivos que levaram a essa crise econômica internacional? Em termos gerais, o que causa as crises dessa natureza?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Gonçalves – A principal causa da atual crise econômica internacional é a ruptura do sistema de financiamento de imóveis nos Estados Unidos em 2007 e 2008. Nesse país houve ampla oferta de financiamento para a compra de imóveis, inclusive para aqueles sem poupança ou renda adequadas (crédito subprime, ou grande risco de crédito). A onda de inadimplência – calote – levou à queda dos preços dos imóveis (38% entre junho de 2006 e junho de 2011) e à quebra de parte do sistema financeiro da maior economia do mundo em 2008 e 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, crises econômicas também são causadas por erros de política de governo que, em geral, atendem grupos de interesses capitalistas. Houve avanço significativo de liberalização e desregulamentação financeira mundial nas duas últimas décadas. Esse processo implicou crescimento extraordinário dos fluxos internacionais de capitais, e isso interconectou os diversos sistemas financeiros nacionais. Com essa interdependência, problemas graves em um país importante como os Estados Unidos são transmitidos para o resto do mundo. Portanto, vários governos erraram quando tomaram decisões que promoveram essa liberalização financeira internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Governos também erram quando estimulam uma expansão extraordinária do crédito e, portanto, do endividamento de indivíduos e empresas. Ou quando elevam a dívida pública para níveis insustentáveis. Ou ainda quando deixam em níveis inadequados, por muito tempo, variáveis macroeconômicas fundamentais, como taxa de juro e taxa de câmbio. Os governos dos Estados Unidos, de países da Europa e do Brasil cometeram esses erros nos últimos anos – se não todos, ao menos alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, há outras causas de crises econômicas que não são próprias do capitalismo. É o caso dos desastres naturais. Quebras de produção agrícola, terremotos, maremotos e guerras ocorrem em qualquer sistema econômico. Para ilustrar, basta lembrar que o Japão deve sofrer queda de renda em decorrência do terremoto e do tsunami ocorridos em março de 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Há diferentes tipos de crises econômicas? Quais são suas características?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Gonçalves – Crises econômicas têm quatro manifestações distintas: real, financeira, fiscal e cambial. A grande maioria das crises capitalistas são crises reais, ou seja, resultam da volatilidade do comportamento dos capitalistas quanto às decisões de investimento produtivo. Há crise real quando a redução dos investimentos trava a geração de renda e emprego. Também há a crise financeira, como a que aconteceu nos Estados Unidos em 2008 e resultou da quebra do mercado subprime de imóveis. A crise financeira gerou crise real: a taxa de desemprego praticamente dobrou nos últimos cinco anos naquele país, e está previsto fraco desempenho econômico em 2011 e 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise fiscal se manifesta quando o governo tem dificuldade para financiar seus gastos, em função do elevado nível de endividamento público, entre outros fatores. A crise atual na Europa é marcada pela grande dificuldade que governos de países como Grécia, Portugal e Irlanda enfrentam para pagar sua dívida pública e obter novos empréstimos. Em geral, a crise fiscal é precedida por crescimento extraordinário dos gastos públicos, seja para financiar infraestrutura (como as obras das Olimpíadas em Atenas, na Grécia, em 2004), seja para enfrentar crises financeiras e crises reais (o que ocorreu a partir de 2008).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Os países em desenvolvimento sofrem, em particular, crise cambial. Nesse caso, ocorre o problema de dificuldade de obtenção de financiamento externo, que provoca elevação extraordinária da taxa de câmbio (desvalorizando a moeda nacional). Isso ocorreu no Brasil no segundo semestre de 2008, logo após a eclosão da crise financeira nos Estados Unidos: a taxa de câmbio (valor do dólar) saltou de R$ 1,70 em julho para mais de R$ 2,50 em dezembro. Em consequência, grandes empresas (Sadia e Aracruz) e bancos (Unibanco e Votorantim) tiveram sérios problemas, que resultaram em fusões e aquisições. As crises cambial e financeira provocaram crise real, visto que a renda per capita brasileira caiu 1,8% em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos países desenvolvidos, a situação atual é de séria crise econômica. Na Europa, há desaceleração do crescimento da renda e, portanto, risco de crise real ainda maior no futuro próximo. Os índices de desemprego estão muito elevados em inúmeros países. Há séria crise fiscal com altos níveis de endividamento público. Há ainda riscos quanto à saúde do sistema financeiro: os bancos estão muitos expostos, porque emprestaram muito para indivíduos, empresas e governos que agora estão com dificuldades para saldar seus compromissos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Crise real&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, há crise real com forte perda de confiança e, portanto, expectativas desfavoráveis que comprometem o investimento privado e a geração de emprego. Também se prevê desaceleração do crescimento econômico naquele país. Há ainda problemas remanescentes da crise do subprime hipotecário, pois as dívidas de hipotecas imobiliárias que foram renegociadas ainda podem se transformar em calote. E as dificuldades do governo em relação ao endividamento público têm sido crescentes. Portanto, Estados Unidos e Europa combinam elementos de crise real, financeira e fiscal. O Japão, por sua vez, é o país desenvolvido com maior nível relativo de endividamento público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos países emergentes, a situação é bastante diferente, embora existam fatores comuns, como os riscos decorrentes da desaceleração do comércio internacional e da volatilidade dos fluxos financeiros internacionais. Países como a China, de um lado, protegem-se com elevados níveis de competitividade internacional e baixa dependência em relação a recursos financeiros externos. De outro lado, no Brasil esses riscos são particularmente elevados, porque o país depende significativamente da exportação de produtos básicos (minério de ferro, carne, soja e outros) e da captação de recursos externos para sustentar seu crescente e elevado déficit nas contas externas (as transações comerciais, de serviços e financeiras com os outros países). Ou seja, as despesas do Brasil em moedas estrangeiras são maiores do que as suas receitas. Em 2010 o país precisou captar 48 bilhões de dólares para fechar suas contas externas. Em 2011 este “buraco” pode superar 55 bilhões. Portanto, há crescente risco de crise cambial, que tende a causar crises financeira, real e fiscal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Qual é o cenário mais provável a médio prazo para os Estados Unidos e a Europa? Que meios de superação estão sendo pensados?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Gonçalves – Se, por um lado, é certo que instabilidade e crise são próprias ao capitalismo, também é verdadeiro que esse sistema econômico desenvolveu mecanismos para superar crises. Por esta e outras razões, o capitalismo, marcado por desperdício, injustiça e instabilidade, sobrevive e avança há séculos. Nos últimos três anos, os principais países desenvolvidos perderam graus de liberdade na aplicação de políticas macroeconômicas convencionais (redução de juros e aumento de gastos públicos). Entretanto, esses países dispõem de pelo menos quatro instrumentos de grande impacto na economia: progresso técnico, competitividade internacional, distribuição de renda e guerra. Portanto, pode-se prever, de modo otimista, que os principais países capitalistas retomarão a fase ascendente em médio prazo (de dois a três anos). Este argumento aplica-se às principais economias capitalistas do mundo (EUA, Alemanha, França e Japão). É bem verdade que economias pouco importantes (Grécia, Portugal, etc.) continuarão em crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O progresso técnico implica aumento de produtividade e lançamento de novos produtos, que elevam a massa de lucros. Há, então, estímulo para os investimentos dos capitalistas. A competitividade internacional permite vender mais produtos no mercado internacional. A guerra impulsiona os gastos bélicos e, portanto, a geração de renda e emprego, além de estimular o progresso tecnológico. Nesse sentido, Afeganistão, Iraque e Líbia são oportunidades extraordinárias, além de outras que podem ser criadas (Paquistão, Irã, Síria, etc.). E o processo de distribuição de riqueza e renda gera ampliação do consumo dos trabalhadores. Entretanto, é pouco provável que ocorra este processo no horizonte previsível. Muito pelo contrário, parte expressiva do ajuste frente às crises deve recair sobre os grupos de menor renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Países em desenvolvimento, como o Brasil, em geral não dispõem desses instrumentos. A exceção é a distribuição de renda com base em políticas assistencialistas, benefícios da previdência e salário mínimo, que levam a aumento do consumo. O Brasil, além disso, apresenta crescente déficit nas contas externas e elevado passivo externo (o montante aplicado no país por estrangeiros é quatro vezes maior que as reservas internacionais brasileiras). Portanto, o país está preso a uma trajetória de crescente risco de crise cambial que, invariavelmente, resulta em crises real, financeira e fiscal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, o cenário mais provável no médio prazo é, de um lado, os Estados Unidos e países europeus importantes saírem da crise. De outro, se não houver mudanças significativas de estratégias e política, o Brasil, país marcado por enormes fragilidades e vulnerabilidades, tende a sofrer crise cambial e afundar em crises de todos os tipos. As locomotivas voltam para os trilhos e o vagão de 3ª classe descarrila mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7796645852570389419?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7796645852570389419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/entrevista-reinaldo-goncalves.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7796645852570389419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7796645852570389419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/12/entrevista-reinaldo-goncalves.html' title='Entrevista - Reinaldo Gonçalves'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7388348673261610982</id><published>2011-10-23T11:35:00.000-03:00</published><updated>2011-10-23T11:38:23.815-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Paulo Nogueira Batista Jr</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;'Ortodoxo', Nogueira Batista defende disciplina fiscal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A entrevista com Paulo Nogueira Batista Jr é de Assis Moreira, e foi publicada pelo jornal Valor, 18-10-2011.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vovSYu-wf_0/TqQkOODOB9I/AAAAAAAAB4Y/Yt20qDQdBBk/s1600/batista.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-vovSYu-wf_0/TqQkOODOB9I/AAAAAAAAB4Y/Yt20qDQdBBk/s1600/batista.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dá para escapar de nova recessão global?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O quadro hoje nos países desenvolvidos é de recessão, estagnação ou crescimento muito lento, com desemprego alto. E nos emergentes há uma desaceleração do crescimento, mesmo na China. Uma nova recessão mundial é possível, mas não é inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A China caminha para aterrissagem forçada?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um risco. Mas há 20 anos que escuto falar de risco de aterrissagem forçada da China e não aconteceu. Há vulnerabilidades na China, sim, no sistema financeiro e parece haver bolhas importantes nos mercados imobiliários. Mas o que está aparecendo são sinais de uma certa desaceleração. E como há inflação mais alta do que havia há dois, três anos, é difícil imaginar que a China possa responder à desaceleração interna e mundial com um impulso tão forte como o que ela deu em 2008 como parte da reação à crise global. A China está numa posição forte e, comparado a países desenvolvidos, então, nem se fala. Mas também tem menos munição do que tinha em 2008-2009. A escassez da munição é muito mais nítida na Europa, nos EUA, mas também se nota no caso da China. O impacto [para o Brasil] depende do tipo e da extensão do problema chinês. Se for desaceleração muito forte, vai afetar &lt;i&gt;commoditie&lt;/i&gt;s. A China é nosso maior parceiro comercial e nossas exportações são sobretudo de &lt;i&gt;commodities&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O cenário se deteriora, mas o Ministério da Fazenda projeta crescimento maior, de 5% em 2012, no Brasil. Quais ajustes são necessários para isso?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante que o Brasil tenha uma competitividade internacional mais forte. É bem vinda uma certa depreciação cambial, que começou a ocorrer com essa turbulência, desde que não seja muito rápida. A competição entre os países no mercado internacional vai se intensificar com o agravamento da situação mundial e vamos precisar de mecanismos eficazes de defesa contra concorrência desleal e subsídios abusivos. O Brasil já está caminhando nessa direção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;E no plano macro?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No plano macro, é importante o Brasil mudar sua '&lt;i&gt;policy mix&lt;/i&gt;', reduzir gradualmente a taxa de juro que vai ajudar inclusive as finanças públicas e o câmbio, empurrar o câmbio no sentido de uma certa depreciação. Mas, para que isso seja viável, é importante manter uma política fiscal muito disciplinada. Muitas vezes se diz no Brasil e em outros lugares que ajuste fiscal é politica ortodoxa. Pode ser, quem quiser use esse adjetivo. Mas é importante que se entenda que a &lt;u&gt;única forma de o Estado nacional ficar independente dos mercados é controlando seu déficit e sua dívida.&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Isso é o que diz François Hollande, o candidato socialista a presidência da França, que é chamado de "esquerda mole".&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, é? Eu não sabia. Mas é a grande realidade. Se o Estado nacional tiver déficit alto, dívida alta, cai nas mãos dos mercados. &lt;b&gt;É indispensável que o Estado tenha controle de suas contas para ter raio de manobra, para fazer políticas sociais, distributivas, de investimento e desenvolvimento&lt;/b&gt;. Se quiserem chamar isso de ortodoxo, chamem, mas o importante é isso. O que não é bom no Brasil é essa combinação de câmbio valorizado e juro alto. Isso deprime a atividade, reduz a competitividade da economia, onera as contas públicas, aumenta o déficit. Se conseguirmos caminhar na direção, como já estamos, de juros mais próximos da média mundial, política fiscal forte, com câmbio um pouco mais depreciado e políticas de defesa comercial e de competitividade internacional, o Brasil pode, sim, continuar crescendo apesar do cenário internacional difícil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A guerra cambial pode se agravar?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos em plena guerra cambial. Você mora na Suíça, não? Se há seis meses alguém falasse que a Suíça adotaria teto para câmbio com o euro, ninguém acreditaria. Em todos os períodos de grande dificuldade econômica, desemprego alto, a tendência é aumentar a guerra cambial e a comercial. Estamos vivendo os dois fenômenos. Por isso é importante o Brasil ter política cambial competitiva e mecanismos de promoção da competição internacional do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O câmbio chegou a R$ 1,95 e voltou a R$ 1,75. É um nível bom?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não acho que se possa fixar meta para taxa de câmbio. Apenas se você observar o que aconteceu nos anos recentes, o real foi das moedas que mais se valorizou. Isso não foi bom para o Brasil. Só não se valorizou mais porque o Banco Central e o Ministério da Fazenda atuaram várias vezes para conter essa valorização, que mesmo assim continuou. E só agora, com a intensificação da crise na área do euro, houve reversão parcial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Essa reversão pode continuar?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se houver uma tranquilização da situação na Europa, com uma cúpula europeia de 23 de outubro e a cúpula do G-20 de Cannes muito bem sucedidas, o cenário mais provável é de volta ao quadro anterior, em que o Brasil vai estar sofrendo de excesso de liquidez. Por quê? Porque todos os principais bancos centrais, inclusive o Banco Central Europeu, estão com políticas monetárias super expansionistas, provendo liquidez abundantemente, com taxas de juros muito baixas, negativas em termos reais. Se a crise aguda for debelada, provavelmente voltará o cenário de o real ser uma moeda atraente. Daí porque é importante uma redução gradativa do juro e manter política fiscal forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Europa mapeou o que fazer para combater sua crise, mas falta decidir. No caso do sistema financeiro, a tendência é de grande contração dos bancos e do crédito?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela avaliação que se tem, muitos bancos europeus precisam reforçar seu capital. Se os bancos resolverem responder a essa necessidade vendendo ativos, isso vai provocar contração do crédito e agravar o movimento recessivo que se desenha na Europa. E como a Europa tem importância ainda grande, embora declinante, haverá repercussão internacional. O que se quer é reforçar o capital e não levar os bancos a reduzir ativos. Se vários bancos simultaneamente reduzirem ativos, o efeito será forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Que impacto essa situação dos bancos europeus pode ter no Brasil?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fatalmente, uma crise na Europa tem efeito em partes do mundo, inclusive no Brasil, e no nosso caso o canal é financeiro. O Brasil tem que estar muito atento, e creio que está, para a situação das filiais de bancos estrangeiros no país, inclusive europeus. As autoridades de supervisão bancária têm que acompanhar muito bem esses bancos e acredito que estejam acompanhando com cuidado. Como a situação é muito tensa no mercado bancário internacional, e especialmente na Europa, isso é básico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A proposta brasileira de reforçar a capacidade financeira do FMI é contestada agora por desenvolvidos. Qual a chance de a proposta decolar em Cannes?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa ideia é defensável porque, num momento de crise grave, se os países mostram capacidade de atuação conjunta, é importante e os recursos podem inclusive nunca precisar ser usados. O Brasil passou por muitas crises e uma conclusão que os brasileiros tiraram foi de que numa crise, especialmente financeira, o governo tem que reagir de maneira além do que se espera para conter a crise. &lt;u&gt;Até agora, os europeus têm feito o contrário&lt;/u&gt;. É necessário agir rápido. No caso do FMI, existem USS 400 bilhões [para empréstimos], talvez seja suficiente, mas numa situação tão vulnerável seria mais prudente criar uma linha de defesa adicional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os recursos adicionais para o FMI seriam da ordem de centenas de bilhões de dólares?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, mas isso tudo tem que ser avaliado. É prematuro falar [em cifras], mas para ter efeito teria de ser um valor expressivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7388348673261610982?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7388348673261610982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7388348673261610982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/10/entrevista-paulo-nogueira-batista-jr.html' title='Entrevista - Paulo Nogueira Batista Jr'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vovSYu-wf_0/TqQkOODOB9I/AAAAAAAAB4Y/Yt20qDQdBBk/s72-c/batista.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6516724260035176104</id><published>2011-10-23T11:11:00.000-03:00</published><updated>2011-10-23T11:39:25.040-03:00</updated><title type='text'>Antonio Delfim Netto</title><content type='html'>&lt;b&gt;Homem e trabalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Artigo de Antonio Delfim Netto, economista, em artigo publicado no jornal Valor, 18-10-2011.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-A-tjFJ_5qO8/TqQe8LDCJYI/AAAAAAAAB4Q/LpuK-53LGaI/s1600/delfin.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-A-tjFJ_5qO8/TqQe8LDCJYI/AAAAAAAAB4Q/LpuK-53LGaI/s1600/delfin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma das construções mais impressionantes de &lt;i&gt;Marx&lt;/i&gt; é a sua leitura do papel do trabalho nos "&lt;i&gt;Manuscritos&lt;/i&gt;" de 1844, antes dele ter sido seduzido por &lt;i&gt;Ricardo&lt;/i&gt;. &lt;b&gt;O trabalho é o processo pelo qual o homem se produz e projeta fora dele as condições de sua existência e a sua capacidade de transformar o mundo&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;A organização social em que vivemos é produto de um processo histórico&lt;/b&gt;. O homem, ao construir o mundo com seu trabalho, exerce uma pressão seletiva no sentido de aumentar a sua liberdade de expressão, o que exige cada vez maior eficácia produtiva. Há uma evolução simultânea, civilizatória e quase biológica, que amplia o altruísmo e a solidariedade social, exatamente porque a cooperação é mais "produtiva" e libera mais tempo para a expressão criativa do homem.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;No atual estágio evolutivo, a sociedade &lt;b&gt;divide-se entre&lt;/b&gt; os que têm capital e "empregam" o trabalho em troca de salário, &lt;b&gt;e os que&lt;/b&gt; detêm a força de trabalho e só podem utilizá-la "alugando-a" ao capital, em troca de salário. Com as políticas sociais, o Estado do Bem-Estar transformou (transitoriamente!) o sistema salarial alienante de Marx no símbolo da segurança do trabalho. Ele dá, por sua vez, a garantia para o funcionamento das instituições da nossa organização social, particularmente os mercados e a propriedade privada.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;Os economistas precisam incorporar, como disse &lt;i&gt;Mauss&lt;/i&gt; ("&lt;i&gt;Sociologie et Anthropologi&lt;/i&gt;e", 1950), que o trabalho é o "fato global". &lt;b&gt;O desemprego involuntário é o impedimento insuperável do cidadão de incorporar-se à sociedade&lt;/b&gt;. Por motivos que independem de sua vontade, ele não pode sustentar honestamente a si e à sua família. &lt;b&gt;O desemprego involuntário é o "mal social global"!&lt;/b&gt; Não importam as filosofias ou as ideologias. No presente estágio evolutivo da organização social que o homem continua procurando para fazer florescer plenamente a sua humanidade, &lt;b&gt;é a natureza e a qualidade do seu trabalho que o coloca na sua posição social e econômica, que afeta sua situação física e emocional e que determina o nível do seu bem-estar&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;É com esse sentido do papel do trabalho, com o qual o homem se constrói e produz um mundo onde tenta acomodar-se numa estrutura social conveniente, que devemos entender os protestos dos "indignados com Wall Street", que se espalham por todo os EUA. Não se trata de "excluídos" sociais (talvez alguns deles o sejam), mas de cidadãos honestos, educados e que até bem pouco tempo tinham a oportunidade de ganhar a sua vida, sustentar a sua família, educar seus filhos, comprar sua casa, realizar, enfim, o "sonho americano", com o qual os EUA venderam o lago azul ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;É verdade que alguns deles já estão na terceira geração vivendo à custa dos outros, graças à miopia e inércia de um Estado do Bem-Estar distraído, o que faz a força do "Tea Party". Mas é verdade, também, que a renda média do americano não cresce desde 1996 e que a distribuição de renda tem piorado. Nada disso, entretanto, acendeu o fogo. O agente eficiente foi o nível de desemprego de quase 10% por tempo longo e que parece não ter fim. O agente eficiente foi a &lt;b&gt;proteção ao sistema financeiro a cujos responsáveis o governo protegeu de forma abusiva e entregou a execução das hipotecas, à custa de 25 milhões que perderam a âncora social do emprego organizado&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;"Ocupar Wall Street"&lt;/b&gt; é menos um protesto contra a economia de mercado e seus problemas, do que o profundo sentimento de injustiça social derivado da incapacidade do governo e do Banco Central, que permitiram, sob seus olhos complacentes, a&lt;b&gt; destruição do emprego e do patrimônio de incautos cidadãos&lt;/b&gt;, assaltados livremente por um sistema financeiro desinibido com suas "inovações".&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;O efeito final desse movimento será medido nas eleições de novembro de 2012. A resposta imediata de Washington deve ser pequena a não ser, talvez, acender o espírito de urgência do Executivo e estimular a resistência dos republicanos para continuar a expô-lo como "responsável" pela crise. Mas o desconforto é enorme. O presidente Obama referiu-se a ele ligeira e quase temerosamente. O secretário do Tesouro Geithner empurrou a culpa para o sistema financeiro, que "aumentou as tarifas bancárias em resposta aos novos controles de Wall Street e aumentou a já existente irritação popular contra ele". E o presidente do Fed, Bernanke, com aquela figura de Papai Noel arrependido, limitou-se a afirmar que "as pessoas estão descontentes com o estado da economia. Elas reprovam - e não sem razão - o setor financeiro pela situação em que nos encontramos e estão descontentes com a resposta das autoridades". Que autoridades? Obama, Geithner e Bernanke!&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;Quando se trata de entender o verdadeiro papel do trabalho, os economistas do "&lt;i&gt;mainstream&lt;/i&gt;" saem mal na foto: tratam-no como um "fator de produção", sujeito às leis da oferta e da procura. Por definição não há desemprego "involuntário". Como disse um economista que viria a ser nobelista, o desemprego em massa é apenas manifestação de "vagabundagem da classe trabalhadora".&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mais recente versão do "&lt;i&gt;The Palgrave Dictionary on Economics&lt;/i&gt;" (2008), não há uma entrada para "trabalho". Ela é dissolvida e desidratada em "disciplina do trabalho" e "economia do trabalho", com ênfase no "capital humano". Trata-se do mesmo artigo da 1ª edição (1987), ao qual se acrescentou o apêndice "&lt;i&gt;As Novas Perspectivas da Economia do Trabalho&lt;/i&gt;". &lt;b&gt;Tudo muito pobre, técnico, abstrato e sem história, como se a economia de mercado - codinome do atual capitalismo - estivesse escrito no Big-Bang e destinada a nos acompanhar até o fim dos tempos...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;/table&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify; width: 418px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td colspan="2" height="30"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6516724260035176104?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6516724260035176104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/10/antonio-delfim-netto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6516724260035176104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6516724260035176104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/10/antonio-delfim-netto.html' title='Antonio Delfim Netto'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-A-tjFJ_5qO8/TqQe8LDCJYI/AAAAAAAAB4Q/LpuK-53LGaI/s72-c/delfin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-924987171857526016</id><published>2011-09-08T15:39:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T15:39:32.345-03:00</updated><title type='text'>Valéria Silva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;As juventudes, o #contraoaumento e a política dos novos tempos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WTGshwk1sYs/TmkKlNhTNgI/AAAAAAAAB4I/uVjGA5pD3h8/s1600/contra.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nba="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-WTGshwk1sYs/TmkKlNhTNgI/AAAAAAAAB4I/uVjGA5pD3h8/s1600/contra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Valéria Silva é Doutora em Sociologia Política. Professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Arqueologia-PPGAArq-UFPI. Membro do Núcleo de Pesquisa sobre Crianças, Adolescentes e Jovens-NUPEC-UFPI.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teresina experimenta um momento ímpar, porém, já vivido por outras capitais brasileiras. As manifestações juvenis contra o aumento da passagem do ônibus dos últimos dias têm-se constituído num cenário político particular da vida da cidade, conferindo-lhe rotinas e dinâmicas inéditas. O movimento só encontra similares nos idos dos anos 80 quando os estudantes ocuparam quase as mesmas ruas e praças denunciando a opressão do regime militar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento pelo transporte poderia ser analisado por vários ângulos, posto que pleno de sentidos sociais, políticos, culturais, econômicos. Aqui priorizo olhá-lo pelo enfoque político,dimensão através da qual os atores implicados mais fortemente se puseram em cena, dando corpo à disputa de interesses variados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiramente, entendo que as manifestações ocorridas, embora com existência própria e marcadas por especificidades, não podem ser vistas apartadas do Movimento Passe Livre-MPL, há algum tempo, campo de militância de alguns segmentos estudantis do Brasil. Vejo estreita correspondência entre a cultura política consolidada nas manifestações do MPL de Salvador, de Florianópolis e outras capitais e os contornos obtidos pelo #Contraoaumento de Teresina. Existe um nexo, um fio que articula a luta dos jovens e penso, inclusive, que é desse ponto de vista que deve ser olhado, por exemplo, o significado político maior da demanda básica da luta posta na rua: a redução do preço da passagem do ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demandar o direito de não pagar a passagem - ou de ter o seu preço estabelecido em patamares toleráveis - remete-nos imediatamente a um direito civil básico do pacto social estabelecido numa democracia, que é o direito de ir e vir. Nossa Constituição Federal consagra como livre o direito de locomoção. Sabemos, por outro lado, que na realidade das grandes cidades, das sociedades complexas a operacionalização desse direito implica em que uma série de condicionantes seja atendida, tais como a indispensável disponibilidade de meios para torná-la possível quando a locomoção situa-se para além da capacidade física de cada um. Desse modo,questionar o preço da passagem é, antes, questionar até que ponto a fruição deste direito se mostra real, factível nos termos vivenciados em nossa sociedade; é questionar a existência concreta da suposta liberdade de ir e vir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um segundo desdobramento diz respeito aos principais atores da reivindicação, os estudantes. O movimento parece deixar entender que as juventudes estudantis, tomadas pela sociedade como responsáveis pela continuidade social, demandam nas ruas que o alto custo do preparo dessas novas gerações deixe de ser administrado individualizada e arduamente pelas famílias. Que a tarefa passe a ser também do Estado, responsável pela gestão dos bens e serviços financiados publicamente, e de alguns setores da sociedade, os quais acessam as maiores parcelas da riqueza social, no caso, o empresariado do setor. O corolário da atitude é a desconstrução do entendimento naturalizado de que a formação daqueles que nos substituirão coletivamente é de responsabilidade exclusiva do núcleo familiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na luta empreendida, os jovens apontam modelos de política que viessem a atender suas necessidades atuais: negam para si a assunção do ônus do transporte por se reconhecerem sujeitos de direito quanto à proteção que o Estado brasileiro os promete em discursos e textos legais, como o Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA. Recusam as saídas paliativas para a problemática vivenciada, como as políticas públicas compensatórias, como o bolsa-família, ou repressoras, como as tais medidas sócio-educativas. Reivindicam mais a liberdade de trânsito na cidade do que as condições para pagarem o cobrado pelo empresariado, mais a oportunidade de freqüentar a escola de qualidade do que vagas em empregos/trabalhos precoces, precarizados e vazios de sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As juventudes parecem cobrar das instituições o cumprimento cabal de suas responsabilidades, aclarando os campos de luta e rompendo, nesse sentido, a perspectiva de adequação à política hegemônica de Estado. Desse modo, assumem-se como pessoas em formação e afirmam, na participação política de resistência, a condição de sujeitos dos seus próprios destinos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, os jovens passaram a colocar sob suas miras o capital. A cobrança direta que fazem dos setores privados introduz aos levantes uma característica nova em relação aos movimentos sociais juvenis de décadas atrás, os quais focavam apenas o Estado como interlocutor e adversário político. Adotar, numa luta concreta, o capital como adversário direto coloca o movimento pelo transporte em aproximação com os movimentos juvenis mundiais contemporâneos,os quais – organizados sob as mais diferentes maneiras – se insurgem contra outras expressões do capital, presentes nesse novo mundo que povoamos. O enfrentamento de questões relativas à exclusão social, tão crônicas e triviais para nós, no Brasil e no Piauí, se expressa nas ruas a partir de uma nova leitura, extensiva ao coletivo local e estimulada pelos movimentos mundiais e nacionais de resistência ao capital sem pátria e igualmente virulento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até onde consigo ver, os agentes privados têm decodificado perfeitamente o sentido das lutas e têm organizado sua reação à altura do risco urdido pela audácia juvenil. Só por essa razão poderemos compreender a força repressiva que se alastra sobre os jovens de Teresina e do Brasil afora. É a defesa intransigente de um território comum e “intocável”, onde estão blindados políticos e seus interesses eleitorais x empresários beneficiários de gestões apartadas dos interesses sociais básicos, ambos orquestrando a manutenção do establishment.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As juventudes na rua operam uma síntese potente entre o novo e o velho, ao tempo em que desenham um presente/futuro onde nos substituem/substituirão confiantemente. Para quem acreditava que os jovens estavam “mortos” fica a reflexão: novos tempos, novos sujeitos, novas lutas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-924987171857526016?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/924987171857526016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/09/valeria-silva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/924987171857526016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/924987171857526016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/09/valeria-silva.html' title='Valéria Silva'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WTGshwk1sYs/TmkKlNhTNgI/AAAAAAAAB4I/uVjGA5pD3h8/s72-c/contra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-4244667018122228924</id><published>2011-08-15T15:51:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T15:51:46.769-03:00</updated><title type='text'>Marcelo Justo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Quem são as “bestas selvagens” inglesas? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Com mais 2.300 prisões e mais de 1.200 processados por roubo ou violência, o desfile pelos tribunais não mostrou nenhuma “besta selvagem”. Ao invés disso, o perfil dos acusados surpreendeu os britânicos que tiveram que enterrar a primeira caracterização simplista – negros, afrocaribenhos, pobres e excluídos. Designers gráficos, estudantes universitários, professores, adolescentes, púberes, desempregados, marginais, um aspirante a entrar no exército, uma modelo: a variedade desafia qualquer estereótipo. O artigo é de Marcelo Justo, correspondente da Carta Maior em Londres.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-G_kUUvsbBcg/Tklptm4ju3I/AAAAAAAAB4E/xgXBRmla638/s1600/ingles.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-G_kUUvsbBcg/Tklptm4ju3I/AAAAAAAAB4E/xgXBRmla638/s1600/ingles.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Indignados” não são. Nenhum discurso articula o protesto, não existe uma lista mínima de demandas como ocorreu com as manifestações dos estudantes ingleses contra a &lt;strong&gt;triplicação do valor das matrículas universitárias no ano passado&lt;/strong&gt;. Os distúrbios em Londres e outras cidades inglesas se parecem mais com os de Paris em 2005, ou os de Los Angeles em 1992. O primeiro ministro &lt;strong&gt;David Cameron&lt;/strong&gt; e a poderosa imprensa conservadora não querem entrar em complexas reflexões sociológicas. “O que ocorreu é extremamente simples. Trata-se de pura delinquência”, disse Cameron no debate parlamentar convocado em caráter de emergência. O autor de vários livros de história militar, entre eles “A batalha das Malvinas”, &lt;strong&gt;Max Hastings&lt;/strong&gt;, foi mais longe: “São bestas selvagens. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comportam-se como tais. Não têm a disciplina que se necessita para ter um emprego, nem a consciência moral para distinguir entre o bem e o mal”, escreveu no &lt;em&gt;Daily Mail&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com mais 2.300 prisões e mais de 1.200 processados por roubo ou violência, o desfile pelas cortes não permitiu ver nenhuma “besta selvagem”. Ao invés disso, o perfil dos acusados surpreendeu os britânicos que tiveram que enterrar a primeira caracterização simplista – negros, afrocaribenhos, pobres e excluídos – para começar a entender um fenômeno complexo. &lt;strong&gt;Designers gráficos, estudantes universitários, professores, adolescentes, púberes, desempregados, marginais, um aspirante a entrar no exército, uma modelo: a variedade era de um tamanho suficiente para desafiar qualquer estereótipo. Cerca de 80% dos que desfilaram pelos tribunais têm menos de 25 anos. A metade dos processados são menores de 18: muito poucos superam os 30 anos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O apelido de “besta selvagem” tem uma arrogância de classe que não deveria ocultar seu principal objetivo: despojar os distúrbios de qualquer significado. A milhões de anos luz desta perspectiva, &lt;strong&gt;Martins Luther King&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;dizia que “os distúrbios são a linguagem dos que não têm voz”.&lt;/strong&gt; Na Inglaterra, o problema é que esta linguagem foi, em vários momentos, um balbucio ininteligível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Macbeth na encruzilhada&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conflito começou com os protestos pela morte de &lt;strong&gt;Mark Duggan&lt;/strong&gt;, no bairro de &lt;em&gt;Tottenham&lt;/em&gt;, baleado pela polícia que, aparentemente, foi rápida demais no gatilho. Em um primeiro momento era um protesto político local marcado pela tensão étnica em um bairro pobre: o primeiro objeto de ataque foram dois carros de patrulha da polícia queimados pelos manifestantes. Este pontapé inicial converteu-se rapidamente em quatro noites de saques de grandes lojas, roubo indiscriminado de comércios de bairro e indivíduos e enfrentamentos com a polícia em bairros pobres de Londres e da maioria das grandes cidades da Inglaterra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas além de expressar uma exuberância dionisíaca, destrutiva e raivosa, que sentido pode ter o incêndio de uma pequena loja familiar de móveis no sul de Londres que havia sobrevivido a duas guerras mundiais? Como explicar que dois tipos com aspecto de hooligans simularam ajudar um jovem ferido para roubar-lhe o que ainda não tinham lhe roubado, como ocorreu com o estudante malaio &lt;strong&gt;Ashrag Haziq&lt;/strong&gt;? Os distúrbios foram então “&lt;em&gt;um relato contato por um idiota cheio de som e fúria que não significa nada&lt;/em&gt;”, como na famosa definição que Shakespeare faz da vida em Macbeth?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos distúrbios houve de tudo. A presença de bandos de jovens e o roubo meramente oportunista estiveram tão na ordem do dia como o uso de torpedos via celular para coordenar os ataques em lojas e bairros. &lt;strong&gt;Em uma sociedade onde o dinheiro se converteu em valor absoluto, a identidade parece definir-se, para muita gente, pela posse de tênis de marca ou do modelo de celular mais recente, ao qual essas pessoas não tem acesso porque vivem mergulhados na pobreza&lt;/strong&gt;. Se a oportunidade aparece, por que não? Isso é o que fazem os banqueiros, os políticos, as grandes fortunas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O atual ministro da Educação, Michael Gove, disparou indignado contra “uma cultura da cobiça, da gratificação instantânea, do hedonismo e da violência amoral”. O mesmo Gove gastou em 2006, 10 mil dólares para sua casa e passou a conta para a Câmara dos Comuns como parte de sua “dieta” parlamentar. Entre os objetos adquiridos, havia uma mesa que custou mais de 1.000 dólares, um móvel Manchu por 700 dólares e um abajur de 250 dólares&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Pobreza e gangues&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos casos que contribuíram para romper o estereótipo foi o de &lt;strong&gt;Alexis Bailey&lt;/strong&gt;, um professor de escola primária de 31 anos, muito respeitado em seu trabalho, preso em uma loja da Hi-fi em Croydon, sul de Londres. Bailey ganha 1.000 libras em mês (cerca de 1.600 dólares) e paga de aluguel mais da metade disso: 550 libras (uns 900 dólares). No caso de &lt;strong&gt;Bailey&lt;/strong&gt;, como no de &lt;strong&gt;Trisha&lt;/strong&gt;, graduada em Psicologia Infantil que acaba de perder seu trabalho, percebe-se o núcleo de uma narrativa distinta da “mera delinquência” de “bestas selvagens”. “&lt;em&gt;Ainda estou pagando o empréstimo que recebi para estudar. Cameron não faz nada. Não tem ideia do que é ser jovem. Dizem que nos aproveitamos dos benefícios. Mas queremos trabalho&lt;/em&gt;”, disse &lt;strong&gt;Trisha &lt;/strong&gt;ao &lt;em&gt;The Guardian&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes germens de discurso apareceram várias vezes. Na voz de uma mãe em um supermercado (“&lt;em&gt;não tem nada, o que vão fazer?&lt;/em&gt;”), na de um jovem desempregado (“&lt;em&gt;é preciso se rebelar&lt;/em&gt;”). As gangues juvenis são a expressão final e niilista deste fenômeno de não pertencimento social e de falta de perspectiva de vida. “&lt;em&gt;As gangues oferecem uma relação de pertencimento a uma estrutura, uma disciplina, um respeito que os jovens não encontram em nenhum outro lado&lt;/em&gt;”, escreve &lt;strong&gt;Ann Sieghart&lt;/strong&gt; no &lt;em&gt;The Independent&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta semana, em um primeiro distanciamento de sua própria caracterização dos distúrbios, &lt;strong&gt;David Cameron&lt;/strong&gt; lançou uma revisão de toda a política governamental para “&lt;strong&gt;recompor uma sociedade exausta&lt;/strong&gt;”, evitar uma “&lt;strong&gt;lenta desintegração moral&lt;/strong&gt;” e “&lt;strong&gt;solucionar problemas sociais que cresceram durante muito tempo&lt;/strong&gt;”. &lt;u&gt;É um começo&lt;/u&gt;. O que está claro é que as prisões, que em sua maioria já estão superpovoadas, não resolvem o problema de fundo: em alguns meses os mesmos jovens sairão para as ruas. A grande questão é se uma coalizão como a conservadora-liberal democrata, que &lt;strong&gt;fez do ajuste fiscal uma religião&lt;/strong&gt;, pode levar adiante uma política mínima que comece a lidar com um fenômeno que tem complexas raízes econômicas sociais e culturais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-4244667018122228924?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/4244667018122228924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/marcelo-justo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4244667018122228924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4244667018122228924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/marcelo-justo.html' title='Marcelo Justo'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-G_kUUvsbBcg/Tklptm4ju3I/AAAAAAAAB4E/xgXBRmla638/s72-c/ingles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3470658206800389070</id><published>2011-08-15T15:19:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T15:19:22.945-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Maria da Conceição Tavares</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;“Colapso do neoliberalismo sob o tacão dos ultra-neoliberais: é a treva!”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Por Saul Leblon/Carta Maior.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As manifestações mórbidas de ortodoxia fiscal nos EUA e, antes, o martírio inútil da Grécia, mas também as rebeliões de indignação que tomam as ruas do mundo, em contraste com o alarme sangrento da intolerância neonazista vindo da Noruega, romperam uma blindagem de opacidade e resignação que revestia a crise mundial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de anos de abordagem asséptica por parte dos governos, e do tratamento complacente e obsequioso desfrutado na mídia, causas e conseqüências da débâcle mais ruidosa do capitalismo desde 1929 adquirem progressiva transparência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arcado sob um vácuo de liderança assustador, os EUA de Obama e do Tea Party, mas também a Europa da rendição socialdemocrata, expõem a dimensão política da crise, que realimenta seu impasse econômico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos confrontos de rua entre uma população desesperada e um poder político de representatividade dissolvente, desnuda-se a brutal incompatibilidade entre os mercados financeiros desregulados e os valores da democracia. Na ascendência do Tea Party, pautando um arrocho ortodoxo que joga o planeta às portas de uma Depressão, desaba a confiabilidade na democracia norte-americana que se transforma em fator de insegurança mundial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conversa fiada dos centuriões midiáticos que durante o ciclo neoliberal venderam o peixe podre, segundo o qual, democracia e &lt;em&gt;laissez-faire&lt;/em&gt; selvagem são &lt;em&gt;personas&lt;/em&gt; indissociáveis do capitalismo desregulado, derreteu. Da poça de desilusão escorre um veio de discernimento que se espalha aos poucos pelas praças do mundo: a crise só será efetivamente superada com uma democracia reinventada pela participação popular. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento não se completa, todavia, apesar da truculência incomum, porque a explosão carece, ainda, daqueles atores dos quais se espera , historicamente, a expressão organizada e programática do conflito social: os partidos políticos, mais especificamente, as legendas alinhadas ao campo da esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal vazio afirma a natureza verdadeiramente sistêmica da atual crise, cujo atributo não se restringe ao colapso do corpo econômico de uma época. A crise paradoxalmente trouxe a política de volta porque nenhuma solução de mercado resolverá os impasses causados por ele e por seus mitos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa singularidade não passa desapercebida pelos que se debruçam, como sempre se debruçaram, na análise das crises e impasses do sistema capitalista em busca de respostas progressistas para o presente e o futuro do desenvolvimento brasileiro. Entre as mais importantes contribuições desse indispensável engajamento intelectual está a voz da professora &lt;strong&gt;Maria da Conceição Tavares&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em março deste ano, quando Obama se preparava para aterrissar no Brasil, em meio a confetes e serpentinas de uma mídia obsequiosa, a narrativa dominante saltitava ao som de um novo samba enredo. Um esforço coreográfico enorme procurava convencer o distinto público sobre a veracidade de algumas fantasias e adereços. A saber: a viagem era um ponto de ruptura entre a ‘política externa de esquerda’ do Itamaraty – leia-se de Lula , Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães – e o suposto empenho da Presidenta Dilma em uma reaproximação ‘estratégica’ com o aliado do Norte; a visita selaria um a nova agenda, ‘uma reconciliação’ entre Brasília e Washington ancorada em concessões e acordos expressivos; Obama seria o paradigma de uma modernidade a ser seguida por Dilma, distinta do ‘populismo’ político e econômico da ‘escumalha’ latinoamericana – ele usa twitter, é cool, não gosta de Lula, nem de Chávez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em entrevista à Carta Maior algumas horas antes daquela prometida apoteose que, como é sabido, redundou em fiasco, a professora &lt;strong&gt;Maria da Conceição Tavares&lt;/strong&gt; aspergiu certeiras bisnagas de realismo sobre o entrudo inebriado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carta Maior voltou a conversar agora com a economista a quem todos ligam quando o mundo despenca e é preciso saber para que lado ir. E é isso que o mundo está fazendo há dias, metafórica e financeiramente: despencando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A extrema direita republicana pautou Obama, como &lt;strong&gt;Conceição&lt;/strong&gt; havia antevisto; asfixiou a política fiscal da maior economia do planeta. O anúncio de cortes de gastos públicos da ordem de US$ 2,4 trilhões de dólares sobre um metabolismo econômico combalido, equivale a ordenar aos mercados que imitem o Barão de Munchausen e se ergam pelos próprios cabelos. O Barão de Munchausen era um contador de lorotas. Só a convicção colegial desastrosa do Tea Party no &lt;em&gt;laissez-faire&lt;/em&gt; - cujo equivalente nativo é a mídia e seus consultores - pode inspirar-se nas metáforas capilares do velho Barão para pautar os destinos da economia e da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os mercados sabem que a coisa não funciona assim. Investidores e especuladores &lt;em&gt;urbi et orbi&lt;/em&gt; farejaram o desastre e se anteciparam fugindo em massa de ações e títulos, candidatos a perder o valor de face na recessão em curso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de atender Carta Maior, a professora &lt;strong&gt;Maria da Conceição&lt;/strong&gt; já havia recebido telefonemas de Brasília, com a mesma inquieatação: ‘&lt;em&gt;E agora?&lt;/em&gt;’. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A decana dos economistas brasileiros entende de crise. Ela nasceu em abril de 1930, poucos meses depois da 5º feira negra de outubro de 1929, quando as bolsas reduziram todo um ciclo a riqueza especulativa a pó e pânico. Em questão de horas. A professora de reconhecida bagagem intelectual, respeitada mesmo pelos que divergem de seus pontos de vista, normalmente prefere não avançar na reflexão política e ideológica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fEPj6obiTdY/TklhL1Pmb1I/AAAAAAAAB4A/CsmYqj7wTUE/s1600/conceicaotavares.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-fEPj6obiTdY/TklhL1Pmb1I/AAAAAAAAB4A/CsmYqj7wTUE/s1600/conceicaotavares.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seguir, trechos da conversa de Maria da Conceição Tavares (foto)&amp;nbsp;com Carta Maior:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Carta Maior - No caso do Brasil, no que esta crise difere da de 2008 que superamos rapidamente? Dá para usar a mesma receita de então?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria da Conceição Tavares— “É muito difícil (suspira). Primeiro, pela natureza arrastada, enrustida desse longo crepúsculo. Você fica a tomar medidas pontuais. Tenta mitigar a questão do câmbio para evitar a concorrência predatória das importações. Mas tem efeito limitado. Voce aperta os controles aqui, mas o dólar está derretendo lá fora. Está derretendo sob o peso da recessão e do imobilismo político de quem deveria tomar as rédeas da situação. O Brasil não tem como impedir que o dólar derreta no sistema financeiro mundial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM—Isso foi diferente em 2008...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT—Em 2008 nós tivemos um efeito oposto; capitais em fuga migraram de várias partes do mundo, de filiais de bancos e multinacionais, para socorrer a quebra das matrizes na Europa e nos EUA. Então o que houve ali foi uma desvalorização cambial; o Real ficou mais fraco. Isso facilitou as coisas pelo lado das exportações e da contenção de importações, ainda que quase tenha levado à breca aqueles que especulavam contra a moeda brasileira, fazendo hedge fictício para ganhar na desvalorização. Mas do ponto de vista macroeconômico foi um quadro mais favorável. Hoje é o inverso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM - As reservas atuais, da ordem de US$ 340 bilhões são um alento?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT—Também há diferenças desfavoráveis nas contas externas. As reservas hoje são basicamente formadas pela conta de capitais; não tanto pelo superávit comercial, como era então. Significa que hoje são a contrapartida de algo fluido, capitais que não sabemos exatamente se representam investimento produtivo, de mais longo curso, ou especulação capaz de escapar abruptamente. Sobretudo, tenho receio porque uma parte considerável desse ingresso é dívida privada. Com a anomalia dos juros, os maiores do mundo – a nossa herança maldita - e a oferta barata e abundante de dinheiro lá fora, nossas empresas se endividaram a rodo. Se houver uma reversão do ciclo, se o dólar se valorizar, o descasamento entre um passivo em dólar e receitas em reais, no caso de quem não exporta, ou exporta pouco, será traumático. Essa contabilidade hoje por certo é mais grave do que o passivo em hedge que quase quebrou grandes grupos brasileiros em 2008.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM - Então a margem de manobra do governo Dilma é menor?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - (suspira) Estávamos melhor antes. E muito do que fizemos então não dá para fazer agora...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM—Mas o governo pode...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT— O governo Dilma poderá agir de forma distinta e contundente se a crise virar o Rubicão; aí tudo é lícito e possível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM - Por exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - Por exemplo centralizar o câmbio; controlar importações, remessas etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM— E enquanto isso não ocorre?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - Mas enquanto se arrasta assim, uma crise enrustida, que vai minando, desagregando, sem ser confrontada, fica difícil. Você toma medidas pontuais que se dissolvem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM - Há uma superposição de colapso do neoliberalismo com esfarelamento político que realimenta e reproduz o processo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - Veja, é um colapso empírico da agenda do neoliberalismo. Avulta que a coisa é um desastre e os meus colegas economistas dessa cepa, espero, devem estar conscientes disso. Mas que poder tem os economistas? Nenhum. O poder que conta está nas em outras mãos, a dos responsáveis pela crise. Vivemos um colapso neoliberal sob o tacão dos ultra-neoliberais. Não estamos falando de gente normal, é preciso entender isso. Não são neoliberais comuns. Meu Deus, o que é isso que estão fazendo nos EUA? É a treva! Vivemos um colapso do neoliberalismo sob o tacão dos ultra-neoliberais: isso é a treva! E ela se espalha desagregando, corroendo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM—Devemos nos preparar para uma crise longa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT—Sem dúvida. Por conta dessa dimensão autofágica que não enseja um desdobramento político à altura, que inaugure um novo ciclo, como foi com Roosevelt e o New Deal em 29. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CM—As bases sociais do New Deal não existem mais nos EUA?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - Não existem mais. Obama é o reflexo disso. É uma liderança intrinsecamente frouxa. Não tem a impulsão trabalhista e progressista que sustentou o New Deal. É frouxo. Seu eleitorado é difuso ah, ótimo, ele se comunica com os eleitores pelo twitter, etc. E aí? É uma força difusa, desorganizada, estruturalmente à margem do poder. Está fora do poder efetivo no Congresso que é da direita, dos ricos, dos grandes bancos e grandes corporações, como vimos agora no desenho do pacote fiscal. Está fora da indústria também que foi para a China. Esse limbo estrutural é o Obama. Ele pode até ser reeleito, tomara que seja. A alternativa é amedrontadora. Mas isso não mudará a sua natureza frouxa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM— Se não existe o componente político que assemelhe essa crise a de 1929, então o que é isso, essa’ treva’ que estamos vivendo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT— (ri) Uma treva é uma treva... O que passamos agora é distinto de tudo o que se viu em 29...Todavia não menos grave e talvez mais angustiante. É um colapso enrustido, como eu disse. Arrastado, latejante, sob o tacão de forças como essas dos ultra-neoliberais. Tampouco é um fascismo explícito, porém, como se viu na Europa, em 30. Até porque o nazismo, por exemplo, e isso não abona em nada aquela catástrofe genocida, postulava o crescimento com forte indução estatal. O que se tem hoje é o horror; um vazio político de onde emergem essas criaturas dos EUA, e coisas assemelhadas na Europa. Será uma crise longa, penosa, desagragdora, mais próxima da Depressão do final do século XIX...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM- O declínio de um império, como foi o declínio do poder da Inglaterra no final século XIX?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT—Sim, é um quadro mais próximo daquele. O poder inglês foi sendo contrastado por nações com industrialização mais moderna. Um arranjo com estrutura de integração superior entre a indústria e o capital financeiro e que aos poucos ultrapassaria a hegemonia inglesa. Foi uma quebra, uma inflexão entre o capitalismo concorrencial e o capitalismo monopolista. A Inglaterra que havia sido a ‘fábrica do mundo’ perdeu o posto para o agigantamento fabril americano e alemão. Isso se arrastou por décadas. Foi uma Depressão, a primeira Depressão que tivemos no capitalismo (durou de 1873 a 1918). Levou à Primeira Guerra, que resultou na Segunda... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;CM—Os EUA são a Inglaterra da nossa longa crise... E o novo hegemon?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MCT - As forças que se articularam na sociedade norte-americana, basicamente forças conservadoras, de um reacionarismo profundo, não em condições de produzir uma nova hegemonia propositiva. Claro, eles tem as armas de guerra. Não é pouco, como temos visto. Vão se impor assim por mais tempo. Mas daí não sai um novo hegemon. Vamos caminhar para um poder multilateral, negociado, sujeito a contrapesos que nos livrarão de coisas desse tipo, como a ascendência do Tea Party nos EUA. Uma minoria que irradia a treva para o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3470658206800389070?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3470658206800389070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/entrevista-maria-da-conceicao-tavares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3470658206800389070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3470658206800389070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/entrevista-maria-da-conceicao-tavares.html' title='Entrevista - Maria da Conceição Tavares'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fEPj6obiTdY/TklhL1Pmb1I/AAAAAAAAB4A/CsmYqj7wTUE/s72-c/conceicaotavares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-5954900552446616372</id><published>2011-08-15T14:59:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T14:59:30.793-03:00</updated><title type='text'>Noam Chosmky</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os Estados Unidos em decadência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zTuXMRRKouY/Tklbx03mbOI/AAAAAAAAB38/ArEUZnRGdtg/s1600/noam.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-zTuXMRRKouY/Tklbx03mbOI/AAAAAAAAB38/ArEUZnRGdtg/s1600/noam.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Artigo de Noam Chomsky (foto), professor emérito de lingüística e filosofía do Instituto Tecnológico de Massachusetts. Seu livro mais recente é 9-11: Tenth Anniversary. Tradução: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um tema comum que os Estados Unidos, que há apenas alguns anos era visto como um colosso que percorreria o mundo com um poder sem paralelo e um atrativo sem igual (...) estão em decadência, enfrentando atualmente a perspectiva de uma deterioração definitiva, assinala Giacomo Chiozza, no número atual de &lt;em&gt;Political Science Quaterly&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crença neste tema, efetivamente, está muito difundida. Em com certa razão, se bem que seja o caso de fazer algumas precisões. Para começar, a decadência tem sido constante desde o ponto culminante do poderio dos EUA, logo após a Segunda Guerra Mundial, e o notável triunfalismo dos anos 90; depois da Guerra do Golfo, foi basicamente um autoengano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro tema comum, ao menos entre aqueles que não ficaram cegos deliberadamente, é que a decadência dos EUA, em grande medida, é auto-inflingida. A ópera bufa que vimos este verão em Washington, que desgostou o país e deixou o mundo perplexo, pode não ter comparação nos anais da democracia parlamentar. O espetáculo inclusive está chegando a assustar aos patrocinadores desta paródia. Agora, preocupa ao poder corporativo que os extremistas que ajudou a por no Congresso de fato derrubem o edifício do qual depende sua própria riqueza e seus privilégios, o poderoso estado-babá que atende a seus interesses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;strong&gt;supremacia do poder corporativo sobre a política e a sociedade&lt;/strong&gt; – basicamente financeira – chegou ao grau de que as formações políticas, que nesta etapa apenas se parecem com os partidos tradicionais, estão muito mais à direita da população nos principais temas em debate.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Para o povo, a principal preocupação interna é o desemprego&lt;/strong&gt;. Nas circunstâncias atuais, esta crise pode ser superada só mediante um significativo estímulo do governo, muito mais além do que foi o mais recente, que apenas fez coincidir a deterioração no gasto estatal e local, ainda que essa iniciativa tão limitada provavelmente tenha salvado milhões de empregos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, &lt;strong&gt;para as instituições financeiras, a principal preocupação é o déficit&lt;/strong&gt;. Assim, só o déficit está em discussão. Uma grande maioria da população está a favor de abordar o problema do déficit taxando os muito ricos (72%, com 27% contra), segundo uma pesquisa do &lt;em&gt;The Washington Post&lt;/em&gt; e da &lt;em&gt;ABC News&lt;/em&gt;. Fazer cortes nos programas de atenção médica conta com a oposição de uma esmagadora maioria (69% no caso do Medicaid, 78% no caso do Medicare). O resultado provável, porém, é o oposto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;em&gt;Programa sobre Atitudes de Política Internacional&lt;/em&gt; (PIPA) investigou como a população eliminaria o déficit. Steven Kull, diretor do PIPA, afirma: &lt;strong&gt;É evidente que, tanto o governo como a Câmara (de Representantes) dirigida pelos republicanos, estão fora de sintonia com os valores e as prioridades da população no que diz respeito ao orçamento&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pesquisa ilustra a profunda divisão: a maior diferença no gasto é que o povo apoia cortes profundos no gasto militar, enquanto que o governo e a Câmara de Representantes propõem aumentos modestos. O povo também defende aumentar o gasto na capacitação para o trabalho, na educação e no combate à poluição em maior medida que o governo ou a Câmara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O acordo final – ou, mais precisamente, a capitulação ante à extrema direita – é o oposto em todos os sentidos, e quase com toda certeza provocará um crescimento mais lento e danos de longo prazo para todos, menos para os ricos e as corporações, que gozam de benefícios sem precedentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem sequer se discutiu que o déficit poderia ser eliminado se, como demonstrou o economista Dean Baker, se substituísse o sistema disfuncional de atenção médica privada dos EUA por um semelhante ao de outras sociedades industrializadas, que tem a metade do custo &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; e obtém resultados médicos equivalentes ou melhores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;As instituições financeiras e as grandes companhias farmacêuticas são demasiado poderosas para que sequer se analisem tais opções&lt;/strong&gt;, ainda que a ideia dificilmente pareça utópica. Fora da agenda por razões similares também se encontram outras opções economicamente sensatas, como a do imposto às pequenas transações financeiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, &lt;em&gt;Wall Street&lt;/em&gt; recebe regularmente generosos presentes. &lt;strong&gt;&lt;u&gt;O Comitê de Atribuições da Câmara de Representantes cortou o orçamento da Comissão de Títulos e Bolsa, a principal barreira contra a fraude financeira&lt;/u&gt;.&lt;/strong&gt; E é pouco provável que sobreviva intacta a Agência de Proteção ao Consumidor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Congresso brande outras armas em sua batalha contra as gerações futuras. Apoiada pela oposição republicana à proteção ambiental, a importante companhia de eletricidade &lt;em&gt;American Eletric Power&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;arquivou &lt;/strong&gt;o principal esforço do país para captar o dióxido de carbono de uma planta atualmente impulsionada por carvão, o que significou um forte golpe às campanhas para reduzir as emissões causadoras do aquecimento global, informou o &lt;em&gt;The New York Times&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses golpes auto-aplicados, ainda que sejam cada vez mais potentes, não são uma inovação recente. Datam dos anos 70, quando a política econômica nacional sofreu importantes transformações, que puseram fim ao que se costuma chamar de “época de ouro” do capitalismo de Estado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois importantes elementos desse processo foram a &lt;strong&gt;financeirização&lt;/strong&gt; (&lt;strong&gt;&lt;u&gt;o deslocamento das preferências de investimento, da produção industrial para as finanças, os seguros e os bens imobiliários&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;) e a externalização da produção. O triunfo ideológico das doutrinas de livre mercado, muito seletivo como sempre, desferiu mais alguns golpes, que se traduziram em desregulação, regras de administração corporativa que condicionavam as enormes recompensas aos diretores gerais com os benefícios de curto prazo e outras decisões políticas similares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A concentração resultante da riqueza produz maior poder político, acelerando um círculo vicioso que aportou uma riqueza extraordinária para 1% da população&lt;/strong&gt;, basicamente diretores gerais de grandes corporações, gerentes de fundos de garantia e similares, enquanto que a maioria das receitas reais praticamente estancou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, &lt;strong&gt;o custo das eleições disparou para as nuvens&lt;/strong&gt;, fazendo com que os dois partidos tivessem que escavar mais fundo os bolsos das corporações. O que restava de democracia política foi solapado ainda mais quando ambos partidos recorreram ao leilão de postos diretivos no Congresso, como apontou o economista &lt;em&gt;Thomas Ferguson&lt;/em&gt;, no &lt;em&gt;The Financial Times&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os &lt;strong&gt;&lt;u&gt;principais partidos políticos adotaram uma prática das grandes empresas varejistas&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;, como Walmart, Best Buy e Target, escreve &lt;em&gt;Ferguson&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Caso único nas legislaturas do mundo desenvolvido, os partidos estadunidenses no Congresso colocam preço em postos chave no processo legislativo&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;. Os legisladores que conseguem mais fundos ao partido são os que indicam os nomes para esses postos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resultado, segundo &lt;em&gt;Ferguson&lt;/em&gt;, é que os debates se baseiam fortemente na repetição interminável de um punhado de consignas, aprovadas pelos blocos de investidores e grupos de interesse nacionais, dos quais depende a obtenção de recursos. E o país que se dane.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes do crack de 2007, do qual foram responsáveis em grande medida, as instituições financeiras posteriores à época de ouro tinham obtido um surpreendente poder econômico, multiplicando por mais de três sua participação nos lucros corporativos. Depois do crack, numerosos economistas começaram a investigar sua função em termos puramente econômicos. &lt;em&gt;Robert Solow&lt;/em&gt;, prêmio Nobel de Economia, concluiu que seu efeito poderia ser negativo. Seu êxito aporta muito pouco ou nada à eficiência da economia real, enquanto seus desastres transferem a riqueza dos contribuintes ricos para o setor financeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao &lt;strong&gt;triturar os restos da democracia política&lt;/strong&gt;, as instituições financeiras estão lançando as bases para fazer avançar ainda mais este processo letal...enquanto suas vítimas parecem dispostas a sofrer em silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-5954900552446616372?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/5954900552446616372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/noam-chosmky.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5954900552446616372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5954900552446616372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/noam-chosmky.html' title='Noam Chosmky'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zTuXMRRKouY/Tklbx03mbOI/AAAAAAAAB38/ArEUZnRGdtg/s72-c/noam.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7464382869741743996</id><published>2011-08-11T14:58:00.000-03:00</published><updated>2011-08-11T14:58:53.081-03:00</updated><title type='text'>Cris Rodrigues - Especial para a Carta Maior</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"Violência dos últimos dias é uma questão social"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A reportagem é do jornalista&amp;nbsp;Cris Rodrigues,&amp;nbsp;que mantém o blog &lt;a href="http://somosandando.wordpress.com/"&gt;Somos Andando&lt;/a&gt;. Atualmente, o jornalista vive em Londres.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gKkKzTW5klg/TkQYMaYq8LI/AAAAAAAAB34/N2SozJFHOvA/s1600/cartamaior.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-gKkKzTW5klg/TkQYMaYq8LI/AAAAAAAAB34/N2SozJFHOvA/s1600/cartamaior.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ken Smith (foto) é dono de uma loja em Brixton, bairro no sul de Londres em que houve um dos protestos considerados mais violentos da onda de ataques que tomou conta da capital inglesa entre os dias 6 e 9 de agosto. Ele estava lá, apesar de ser tarde da noite de segunda para terça-feira, e viu quando os jovens quebraram vitrines de lojas e colocaram fogo em carros. Sabe que eram muitos, mas não chuta quantos. Todos muito jovens, filhos de uma geração sem limites e sem perspectivas, na visão do lojista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Smith tem a sua explicação para os protestos que fizeram o mundo todo virar os olhos para Londres, embora ela não seja simples. Para ele, há diversas causas escondidas no que muitos vêem apenas vandalismo e que começou sábado (6) como um protesto legítimo contra o suposto assassinato de um homem por agentes da Scotland Yard, a polícia britânica, na quinta-feira passada (4), no bairro de Tottenham, &lt;strong&gt;que registra altos índices de desemprego&lt;/strong&gt;. Enquanto a maioria acredita que os manifestantes sejam apenas criminosos se aproveitando da situação para roubar, ele sustenta que a violência dos últimos dias é uma questão social. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Esta geração que nasceu lá por 1995 é de jovens excluídos socialmente. Eles vivem uma subcultura. Eu tenho 41 anos, e quando eu era criança eu sabia que, se estudasse e trabalhasse, eu ganharia dinheiro e teria uma vida boa. Hoje eles acham que podem ter dinheiro sem fazer nada&lt;/em&gt;.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Provavelmente muitos dos adolescentes sequer soubessem quem era Mark Duggan e por que os protestos começaram. Mas alguma coisa os tirou de suas casas para que fossem às ruas em uma tentativa de chamar a atenção e saquear. A explicação simplista da vendedora de uma loja que não quis se identificar de que são apenas criminosos “procurando confusão” não convence. “Ninguém é pobre neste país”, reforça o segurança do estabelecimento. Mas então por que tanta gente teria essa índole supostamente má em um mesmo lugar ao mesmo tempo? É sinal de que alguma coisa não vai bem na terra da rainha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Smith, falta educação, disciplina e valores, o que faz com que as crianças não entendam quando estão indo muito longe e ultrapassam os limites. Mas enfatiza que a questão não é racial, embora Mark Duggan fosse negro e há suspeita de que tenha sido assassinato por preconceito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele diz que o problema vem de uma ou duas décadas atrás e reside na diferença de classes, muito marcada na Inglaterra, e incentivada pela mídia. “&lt;em&gt;A TV, a música, tudo influencia para fazer de você quem você é. A TV diz o que você tem que vestir. As crianças querem roupas legais, tênis, celulares. E quando elas não têm as coisas elas ficam frustradas&lt;/em&gt;.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O único policial que aceitou dar algumas informações – eles estão proibidos de falar com a imprensa – estava no bairro de Chalk Farm, no norte de Londres, onde algumas poucas lojas tiveram as vitrines quebradas e alguns de seus artigos roubados segunda-feira (8) à noite. Para Gary Cooper, o termo “riots”, em português “manifestações” ou “distúrbios”, que está sendo utilizado nos meios de comunicação, não se aplica à maioria dos grupos. “São só ladrões. Não estão protestando por nada, só roubando”, disse. Ali, em poucos minutos a confusão foi dissipada. Não houve fogo nem violência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que os acontecimentos coincidem com o momento em que &lt;strong&gt;a Inglaterra vive sua maior crise nos últimos 50 anos&lt;/strong&gt; – quem faz a afirmação é o prefeito de Londres, Boris Johnson, também do Partido Conservador, em artigo na edição de terça-feira (9) do jornal &lt;em&gt;Evening Standard&lt;/em&gt;, distribuído gratuita e massivamente todas as tardes nas estações de metrô. &lt;strong&gt;E, em momentos de crise, quem costuma sentir as consequências são os mais pobres, através da redução de benefícios sociais e do desemprego&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ficar em poucos exemplos, este ano &lt;strong&gt;o governo do conservador David Cameron cortou bolsas de estudos nas extremamente caras universidades britânicas, ao mesmo tempo em que o valor das anuidades subiu&lt;/strong&gt;. As restrições para o trabalho de imigrantes estão cada vez maiores, em um país em cuja capital se ouve quase mais línguas estrangeiras do que inglês nas ruas. Ainda que a maioria não tenha consciência do que gera a insatisfação, ela existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o governo, ancorado nos meios de comunicação, não parece muito interessado em procurar explicações. Tem colunista de jornal até citando o filósofo &lt;strong&gt;Thomas Hobbes&lt;/strong&gt; e seu &lt;strong&gt;estado de natureza&lt;/strong&gt; para explicar o caos nas ruas inglesas, como se o problema residisse no excesso de liberdade e a solução estivesse em um governo forte, capaz de decidir por todos. Colocar 16 mil policiais nas ruas foi a única resposta do primeiro-ministro, enquanto afirmava que enfrentaria os criminosos com mãos de ferro, com frases que deixariam os defensores de direitos humanos de cabelo em pé, como estas: “&lt;em&gt;Vocês vão sentir toda a força da lei. Se você tem idade suficiente para cometer crimes, você tem idade suficiente para encarar a punição&lt;/em&gt;”. &lt;strong&gt;Desta forma, ele joga toda a responsabilidade para os jovens e busca não refletir sobre por que a sociedade tem crianças e adolescentes que cometem esses atos&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A força policial de fato encerrou os protestos, e agora os londrinos dormem tranquilos. Garantir o metrô e os ônibus funcionando e as ruas em aparente tranquilidade parece o suficiente para Cameron. Já são &lt;strong&gt;mais de 1.100 pessoas presas na Inglaterra, 805 só em Londres&lt;/strong&gt;, e assim parece que o problema foi solucionado. De fato, para quem trata uma manifestação social dessa magnitude como “criminalidade, pura e simples”, basta encerrar os ataques que a noite de sono tranquilo está garantida. Mas as pessoas continuam lá, o desemprego aumenta, a crise corrói.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora a situação está sob controle na Inglaterra, e a rainha pode ficar aliviada. David Cameron passou por um difícil teste ao controlar a violência, mas só o fato de ela ter começado e de ter atingido a proporção que atingiu já é suficientemente significativo de que o país não está navegando em mares tão calmos e sob controle. &lt;strong&gt;Resta saber se agora os olhos vão se abrir e gerar alguma reação política efetiva para a vida dos cidadãos e cidadãs ou se o governo vai continuar fingindo que não aconteceu nada além de incêndios, roubos e três mortes sem causa e sem importância social&lt;/strong&gt;. Se tratar como um sangramento já estancado, ele vai voltar a abrir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7464382869741743996?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7464382869741743996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/cris-rodrigues-especial-para-carta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7464382869741743996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7464382869741743996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/cris-rodrigues-especial-para-carta.html' title='Cris Rodrigues - Especial para a Carta Maior'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-gKkKzTW5klg/TkQYMaYq8LI/AAAAAAAAB34/N2SozJFHOvA/s72-c/cartamaior.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7760760038417978856</id><published>2011-08-11T14:40:00.000-03:00</published><updated>2011-08-11T14:40:38.420-03:00</updated><title type='text'>Tariq Ali</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Londres: por que aqui, por que agora?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Por que são sempre as mesmas áreas que se insurgem primeiro, o que quer que seja a causa? Pura coincidência? Estará relacionado com a raça, a classe, a pobreza institucionalizada e a tristeza da vida difícil do dia-a-dia? Não importa o Partido, não importa a cor de pele do deputado, eles reproduzem sempre os mesmos clichês. O artigo é de Tariq Ali. Tradução de Rodrigo Rivera.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte:&amp;nbsp;Carta Maior&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_2KVXEerAP0/TkQTvIk2Q9I/AAAAAAAAB30/gqeo48LjNAo/s1600/Londres-incendio-tienda-2011-reuters.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-_2KVXEerAP0/TkQTvIk2Q9I/AAAAAAAAB30/gqeo48LjNAo/s1600/Londres-incendio-tienda-2011-reuters.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Os políticos da coligação (incluindo o &lt;em&gt;New Labour&lt;/em&gt;, que provavelmente se juntará a um “governo de salvação” se a recessão continuar) com as suas ideologias petrificadas não podem dizê-lo porque os três partidos continuam igualmente responsáveis pela crise. Eles criaram esta confusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles privilegiam os ricos. Querem que fique claro que juízes e magistrados devem dar o exemplo, punindo severamente jovens apanhados com saques. No entanto, nunca questionaram seriamente o fato de não haver acusações às mais de mil mortes de cidadãos sob custódia policial, desde 1990. &lt;strong&gt;Não importa o Partido, não importa a cor de pele do deputado, eles reproduzem sempre os mesmos clichês&lt;/strong&gt;. Sim, sabemos todos que a violência nas ruas de Londres é má. Sim, sabemos que pilhar lojas não é correto. Mas porquê agora? Por que isso não aconteceu o ano passado? Porque as resistências às injustiças crescem com o tempo, porque quando o sistema provoca a morte de um jovem cidadão negro de uma comunidade pobre, em simultâneo, mesmo que inconscientemente, provoca uma resposta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E as coisas podem piorar se os políticos e a elite financeira, com o apoio dos meios de comunicação públicos e os de Murdoch, falham na retomada econômica e decidem punir os pobres e os precários pelas políticas que eles próprios aplicaram nas três últimas décadas. Desumanizar o “inimigo”, em casa ou no estrangeiro, criando o medo e a prisão sem julgamento digno é uma estratégia que não pode funcionar para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Se houvesse um partido de oposição sério neste país, estaria reivindicando o desmantelamento deste sistema neoliberal com pilares instáveis antes que ele desmorone por si e afete ainda mais gente&lt;/strong&gt;. Por toda a Europa, &lt;strong&gt;as diferenças que separavam o centro-direita do centro-esquerda, que separavam os conservadores dos sociais-democratas, desapareceram&lt;/strong&gt;. A fusão entre políticas oficiais dos partidos confundem propositadamente os segmentos mais desfavorecidos do eleitorado, a maioria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os &lt;strong&gt;jovens negros desempregados ou semi-empregados&lt;/strong&gt; de Tottenham, Hackney, Enfield e Brixton &lt;strong&gt;sabem perfeitamente que o sistema está a atacá-los&lt;/strong&gt;. O zurrar dos políticos não tem real impacto na maior parte das pessoas, quanto mais naquelas que atiçam o fogo nas ruas de Londres. Os fogos vão ser apagados. Haverá uma espécie de inquérito patético ou algo semelhante para investigar as razões do assassinato de Mark Duggan, remorsos serão expressos, haverá flores da polícia no funeral. Os manifestantes detidos serão punidos e todos terão uma sensação de alívio e continuarão com a sua vida, até que isto tudo volte a acontecer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7760760038417978856?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7760760038417978856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/tariq-ali.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7760760038417978856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7760760038417978856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/tariq-ali.html' title='Tariq Ali'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_2KVXEerAP0/TkQTvIk2Q9I/AAAAAAAAB30/gqeo48LjNAo/s72-c/Londres-incendio-tienda-2011-reuters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6508775033559690342</id><published>2011-08-01T15:08:00.001-03:00</published><updated>2011-08-01T15:28:07.969-03:00</updated><title type='text'>Michael Hudson</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A emboscada de Obama contra os direitos sociais&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ekOywwlBkok/Tjbrl2wOkjI/AAAAAAAAB3k/q1fLF_UQ3bM/s1600/obama.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-ekOywwlBkok/Tjbrl2wOkjI/AAAAAAAAB3k/q1fLF_UQ3bM/s1600/obama.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Wall Street sabe que para ter votos suficientes no Congresso para destruir o New Deal, o Social Security, o Medicare e o Medicaid, é preciso ter um presidente democrata no comando. Um congresso democrata bloquearia qualquer tentativa republicana de fazer o tipo de corte que Obama está propondo. Mas a oposição democrática fica paralisada quando o próprio presidente Obama – o presidente liberal por excelência, o Tony Blair americano – age como o chefe de torcida para cortar direitos e outros gastos sociais. O artigo é de Michael Hudson, publicado no New Economic Perspectives.&amp;nbsp;Tradução: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você sabe que a outra face da dívida está tão melodramaticamente encenada como uma exibição da Federação Mundial de Luta-Livre quando Obama faz a sua flagrantemente vazia ameaça ao Congresso, de que se não “&lt;em&gt;atacar os desafios mais difíceis dos direitos sociais e da reforma tributária&lt;/em&gt;” não haverá dinheiro para pagar o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; no próximo mês. Nessa fala sobre o déficit, na noite de 25 de julho, ele ameaçou que “&lt;em&gt;se nos declararmos inadimplentes, não teremos dinheiro suficiente para pagar todas as nossas contas – as quais incluem os pagamentos mensais do &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt;, as pensões dos veteranos de guerra e os contratos do governo que assinamos com milhares de empresas&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não é verdade nem de longe. Mas se tornou o tema mais assustador há mais de uma semana, desde que o presidente usou quase as mesmas palavras nas suas entrevistas ao âncora do jornal da noite da CBS, Scott Pelley.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que o governo terá dinheiro suficiente para pagar o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; mensalmente. A administração do &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; tem seus próprios fundos – nas contas do Tesouro. Eu entendo que advogados (como Obama e na verdade a maior parte dos presidentes americanos) raramente entendem de economia. Mas esta é uma questão legal. Obama certamente deve saber que o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; é solvente, com ativos líquidos para pagá-lo por muitas décadas vindouras. Ainda assim, Obama pôs o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; lá no topo da lista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A explicação mais razoável para essa ameaça vazia é que ele está tentando causar pânico nos idosos, na expectativa de que de alguma maneira a negociação do orçamento pareça ser sacada de sua manga para salvá-los. A realidade, claro, é que eles estão sendo levados para o abate. (E nem uma palavra corretiva lembrando ao presidente a realidade financeira, por parte do secretário da rubineconomia &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, secretário do Tesouro Geithner, do neoliberal presidente do Federal Reserve, Bernanke, ou qualquer outro na administração democrata de Wall Street, conhecida como Conselho de Lideranças Democrata).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um engodo. Obama chegou a enterrar o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Medicare&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Medicaid&lt;/strong&gt;, não para salvá-los, mas para matá-los. Isso estava claro desde o começo dessa administração, quando ele designou sua Comissão para Redução do Déficit, liderada pelos inimigos confessos do &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt;, como o senador do Wisconsin, Alan Simpson e Erskin Bowles, outro nome da rubineconomia, da administração Clinton. As mais recentes escolhas de Obama, de republicanos e de democratas conservadores para serem delegados no Congresso a fim de reescreverem o código tributário num jogo bipartidário – para evitar sua rejeição – não passa de uma manobra para aprovar uma "reforma" fiscal impossível de aprovar por representantes democraticamente eleitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O diabo sempre está nos detalhes. E os lobistas de Wall Street sempre têm esses detalhes bem dobrados em suas pastas para pô-los à disposição dos seus representantes no Congresso e dos senadores dedicados. E neste caso eles têm o presidente, que tem aceitado seus conselhos ao ponto de convidar para fazerem parte de seu gabinete e agirem com factoides para capturar o governo em seu benefício e assim criarem o “socialismo para os ricos”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há tal coisa, é claro. Quando os governos são dos ricos, a isso se chama oligarquia. &lt;strong&gt;Os diálogos de Platão deixam claro que, em vez de se tomar as sociedades como democracias ou oligarquias, era melhor observá-las em movimento. As democracias tendem a polarizarem economicamente (sobretudo entre credores e devedores) até se tornarem oligarquias. Estas, por sua vez, tendem a se tornarem aristocracias hereditárias.&lt;/strong&gt; No tempo, famílias dominantes vão lutar entre si, e um grupo (como os Kleisthenes em Atenas em 507 a.C.) levaria “o povo para dentro da festa” e criaria uma democracia. E assim o triângulo eterno da política seguiria adiante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso o que está se passando hoje. Em vez de aproveitar o que a Era Progressista antecipou – uma evolução na direção do socialismo, com o governo fornecendo a infraestrutura básica e outras necessidades com subsídio -, estamos vendo um lapso temporal de volta ao neofeudalismo. A diferença, claro, é que esse tempo para a sociedade não é controlado por garras militares no território. Hoje a finança obtém o que a força militar fazia em tempos passados. Em vez de amarrados à terra sob o feudalismo, hoje as famílias podem viver onde quer que queiram – contanto que levem uma vida inteira para pagar a hipoteca ou qualquer casa que venham a comprar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E em vez da sociedade pagar tributos pelo uso da terra a conquistadores, paga aos banqueiros. Assim como o acesso à terra era precondição para as famílias se sustentarem durante o feudalismo, precisa-se ter crédito, para água, assistência médica, pensões ou &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; e outras necessidades básicas, hoje em dia – e deve-se pagar juros, recompensar e monopolizar a renda para a oligarquia neofeudal que agora fazendo das suas, dos EUA a Irlanda e Grécia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo dos EUA gastou 13 trilhões de dólares em resgates financeiros, desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Mas Obama alerta que, de trinta anos para cá, o fundo de ativos que financia o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt; gerou um déficit de 1 trilhão de dólares. É para evitar isso que ele pede com urgência o desmantelo dos programas sociais para arcar com aqueles pagamentos, agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que os 13 trilhões usados eram todo o dinheiro que o governo verdadeiramente tem. Os bancos e as empresas de Wall Street pegaram o dinheiro e se foram. Não há o suficiente para pagar o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Medicare&lt;/strong&gt; ou outro gasto social que os democratas conservadores e os republicanos planejam cortar, agora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tão rápido. O plano será “mascarar” a crise atual, reduzindo os planos à “Comissão para a Redução do Déficit #2”, nomeada pelos membros do Congresso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, temos a “mudança em que podemos acreditar”. A mudança real é sempre surpreendente, afinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A falsa crise&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitas vezes é necessário uma crise para criar um vácuo que alimenta esses detalhes tóxicos. Está claro que Wall Street não gosta de crises reais – exceto aquelas que fazem os computadores gerarem rápidos ganhos especulativos na fibrilação atual do ziguezague dos mercados. Mas &lt;strong&gt;quando o assunto é dinheiro vivo, a ilusão de uma crise tem preferência, elevada melodramaticamente ao estágio que mobilize emocionalmente ao máximo a audiência&lt;/strong&gt;, tanto como um bom editor edita um plano sequência. O trem acelerado passará por cima da garota amarrada aos trilhos? Ela escapará a tempo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trem é o débito; a garota é para ser tomada como a economia estadunidense. Mas ela se mostra nada mais que Wall Street disfarçada. O exercício vira uma comédia nem tão divina. Obama oferece um plano que parece bastante republicano. Mas os republicanos dizem não. Há uma ilusão de que uma luta real se passa. Eles acusam Obama de socialista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os democratas expressam choque com o desconforto de serem ameaçados. Muitos dizem “onde está o real Obama?”. Mas parece que o Obama real se tornou um republicano de Wall Street disfarçado, vestido com roupas democratas. É isso o que o Comitê de Líderes Republicanos é, basicamente: Democratas de Wall Street. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não é tanto um oximoro como pode parecer. Há uma razão por que os democratas pós-Clinton de hoje são partidários do desfazimento do que Franklin Delano Roosevelt e democratas de antanho defenderam. Um Senado democrata nunca deveria ceder aos constrangimentos impostos por Wall Street e trair sua constituição urbana, caso um presidente republicano propusesse o que Obama está lhes oferecendo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis o que o próximo candidato republicano pode dizer: “&lt;em&gt;Você sabe que o que quer que nós, republicanos, quisermos, Obama irá nos apoiar. Se você não quer uma política republicana, então vote em mim para presidente. Porque um Congresso democrata irá se opor a uma política republicana caso proponhamos essas medidas. Mas se Obama as propõe, o Congresso envelhecerá e não resistirá&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É a mesma história na Inglaterra, onde o &lt;strong&gt;Partido Trabalhista é convocado para terminar o trabalho que os conservadores começaram, mas precisam agora do Novo Trabalhismo para acalmar a oposição popular à privatização de rodovias e parcerias público-privadas na administração das linhas do metrô de Londres&lt;/strong&gt;. E é a mesma história na França, onde um governo socialista está dando apoio a programas de privatização ditados pelo Banco Central Europeu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Revisitando as falácias de sempre&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se encontra representantes dos governos e a mídia repetindo erros econômicos como um mantra incessante, sempre há um interesse especial em operação. O setor financeiro tem interesse específicos em desviar os passos dos eleitores, fazendo-os crer que a economia afundará numa crise se Wall Street não tiver o que pretende – frequentemente por meio da isenção de tributos e da sua desregulação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira falácia de Obama é a de que o orçamento do governo é como o da família. Famílias não emitem títulos da dívida e obrigam o resto do mundo a lidar com isso como dinheiro fosse. Só governos podem fazê-lo. É um privilégio que os bancos agora gostariam de ter – a capacidade de criar créditos livremente nos teclados de seus computadores e cobrar juros sobre o que é quase de graça e que os governos podem na verdade criar gratuitamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Hoje, todas as famílias sabem que uma pequena dívida de cartão de crédito é gerenciável. Mas se mantemos esse mesmo padrão, o crescimento de nossa dívida poderá nos custar empregos e causar um sério prejuízo à economia&lt;/em&gt;”. Mas economias necessitam do dinheiro do governo para crescer – e esse dinheiro é fornecido pela rolagem dos déficits orçamentários federais. Essa tem sido a essência do gasto anticíclico keynesiano por mais de meio século. Até hoje, essa era uma política do partido democrata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É verdade que o presidente Clinton operou um superávit orçamentário. A economia sobreviveu por conta do sistema bancário comercial, que supriu o crédito necessário para a economia crescer – à base de juros. Para forçar a economia a se fiar Wall Street em vez de no governo, o governo precisa parar de gerar déficits orçamentários. A economia então terá uma escolha: encolher rapidamente ou se transferir quase todo o superávit orçamentário aos bancos, enquanto a economia rende com base no privilégio da criação de crédito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obama também finge que as agências de classificação de crédito estão prontas para agirem como mascotes de seus clientes, a maior parte dos seguradores financeiros, ao fazerem toda a economia pagar taxas de juros cada vez mais altas em seus cartões de crédito e bancos. “&lt;em&gt;Pela primeira vez na história&lt;/em&gt;”, &lt;strong&gt;dissimula&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Obama&lt;/strong&gt;, “&lt;em&gt;nossa classificação com um triplo A estaria em queda, deixando os investidores ao redor do mundo a se perguntarem se os EUA ainda é uma boa aposta. As taxas de juros iriam disparar nos cartões de crédito, hipotecas e aluguéis de carros, o que implicaria uma grande alta de impostos sobre o povo americano&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que gerar um superávit orçamentário aumentaria as taxas de juros, porque forçaria a economia a ficar cativa do sistema bancário. A administração Obama agora está profundamente envolvida numa fase retórica orwelliana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante a fala de Obama, não pude deixar de sentir que tinha escutado aquilo antes. E então me lembrei quando. Em 2008, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse, para contrapor o argumento de Sheila Blair, de que todos os clientes do sistema estadunidense de seguros dos depósitos bancários (FDIC) poderiam frear a crise de setembro, com só os jogadores temerários perdendo ganhos que só poderiam esperar obter no seu sistema de crédito livre. “Se o sistema financeiro for autorizado a colapsar”, ele alertou, no seu discurso na Biblioteca Reagan, “é o povo americano que pagará o preço. Isso nunca se tratou de bancos, mas sempre de oportunidade e prosperidade continuada para todos os americanos”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mas é claro que se trata de bancos&lt;/strong&gt;. Wall Street sabe que para ter votos suficientes no Congresso para &lt;strong&gt;destruir o New Deal, o Social Security, o Medicare e o Medicaid&lt;/strong&gt;, é preciso ter um presidente democrata no comando. Um congresso democrata bloquearia qualquer tentativa republicana de fazer o tipo de corte que Obama está propondo. Mas a oposição democrática fica paralisada quando &lt;strong&gt;o próprio presidente Obama&lt;/strong&gt; – o presidente liberal por excelência, o Tony Blair americano – &lt;strong&gt;age como o chefe de torcida para cortar direitos e outros gastos sociais.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa maneira, assim como a City de London deu sustentação ao Partido Trabalhista inglês nas suas diretrizes, quando o Partido Conservador não poderia dar esses passos radicais, como privatizar as autoestradas e o metrô de Londres, e só os social democratas da Islândia puderam afundar a economia na vassalagem da dívida em relação a Inglaterra, a Holanda, e o Partido Socialista Grego está à frente da luta pela privatização e pelos resgates bancários, assim nos EUA o Partido Democrata está entregando sua base eleitoral – trabalho urbano, especialmente as minorias radicais e os pobres que são os mais injuriados pelo plano de austeridade de Obama – a Wall Street.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, Obama está fazendo o que qualquer bom demagogo faz: entregando seu eleitorado ao seus financiadores de campanha de Wall Street. Yves Smith chamou a isso de “a ida de Nixon a China ao contrário”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os republicanos retribuem sem pôr uma alternativa confiável na candidatura à sucessão presidencial. O efeito consiste em dar a Obama espaço para ele se mover à vontade para a direita do espectro político. Longe o suficiente dos seus democratas, que estão mais interessados em resgatar o &lt;strong&gt;Social Security&lt;/strong&gt;, não dos republicanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso se faz mais facilmente sob a pressão do pânico próximo. Isso funcionou depois de setembro de 2008 com o programa de resgate bancário (TARP), afinal de contas. O melodrama do resgate de Wall Street deveria ser visto como um ensaio geral para a atual não crise do teto da dívida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[1] Um neologismo corrente hoje nos EUA, derivado do todopoderoso Rubin, Secretário do Tesouro no governo Clinton, ex-executivo do ban co Goldman Sachs e homem chave na implementação das contra-reformas neoliberais nos EUA dos anos 90.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(*) Michael Hudson é ex-economista de Wall Street. Professor da Universidade do Missouri, Kansas City (UMKC), é autor de muitos livros, incluindo Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire (new ed., Pluto Press, 2002) and Trade, Development and Foreign Debt: A History of Theories of Polarization v. Convergence in the World Economy. Email: &lt;a href="mailto:mh@michael-hudson.com"&gt;mh@michael-hudson.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;[grifos do blog]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6508775033559690342?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6508775033559690342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/michael-hudson.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6508775033559690342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6508775033559690342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/08/michael-hudson.html' title='Michael Hudson'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ekOywwlBkok/Tjbrl2wOkjI/AAAAAAAAB3k/q1fLF_UQ3bM/s72-c/obama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-8864579672399458173</id><published>2011-07-25T21:12:00.001-03:00</published><updated>2011-07-25T21:18:39.603-03:00</updated><title type='text'>Mariangela Paone</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O mundo não mudou, mudaram os protestos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Há dez anos o movimento antiglobalização confrontou o G8 e teve um final trágico em Gênova. Das grandes marchas se passou à mobilização local. Seu espírito está nos "indignados" de Madri? A reportagem é de Mariangela Paone e publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 25-07-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma cidade sitiada, dividida em zonas de segurança, com uma área inexpugnável protegida por 20 mil policiais e soldados. Assim amanheceu Gênova em 20 de julho de 2001, e horas depois, enquanto se realizava a cúpula do G8, se consumou uma batalha urbana sem precedentes. A maior manifestação do &lt;strong&gt;movimento antiglobalização&lt;/strong&gt;, que reuniu mais de 150 mil pessoas, acabou com centenas de feridos nos distúrbios e nos ataques policiais e com uma vítima fatal: o jovem italiano &lt;strong&gt;Carlo Giuliani&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A violência daqueles dias marcou um antes e um depois naquela etapa de mobilizações maciças contra os grandes símbolos do sistema econômico internacional que começaram em Seattle em 1999. Uma década depois, o que resta do movimento que marcou uma geração e que parecia ter desaparecido depois de Gênova? Que relação há com a nova onda de protesto que atravessa a Europa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Eles&lt;/em&gt; [os representantes do G8] &lt;em&gt;modificaram sua encenação simbólica e prática nesse tipo de evento nas grandes capitais, nos centros onde se representava o poder. Em Gênova, com a cidade velha sitiada, parecia um conflito medieval. O movimento, por sua vez, se reconfigurou, depois da repressão aterrissou e rediscutiu muitas coisas. Defendeu baixar para o nível local, sempre mirando o global&lt;/em&gt;", conta o ativista espanhol &lt;strong&gt;Chabier Nogueras&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas palavras são quase as mesmas que &lt;strong&gt;Susan George&lt;/strong&gt; utiliza. Como vice-presidente da plataforma altermundista &lt;strong&gt;Attac&lt;/strong&gt; e presidente do comitê de planejamento do &lt;strong&gt;Instituto Transnacional de Amsterdã&lt;/strong&gt;, foi uma das referências do movimento e também esteve em Gênova naqueles dias: "&lt;em&gt;As coisas mudaram. Não houve mais manifestações imensas como aquela. Depois da morte de Carlo Giuliani, as pessoas começaram a pensar que era impossível se expor a essa violência. Começamos a trabalhar em grupos menores sobre assuntos específicos. Mas depois de Gênova o movimento não ficou mais frágil, só atuou de forma diferente. Menos mobilizações maciças, mas mais trabalho em profundidade sobre o comércio, o feminismo, a taxação de transações financeiras, a Europa e o neoliberalismo&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nogueras&lt;/strong&gt; experimentou na primeira pessoa a violência que se viveu em Gênova há dez anos. Havia chegado de Zaragoza à cidade italiana com um grupo do &lt;strong&gt;Movimento de Resistência Global&lt;/strong&gt;, e na noite de 21 para 22 de julho se encontrava na escola Diaz, um instituto onde muitos manifestantes se alojavam depois das marchas dos dias anteriores. Durante a noite a polícia irrompeu, atacou as pessoas que dormiam na escola e deteve dezenas delas. A decisão judicial do Tribunal de Apelação de Gênova que condenou os agentes que realizaram a operação inclui as consequências físicas que &lt;strong&gt;Nogueras&lt;/strong&gt; sofreu: traumatismo craniano, contusões em várias partes do corpo, lesão do perônio, lesões graves com 40 dias de baixa. "&lt;em&gt;O Ministério Público disse que o que ocorreu ali foi uma luta global&lt;/em&gt;", lembra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo &lt;strong&gt;Enara Echart&lt;/strong&gt;, pesquisadora do &lt;strong&gt;Instituto Universitário para o Desenvolvimento e a Cooperação&lt;/strong&gt;, da &lt;strong&gt;Universidade Complutense de Madri&lt;/strong&gt;, e autora de vários livros sobre os movimentos sociais e o movimento antiglobalização, é verdade que Gênova acabou com um ciclo. "&lt;em&gt;Houve um recuo para uma estratégia que dava maior importância à proposta que ao protesto. Não é que este desapareça, mas recua para o âmbito local. O movimento antiglobalização em longo prazo precisava encontrar núcleos de mobilização mais próprios de cada lugar&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de propostas concretas era uma das críticas mais frequentes que o movimento recebeu, a mesma que em certa medida se fez agora aos indignados. &lt;strong&gt;Echart&lt;/strong&gt; acredita que na época, assim como agora, a crítica se baseia em um erro: "&lt;em&gt;quando ocorrem mobilizações tão importantes, tenta-se pedir demais, enquanto os processos políticos são muito mais lentos. Os movimentos sociais, no momento em que se manifestam, já estão fazendo política... O bonito, o politicamente mais interessante do 15-M, é seu caráter transversal. Não se pode exigir deles um programa político, temos que deixar o processo ag&lt;/em&gt;ir". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comparação entre o movimento antiglobalização, em todas as suas expressões, e as manifestações que nos últimos meses chamaram a atenção da mídia deixa como resultado muitos paralelos, mas também diferenças. Uma é precisamente a transversalidade. "&lt;em&gt;Sociologicamente, o movimento dos indignados é mais transversal, e por isso os governos atuaram com mais prudência. Muita gente se reúne voluntariamente. Mas retomam muitas das questões que colocávamos, e sim há conexões internacionais, mas é verdade que não parte, como então, de um trabalho internacional&lt;/em&gt;", comenta &lt;strong&gt;Nogueras&lt;/strong&gt;. Ele pensa que se o 15-M é mais transversal também é porque, diante da crise econômica mundial, "&lt;strong&gt;os mesmos especialistas reconhecem que o modelo fracassou&lt;/strong&gt;" e é "&lt;em&gt;muito mais simples que&lt;/em&gt; &lt;em&gt;qualquer um compreenda&lt;/em&gt; &lt;em&gt;o que se diz&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que os indignados têm um apoio popular que o movimento antiglobalização não alcançou. Em seu último número, a revista "&lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt;", em um artigo sobre o movimento espanhol dos indignados, cita o estudo apresentado em junho pela Havas Media, que calcula o apoio popular em &lt;strong&gt;80%&lt;/strong&gt; dos cidadãos e define os indignados da Espanha como "&lt;em&gt;os manifestantes mais conscientizados da Europa&lt;/em&gt;": não atiram pedras, mas conseguem que suas demandas calem na sociedade, afirma o semanário, citando as declarações do candidato socialista Alfredo Pérez Rubalcaba a favor de uma reforma eleitoral e o debate sobre as hipotecas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Não houve lançamento de pedras nem de gás lacrimogêneo&lt;/em&gt;", escreveu "&lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt;" sobre a última manifestação de 19 de julho. Isso ocorreu em Seattle, em Gênova, em Gotemburgo, e as imagens de ações violentas de uma minoria conquistaram toda a atenção. Ações que até o momento foram alheias ao movimento dos indignados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Mas o que acontecerá se as demandas dos novos protestos não forem atendidas&lt;/em&gt;?", pergunta-se &lt;strong&gt;Aitor&lt;/strong&gt;, um dos espanhóis que sofreu o ataque à escola Diaz em 2001 e que agora participa dos protestos contra os despejos. "&lt;em&gt;É verdade que se faz questão de manter o protesto em algumas estratégias concretas, na ação direta não violenta. Mas se gerarem situações de tensão é mais difícil saber o que pode acontecer&lt;/em&gt;", diz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vittorio Agnoletto&lt;/strong&gt; foi o porta-voz do &lt;strong&gt;Fórum Social&lt;/strong&gt; durante as jornadas de Gênova em 2001. Sobre o que aconteceu naqueles dias, não acredita que por parte do movimento haja algo a censurar -- "&lt;em&gt;fizemos tudo de forma transparente e fomos vítimas de uma repressão decidida internacionalmente&lt;/em&gt;", afirma --, mas diz que, se houve equívocos no movimento, foi "&lt;em&gt;o erro político, estratégico, de não ter conseguido traduzir as grandes campanhas em questões da vida cotidiana que afetam as pessoas. Mas em Gênova foi semeado um germe cujo resultado colhemos na Itália há algumas semanas, com o referendo que rejeitou a privatização da água e da energia nuclear&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Tínhamos razão quando falamos que o modelo de desenvolvimento ameaçava a biosfera, quando dizíamos que íamos enfrentar uma crise econômica gravíssima, com graves consequências sociais. Agora a situação é muito pior que dez anos atrás. Nestes dias organizamos uma exposição em Gênova sob o título de Cassandra, o movimento previu através da análise o que aconteceria, mas não conseguiu mudar o curso da história&lt;/em&gt;", diz &lt;strong&gt;Agnoletto&lt;/strong&gt;, que hoje estará na cidade italiana para as comemorações do décimo aniversário daquela mobilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nogueras&lt;/strong&gt; também estará em Gênova, junto com sua companheira, que dentro de alguns meses o tornará pai. Para falar do que aconteceu, para que não se perca a memória do que a &lt;strong&gt;Anistia Internacional&lt;/strong&gt; definiu em 2001 como "&lt;em&gt;a mais grave suspensão dos direitos democráticos em um país ocidental depois da Segunda Guerra Mundial&lt;/em&gt;". Foi antes do 11 de Setembro. O que veio depois chegou a superar os trágicos dias de Gênova.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2009, no prólogo da nova edição do livro de culto do movimento, "&lt;strong&gt;No Logo&lt;/strong&gt;", sua autora, &lt;strong&gt;Naomi Klein&lt;/strong&gt;, refletia dez anos depois da publicação de seu texto sobre o destino do movimento. "&lt;em&gt;Em algumas partes do mundo, em particular na América Latina, a onda de resistência se desenvolveu e reforçou. Em alguns países os movimentos sociais cresceram o suficiente para se unir aos partidos políticos, ganhando eleições nacionais e estabelecendo um novo regime regional de comércio justo. Mas em outros lugares o movimento desapareceu com o 11 de Setembro. Como se o que sabíamos sobre a complexidade do corporativismo global - que todas as injustiças do mundo não podem ser atribuídas só a&lt;/em&gt; &lt;em&gt;um partido de direita, a um Estado, independentemente&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de seu poder - tivesse desaparecido&lt;/em&gt;." "&lt;em&gt;Mas se há um momento para lembrar o que aprendemos no início do milênio&lt;/em&gt; &lt;em&gt;é agora&lt;/em&gt;", acrescenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fatos do altermundismo&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O começo em &lt;strong&gt;Seattle&lt;/strong&gt;. Em 30 de novembro de &lt;strong&gt;1999&lt;/strong&gt;, um grupo de manifestantes bloqueou a entrada dos delegados da cúpula da &lt;strong&gt;Organização Mundial do Comércio&lt;/strong&gt; na cidade americana. O protesto continuou durante os quatro dias da cúpula.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dos EUA para a Europa. Em abril de &lt;strong&gt;2000&lt;/strong&gt; em &lt;strong&gt;Washington&lt;/strong&gt;, cerca de 3 mil pessoas tentaram abortar uma cúpula do &lt;strong&gt;Banco Mundial e do FMI&lt;/strong&gt;. Em setembro, 10 mil manifestantes se mobilizaram em &lt;strong&gt;Praga&lt;/strong&gt; contra as mesmas instituições. No dia 23 se organizou um encontro entre representantes do movimento e do Banco Mundial, graças à mediação do presidente checo Vaclav Havel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A época dos fóruns sociais. Em janeiro de &lt;strong&gt;2001 &lt;/strong&gt;em Porto Alegre foi organizada a primeira contracúpula, enquanto em Davos se reunia o &lt;strong&gt;Fórum Econômico Mundial&lt;/strong&gt;. As primeiras três edições foram na cidade brasileira. Depois vieram Mumbai, Caracas, Nairóbi, Belém e Dacar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A batalha de Gênova. Em julho de &lt;strong&gt;2001&lt;/strong&gt;, por motivo do G8, a cidade italiana recebeu mais de 150 mil pessoas. O que seria uma marcha pacífica terminou com a morte do jovem de 23 anos &lt;strong&gt;Carlo Giuliani&lt;/strong&gt; e centenas de feridos. A cidade foi um campo de batalha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-8864579672399458173?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/8864579672399458173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/mariangela-paone.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8864579672399458173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8864579672399458173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/mariangela-paone.html' title='Mariangela Paone'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7570146083203693082</id><published>2011-07-25T20:26:00.000-03:00</published><updated>2011-07-25T20:26:13.716-03:00</updated><title type='text'>Paul Krugman</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Podemos estar perto de reviver a crise de 1930"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HB8Aq-RJZZQ/Ti34KykCH0I/AAAAAAAAB3c/B_2GQdEVllQ/s1600/crise30.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="218px" src="http://2.bp.blogspot.com/-HB8Aq-RJZZQ/Ti34KykCH0I/AAAAAAAAB3c/B_2GQdEVllQ/s320/crise30.jpg" t$="true" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava. O artigo é de Paul Krugman, publicado no SinPermiso. Tradução: Katarina Peixoto Krugman é professor de Economía em Princeton e Prêmio Nobel 2008.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de &lt;em&gt;Depressão Menor&lt;/em&gt;, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a &lt;em&gt;Grande Recessão de 2007&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;2009&lt;/em&gt; e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;De modo que temos hoje economias deprimidas&lt;/strong&gt;. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, &lt;strong&gt;53%&lt;/strong&gt; dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente &lt;strong&gt;7%&lt;/strong&gt; mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na quinta-feira, os “chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit “em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor “antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países “com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a &lt;em&gt;Grande Depressão&lt;/em&gt;. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: “&lt;em&gt;Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo&lt;/em&gt;”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando &lt;strong&gt;as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história&lt;/strong&gt;. E a &lt;em&gt;Depressão Menor&lt;/em&gt; continua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(grifos do blog)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7570146083203693082?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7570146083203693082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/paul-krugman.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7570146083203693082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7570146083203693082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/paul-krugman.html' title='Paul Krugman'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HB8Aq-RJZZQ/Ti34KykCH0I/AAAAAAAAB3c/B_2GQdEVllQ/s72-c/crise30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3467452923485547030</id><published>2011-07-18T22:02:00.002-03:00</published><updated>2011-07-18T22:08:30.052-03:00</updated><title type='text'>Ruy Castro</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Contra papai e mamãe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4uqyju0pcvg/TiTYwIjO2EI/AAAAAAAAB3Y/zmC78O7QqTE/s1600/ruycastro.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-4uqyju0pcvg/TiTYwIjO2EI/AAAAAAAAB3Y/zmC78O7QqTE/s1600/ruycastro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo de Ruy Castro (foto) &amp;nbsp;publicado na Folha de São Paulo, 18/07/2011.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Folha de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Theodore Roszak, o inventor da palavra "contracultura", morreu outro dia na Califórnia, aos 77 anos. Era um historiador, um observador social, um pensador multidisciplinar. Mas só será lembrado por seu livro de 1968, "A Contracultura", em que cunhou a expressão e tentou dar um sentido a tudo que envolvia a juventude naquela época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que não era pouco. De repente, milhões de rapazes e moças em toda parte se levantaram contra o "sistema" -leia-se o governo, os políticos, a Guerra do Vietnã, as ditaduras militares, os professores, a autoridade em geral, a moral estabelecida, a sociedade de consumo, a arte "bem-feita", o barbeiro do bairro, os maiores de 30 anos ou, à falta de melhor, papai e mamãe. Mas não significava que todos protestassem contra as mesmas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A contracultura foi a passagem do primado da razão (que levou uma parte ultrapolitizada da juventude a lutar contra as ditaduras, as desigualdades sociais, o sistema universitário, a censura etc.) ao primado da não razão (que fez com que outra parte preferisse "cair fora" das cidades e ir queimar fumo, tomar ácido, fazer filhos, plantar coquinhos, catar piolhos e ouvir Jimi Hendrix no meio do mato).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante algum tempo, pareceu que a segunda facção -a dos hippies, drop-outs, psicodélicos, místicos, ocultistas e alienados em geral- iria prevalecer. Prometia-se um novo homem, sem os velhos defeitos. Até que, naturalmente, o "sistema" absorveu esse antirracionalismo, converteu-o em produtos e serviços, e o pôs à venda. A contracultura se tornou a nova cultura, e tão careta quanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roszak nunca aceitou bem essa conclusão. Para ele, os ecos da contracultura estão entre nós até hoje -na informalidade ao vestir, na comida mais saudável, na ecologia, nos direitos humanos. Tudo bem. Mas o novo homem não veio, só mudaram os defeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3467452923485547030?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3467452923485547030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/ruy-castro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3467452923485547030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3467452923485547030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/ruy-castro.html' title='Ruy Castro'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4uqyju0pcvg/TiTYwIjO2EI/AAAAAAAAB3Y/zmC78O7QqTE/s72-c/ruycastro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6246433988888227611</id><published>2011-07-17T22:29:00.000-03:00</published><updated>2011-07-17T22:29:17.662-03:00</updated><title type='text'>Estado espanhol: o movimento dos ''indignad@s'' e suas perspectivas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Além das particularidades de cada país, aquilo que passa tanto no Estado espanhol como na Grécia, depois da irrupção das revoltas no mundo árabe, terá repercussões em todo o continente. Daqui resulta a importância de analisar em profundidade a realidade e o potencial destas grandes mobilizações. Esther Vivas e Josep Maria Antentas nos dão aqui sua opinião sobre o significado do movimento dos “indignad@s”.&amp;nbsp; A entrevista é de Jean-Philippe Divès para o periódico Tout est à Nous e nos foi enviada por Esther Vivas. A tradução é de Benno DIschinger.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QdUbq5Nq6YI/TiOMXt-e9gI/AAAAAAAAB3U/cEhHnfhc8xI/s1600/indignados.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240px" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-QdUbq5Nq6YI/TiOMXt-e9gI/AAAAAAAAB3U/cEhHnfhc8xI/s320/indignados.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como definiria as características centrais deste movimento?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Josep Maria&lt;/strong&gt;: O movimento começou absolutamente por surpresa. As manifestações de 15 de maio (&lt;strong&gt;15M&lt;/strong&gt;) foram muito maiores do que o esperado e a arrancada dos acampamentos foi espontânea. Desde o começo da crise a reação social havia sido muito débil. Finalmente tudo estalou de forma inesperada, “intempestiva”, como diria Daniel Bensaïd. E, como quase sempre que começa um grande movimento social, este se fez com a juventude como protagonista em sua fase inicial, e com formas de protesto inovadoras e disruptivas. Expressa no mínimo a radicalização social mais importante desde faz mais de dez anos, quando emergiu o movimento antiglobalização, embora atualmente, em plena crise, a profundidade social e territorial do movimento seja maior. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Esther Vivas&lt;/strong&gt;: O movimento de &lt;strong&gt;15 de maio&lt;/strong&gt; tem um duplo eixo de crítica. Por um lado, a classe política e, pelo outro, os poderes econômicos e financeiros, como bem resume o lema “&lt;strong&gt;Não somos mercadorias em mãos de políticos e banqueiros&lt;/strong&gt;”. As revoltas no mundo árabe tem sido um referencial e assim o põem de manifesto as ocupações de praças e os acampamentos, tomando como exemplo, entre outros, a &lt;strong&gt;Plaza Tahrir&lt;/strong&gt;. Estas têm sido um palanque para impulsionar futuras mobilizações e um alto-falante para amplificar as atuais. Atuaram como referencial simbólico e como base de operações e não têm sido um fim em si mesmas. A internet e as redes sociais, Twitter e Facebook, desempenharam um papel-chave como espaço de discussão, de politização e de formação de uma identidade e um acervo compartilhado, além de serem um instrumento a serviço da mobilização social. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Do exterior se tem a impressão de que a ruptura com o movimento operário organizado, sindicatos e partidos, é ainda mais importante do que na Grécia... O que se passou com os sindicatos depois da longa greve geral de 29 de setembro do ano passado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Esther Vivas&lt;/strong&gt;: Depois da greve geral de &lt;strong&gt;29 de setembro&lt;/strong&gt; os sindicatos majoritários voltaram à sua prática habitual de desmobilização. A greve geral foi um parêntesis no tempo e não significou uma mudança de orientação. Em janeiro, CCOO e UGT e o Governo firmaram o acordo sobre a reforma das pensões, que aumentava os anos de cotização para cobrar a pensão. Isto encerrou brutalmente qualquer expectativa de mobilização social. Os sindicatos majoritários ficaram desconcertados por um movimento que não previam e que os interpela. Agora está por ser vista sua reação e se o movimento será suficientemente forte para forçar algum tipo de virada de sua parte. Em muitos acampamentos, como o de Barcelona, saiu claramente a petição de uma greve geral e também a vontade de “&lt;strong&gt;levar a indignação aos centros de trabalho&lt;/strong&gt;”, onde ainda há muito medo e resignação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Josep Maria&lt;/strong&gt;: O movimento expressa uma recusa frontal às políticas do governo Zapatero. Esquerda Unida manifestou suas simpatias pelos protestos, mas em geral tem sido muito exterior aos mesmos, sem um vínculo militante real. A esquerda extra-parlamentar e alguns sindicatos alternativos estiveram, sim, presentes no movimento, junto com uma multidão de pessoas não organizadas ou em coletivos sociais. Os setores em luta, como os trabalhadores da saúde na Catalunha, mobilizados contra os cortes, tiveram também um papel ativo e visível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Com o desenvolvimento da mobilização, há um avanço nas reivindicações e no nível de consciência? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Esther Vivas&lt;/strong&gt;: A jornada de mobilizações de 19 de junho (&lt;strong&gt;19J&lt;/strong&gt;) mostrou como o movimento se deslocava da esquerda e se aprofundava em suas reivindicações. Alguns dos slogans mais correntes em muitas das manifestações foram as críticas dirigidas ao &lt;strong&gt;Pacto do Euro&lt;/strong&gt;, contra os cortes sociais, contra os bancos e também a demanda de uma greve geral. Observa-se um ambiente de radicalização, embora de maneira imprecisa e difusa, em clamores como “&lt;strong&gt;a revolução começa aqui&lt;/strong&gt;”, contada em muitos acampamentos. Outro movimento-chave de radicalização política foi a jornada de &lt;strong&gt;15 de junho&lt;/strong&gt;, quando em Barcelona se tentou bloquear o Parlamento da Catalunha, durante o debate parlamentar dos pressupostos do Governo catalão e onde se propunham os cortes sociais mais importantes desde a democracia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Josep Maria&lt;/strong&gt;: O movimento, desde seu começo, tem passado por várias provas que lhe permitiram amadurecer e aprofundar-se em seu discurso, como por exemplo, a vitória ante o intento de desalojamento em Barcelona no passado dia 27 de maio, ou a criminalização sofrida após o bloqueio ao Parlamento da Catalunha aos 15 de junho. A denúncia e a utilização do déficit como uma excusa para cortar direitos está presente na política do movimento. No caso da Catalunha, por exemplo, o rechaço aos pressupostos do Governo catalão, que incluem fortes cortes na saúde e educação, tem sido um dos aspectos-chave do movimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Na opinião de vocês, o que vai permanecer deste movimento? Há possibilidades que subsistam formas de estruturação mais permanentes? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Esther Vivas&lt;/strong&gt;: A partir dos primeiros acampamentos e ocupações de praças em grandes cidades, o exemplo se estendeu a cidades médias e pequenas, bem como aos bairros das grandes urbes. Também se estabeleceram coordenações de assembléias de povoados e bairros. E elas constituem, de fato, alguns dos principais êxitos do movimento. Esperamos um outono quente com novas mobilizações, como a jornada do &lt;strong&gt;15 de outubro&lt;/strong&gt;, e com lutas concretas frente aos cortes sociais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Josep Maria&lt;/strong&gt;: Não estamos ante um movimento conjuntural, senão ante a ponta do iceberg de uma previsível nova onda de mobilizações. O &lt;strong&gt;15M&lt;/strong&gt; e os acampamentos têm sido a primeira sacudida e atuaram como lançadeira. Nestas semanas, o movimento se ampliou, diversificando-se social e geracionalmente, e se arraigou territorialmente. O êxito da jornada de manifestações do &lt;strong&gt;19J&lt;/strong&gt; mostrou-o claramente. Em menos de um mês o crescimento quantitativo e qualitativo tem sido muito grande. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Qual é o impacto sobre o panorama político no Estado espanhol? Significa ou pode provocar importantes mudanças?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Josep Maria&lt;/strong&gt;: O movimento surgido com o &lt;strong&gt;15M&lt;/strong&gt; teve um forte impacto na opinião pública e desfrutou de uma grande centralidade midiática. Ninguém esperava o enorme êxito do &lt;strong&gt;15M &lt;/strong&gt;e menos ainda o que viria depois. Tem sido umas semanas que mudaram a paisagem político-social do conjunto do Estado espanhol. Elas são uma mostra do rechaço das políticas aplicadas pelo Governo Zapatero e também um sinal muito claro para a direita, que aspira a ganhar as próximas eleições gerais, de que vai encontrar-se com um panorama de agitação social quando chegar ao poder. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Esther Vivas&lt;/strong&gt;: Estas mobilizações significam, sem dúvida, um ponto de inflexão e o início de uma nova etapa. Muitas pessoas têm dito que “&lt;strong&gt;nada será como antes&lt;/strong&gt;”, e assim é. O movimento conseguiu pôr fim à passividade resignada e ao desânimo que até agora imperava. O presente nos abriu uma brecha de esperança no futuro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6246433988888227611?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6246433988888227611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/estado-espanhol-o-movimento-dos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6246433988888227611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6246433988888227611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/estado-espanhol-o-movimento-dos.html' title='Estado espanhol: o movimento dos &apos;&apos;indignad@s&apos;&apos; e suas perspectivas'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-QdUbq5Nq6YI/TiOMXt-e9gI/AAAAAAAAB3U/cEhHnfhc8xI/s72-c/indignados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-357247088375335584</id><published>2011-07-17T22:08:00.002-03:00</published><updated>2011-07-17T22:12:54.911-03:00</updated><title type='text'>A fé ameaça quebrar os EUA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Como fazem as seitas, fundamentalismo do Tea Party, ao pedir zero de aumento de impostos, leva ao risco de suicídio coletivo", escreve Clóvis Rossi, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo,17-07-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O enrosco entre o presidente Barack Obama e os republicanos, em torno do aumento do teto de endividamento, não é uma questão política, econômica, contábil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de fé, de fundamentalismo religioso de parte dos integrantes do chamado &lt;strong&gt;Tea Party&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;grupo de extrema-direita que emergiu com força na eleição de 2010&lt;/strong&gt;. Estão sempre &lt;strong&gt;possuídos de uma Estado-fobia&lt;/strong&gt; que supera o que Paul Krugman, ontem neste mesmo espaço, chamava de loucura antiga dos republicanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ajuda-memória: até o dia 2, o Congresso tem que autorizar o aumento do teto de endividamento, que está em US$ 14 trilhões, número inimaginável. Dá cerca de sete vezes tudo o que o Brasil produz por ano de bens e serviços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem a autorização, o governo quebra. Não poderia mandar, por exemplo, o cheque para o velhinho aposentado de Utah ou o dinheiro, bem mais suculento, para os investidores chineses que compram aos cachos papéis do Tesouro norte-americano. Nem mesmo para o Brasil, terceiro maior comprador da dívida dos EUA.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A contrapartida da autorização terá que ser um ajuste fiscal de cerca de US$ 4 trilhões (dois Brasis). Ajuste fiscal, em qualquer lugar do mundo, compõe-se de duas fatias não necessariamente iguais: corte de gastos e aumento das receitas do governo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até a emergência do &lt;strong&gt;fundamentalismo do&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Tea Party&lt;/strong&gt;, loucos ou não, os republicanos discutiriam com os democratas até que as duas partes se convencessem de que nada mais poderiam extrair da outra. O acordo sairia, na undécima hora, mas sairia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí é que surge o &lt;strong&gt;fundamentalismo com que os republicanos do Tea Party abordam a negociação&lt;/strong&gt;. Ela já começou desequilibrada a favor do corte de gastos: Obama, em abril, propunha US$ 1,5 trilhão de aumento de impostos (em 10 anos). Ou seja, 37,5% do ajuste viria do aumento de receitas; os dois terços restantes do corte de gastos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os republicanos refugaram, e a mais recente proposta do presidente, já em julho, passou a ser de US$ 750 bilhões. Ou seja, menos de 20% do ajuste viria do aumento de impostos e mais de 80% do corte de gastos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem assim os republicanos estão aceitando. Não é que Obama queira, por exemplo, aumentar o imposto sobre valor agregado, que machuca todos os contribuintes, independentemente de sua renda. Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acha apenas, como disse sexta-feira, que "milionários e bilionários podem fazer um pouco mais", que é possível fechar "os buracos corporativos de forma que as companhias de petróleo não consigam desnecessárias isenções fiscais ou que os donos de jatinhos corporativos delas se beneficiem".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, nada que não seja o mais clássico preceito tributário segundo o qual paga mais quem pode mais. Mas não basta para a turma do Tea Party, que quer zero de aumento de impostos e, de quebra, aleijar um presidente que consideram "socialista".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torna-se por isso possível o cenário assim descrito para o "&lt;em&gt;Financial Times&lt;/em&gt;" por Steve Wieting, analista do Citigroup: "&lt;em&gt;Perguntar como poderia se parecer a economia norte-americana após um eventual calote equivale a perguntar o que você faria depois de cometer suicídio&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NMp5IC6MMY4/TiOHckwz0II/AAAAAAAAB3Q/t6WvRWsMfdE/s1600/teaparty.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img border="0" height="320px" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-NMp5IC6MMY4/TiOHckwz0II/AAAAAAAAB3Q/t6WvRWsMfdE/s320/teaparty.jpg" width="320px" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;Se o Tea Party é movimento religioso, veneram o diabo; ô povo ruim!! &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enoisa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-357247088375335584?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/357247088375335584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/fe-ameaca-quebrar-os-eua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/357247088375335584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/357247088375335584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/07/fe-ameaca-quebrar-os-eua.html' title='A fé ameaça quebrar os EUA'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NMp5IC6MMY4/TiOHckwz0II/AAAAAAAAB3Q/t6WvRWsMfdE/s72-c/teaparty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3261997929766029981</id><published>2011-06-26T17:56:00.001-03:00</published><updated>2011-06-26T17:57:11.893-03:00</updated><title type='text'>Fabíola Munhoz e Kevin Beneteau</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;15-M a 19-J: o movimento se expande na Espanha&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Reportagem de Fabíola Munhoz e Kevin Beneteau, publicada pela CartaMaior, 24-06-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-qgkYIRbt7lA/Tgec4kE0w4I/AAAAAAAAB3M/tfHERMzq10w/s1600/Cientos_indignados_Movimiento_15-M.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214px" i$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-qgkYIRbt7lA/Tgec4kE0w4I/AAAAAAAAB3M/tfHERMzq10w/s320/Cientos_indignados_Movimiento_15-M.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O último domingo, quando aconteceu a manifestação interacampadas do &lt;strong&gt;19-J&lt;/strong&gt;, organizada pelo &lt;strong&gt;Movimento 15-M&lt;/strong&gt;, foi um dia inusitado desde o amanhecer. Já no momento em que chegamos à praça, por volta das 11h00, pudemos ver os acampados atarefados, cada um com sua ocupação. Eram como formigas caminhando de um lado a outro, ainda que nesse caso lhes faltasse uma rainha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir do meio-dia, começaram a chegar indignados de outras partes de Barcelona e também de fora da cidade. Chamava especialmente a atenção um grupo que vinha caminhado desde Badalona, cidade catalã localizada a aproximadamente 10 km da capital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco a pouco, a praça foi se enchendo, e as diferentes caravanas, chegadas de diferentes direções, uniam-se para conversar e compartilhar água ou comida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O início da marcha estava previsto para as 17h00, mas meia-hora antes já era impossível não se perder em meio à multidão. Foi então que os manifestantes partiram de maneira organizada, até a Via Laietana, rua famosa de Barcelona, que dá acesso ao mar e por onde se pode rumar ao Parlamento Catalão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao longo do caminho, cada vez mais gente saía às ruas para se somar ao protesto, aumentando o tamanho do oceano humano que já se formava, e escorria pelos passeios públicos portando cartazes criativos, soando música, gritando hinos indignados, ou simplesmente fazendo barulho com palmas e panelas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando nos vimos diante daquela massa, pensamos no quanto parecíamos minúsculos e, ao mesmo tempo, sentimos que estávamos diante da oportunidade de documentar algo especial e com potencial para gerar mudanças importantes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre a gente unida, viam-se bandeiras republicanas, independentistas e muitas outras, que representavam, cada uma, uma luta e uma reivindicação diferente. No entanto, essa era um clara minoria entre os milhares de anônimos que haviam se juntado aos demais para apoiar o movimento com ordem e pacifismo, que pudessem fazer de sua ação um verdadeiro exemplo de civismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os participantes da mobilização eram das mais variadas idades e classes sociais. E tinham todos um denominador comum: a vontade de dizer aos ocupantes de cargos públicos que a atual democracia já não os representa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É verdade que alguns manifestantes, espontaneamente, escalaram a estrutura de paradas de ônibus até alcançar seu teto para, de ali, tentarem se alçar líderes da “revolução”. No entanto, esses indignados mais exaltados foram obrigados a descer de onde estavam pelos demais manifestantes, preocupados com a imagem que poderiam transmitir ao restante da sociedade e aos meios de comunicação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora não tenha havido incidentes, um desses participantes alucinados deu um pouco mais trabalho para os que tentavam manter as coisas tranqüilas, quando se erigiu antes as dezenas de milhares de manifestantes, e imitou Jesus Cristo, proferindo uma mensagem subliminar que muito poucos puderam compreender. A maioria simplemente se sentiu ofendida ao ver alguém seminu, dizendo loucuras, já que considerava a manifestação como algo muito sério: uma oportunidade de mostrar rechaço ao &lt;strong&gt;Pacto do Euro&lt;/strong&gt;, exigindo políticas que beneficiem os cidadãos, e não os mercados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mensagens espalhadas pela multidão diziam ao partido socialista (PSOE), no poder atualmente na Espanha, que é urgente deter a supremacia dos interesses das grandes empresas, em detrimento da dignidade da população. Depois de observar a massa durante meia hora, decidimos nos unir à marcha e avançar pela Via Laietana, mas era tanta gente, que o início da manifestação chegou ao destino, sem que a fila tivesse começado a se mover.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco a pouco, porém, foi possível que a multidão saísse do lugar, convertendo-se numa infinidade de individualidades, todas com o mesmo objetivo: expressar indignação. Em meio à Via Laitana, por onde a procissão descia, olhávamos para frente e para trás, sem poder identificar o fim e o começo daquele mar de pessoas, até que alcançamos a Plaza del Palau, ponto de chegada da manifestação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali, parte dos manifestantes decidiu acampar, para conversar reunidos em rodas ou somente observar a manifestação. Nesse momento, também nós paramos para o merecido descanso, até que cada um tomou o caminho de casa, com a ilusão de haver participado de algo histórico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar das tentativas dos grandes veículos de comunicação, observadas na última semana, de desprestigiar e desmoralizar o movimento &lt;strong&gt;15-M&lt;/strong&gt;, com base nos embates violentos ocorridos no Parlamento da Catalunha, dessa vez foi difícil encontrar pretexto para tachar os indignados de agressivos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi tão pacífica a ação integrada por desde crianças até idosos, que a Guarda Urbana sequer se aproximou dos manifestantes. Seus integrantes se mantiveram recolhidos em seus carros, observando tudo à distância, enquanto um helicóptero da Polícia sobrevoava o local, despertando vaias e gestos pacíficos dos indignados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O próximo passo do movimento agora será uma &lt;strong&gt;Marcha Popular Indignada&lt;/strong&gt; que, saindo de várias cidades distintas, passará por 29 lugares da Espanha, entre povoados e municípios, para durante realizar em cada um desses locais assembléias em que os cidadãos possam expressar suas reivindicações. A jornada, que começa neste sábado (25/6) acabará em Madrid, quando essas propostas populares serão apresentadas ao governo espanhol. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3261997929766029981?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3261997929766029981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/06/fabiola-munhoz-e-kevin-beneteau.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3261997929766029981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3261997929766029981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/06/fabiola-munhoz-e-kevin-beneteau.html' title='Fabíola Munhoz e Kevin Beneteau'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-qgkYIRbt7lA/Tgec4kE0w4I/AAAAAAAAB3M/tfHERMzq10w/s72-c/Cientos_indignados_Movimiento_15-M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3011357588702371796</id><published>2011-06-01T18:56:00.000-03:00</published><updated>2011-06-01T18:56:03.204-03:00</updated><title type='text'>Boaventura de Sousa Santos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;A pensar nas eleições&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DoWeOOdZWL4/Tea1NJoTBtI/AAAAAAAAB28/htutf882gPs/s1600/boaventura.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-DoWeOOdZWL4/Tea1NJoTBtI/AAAAAAAAB28/htutf882gPs/s1600/boaventura.jpg" t8="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Artigo de Boaventura de Sousa Santos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos próximos tempos, as elites conservadoras europeias, tanto políticas como culturais, vão ter um choque: os europeus são gente comum e, quando sujeitos às mesmas provações ou às mesmas frustrações por que têm passado outros povos noutras regiões do mundo, em vez de reagir à europeia, reagem como eles. Para essas elites, reagir à europeia é acreditar nas instituições e agir sempre nos limites que elas impõem. Um bom cidadão é um cidadão bem comportado, e este é o que vive entre as comportas das instituições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dado o desigual desenvolvimento do mundo, não é de prever que os europeus venham a ser sujeitos, nos tempos mais próximos, às mesmas provações a que têm sido sujeitos os africanos, os latino-americanos ou os asiáticos. Mas tudo indica que possam vir a ser sujeitos às mesmas frustrações. Formulado de modos muito diversos, &lt;strong&gt;o desejo de uma sociedade mais democrática e mais justa é hoje um bem comum da humanidade&lt;/strong&gt;. O papel das instituições é regular as expectativas dos cidadãos de modo a evitar que o abismo entre esse desejo e a sua realização não seja tão grande que a frustração atinja níveis perturbadores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora é observável um pouco &lt;strong&gt;por toda a parte que as instituições existentes estão a desempenhar pior o seu papel, sendo-lhes cada vez mais difícil conter a frustração dos cidadãos&lt;/strong&gt;. Se as instituições existentes não servem, é necessário reformá-las ou criar outras. Enquanto tal não ocorre, é legítimo e democrático atuar à margem delas, pacificamente&lt;strong&gt;, nas ruas e nas praças. Estamos a entrar num período pós-institucional&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os jovens acampados no Rossio e nas praças de Espanha são os primeiros sinais da emergência de um novo espaço público – a rua e a praça – onde &lt;strong&gt;se discute o sequestro das atuais democracias pelos interesses de minorias poderosas e se apontam os caminhos da construção de democracias mais robustas, mais capazes de salvaguardar os interesses das maiorias&lt;/strong&gt;. A importância da sua luta mede-se pela ira com que investem contra eles as forças conservadoras. Os acampados não têm de ser impecáveis nas suas análises, exaustivos nas suas denúncias ou rigorosos nas suas propostas. &lt;strong&gt;Basta-lhes ser clarividentes na urgência em ampliar a agenda política e o horizonte de possibilidades democráticas, e genuínos na aspiração a uma vida digna e social e ecologicamente mais justa&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para contextualizar a luta das acampadas e dos acampados, são oportunas duas observações. A primeira é que, ao contrário dos jovens (anarquistas e outros) das ruas de Londres, Paris e Moscou no início do século XX, os acampados não lançam bombas nem atentam contra a vida dos dirigentes políticos. &lt;strong&gt;Manifestam-se pacificamente e a favor de mais democracia&lt;/strong&gt;. É um avanço histórico notável que só a miopia das ideologias e a estreiteza dos interesses não permite ver. &lt;strong&gt;Apesar de todas as armadilhas do liberalismo, a democracia entrou no imaginário das grandes maiorias como um ideal libertador, o ideal da democracia verdadeira ou real&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;É um ideal que, se levado a sério, constitui uma ameaça fatal para aqueles cujo dinheiro ou posição social lhes tem permitido manipular impunemente o jogo democrático&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda observação é que os momentos mais criativos da democracia raramente ocorreram nas salas dos parlamentos. Ocorreram nas ruas, onde os cidadãos revoltados forçaram as mudanças de regime ou a ampliação das agendas políticas. Entre muitas outras demandas, os acampados exigem a resistência às imposições da &lt;em&gt;troika&lt;/em&gt; para que a vida dos cidadãos tenha prioridade sobre os lucros dos banqueiros e especuladores; a recusa ou a renegociação da dívida; um modelo de desenvolvimento social e ecologicamente justo; o fim da discriminação sexual e racial e da xenofobia contra os imigrantes; a não privatização de bens comuns da humanidade, como a água, ou de bens públicos, como os correios; a reforma do sistema político para o tornar mais participativo, mais transparente e imune à corrupção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pensar nas eleições acabei por não falar das eleições. Não falei?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3011357588702371796?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3011357588702371796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/06/boaventura-de-sousa-santos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3011357588702371796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3011357588702371796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/06/boaventura-de-sousa-santos.html' title='Boaventura de Sousa Santos'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DoWeOOdZWL4/Tea1NJoTBtI/AAAAAAAAB28/htutf882gPs/s72-c/boaventura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-2907745548723937323</id><published>2011-05-21T20:03:00.001-03:00</published><updated>2011-05-21T20:03:59.460-03:00</updated><title type='text'>Riccardo Stagliano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Rede não esquece nenhuma informação. E preserva a nossa identidade &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Análise do jornalista italiano Riccardo Stagliano, publicada no jornal La Repubblica, 19-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em traição, o Expedia me pergunta se eu quero sair de férias com minha ex-namorada. Ele não diz exatamente isso, mas me sugere o seu nome para o segundo bilhete de avião. O impertinente site de viagens se lembra disso a partir de uma antiga compra. A Amazon faz o mesmo para a entrega dos livros. Se você pede que seja enviado a um endereço que não é mais o seu, ele insiste. Até mesmo o site das contravenções do município de Roma tenta pregar-lhe ao passado. Vou verificar uma multa e, ao lado do documento, agora colocam a foto da infração. Em preto e branco, granulada, mas inevitável: sou justamente eu no assento. Com a companheira daquela época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus perdoa, a Internet não. Sobretudo não se esquece de nada. Ela nos conhece melhor do que uma mãe, do que um amigo, do que um psicanalista. E é capaz de reunir tantas peças daquele mosaico caótico que é a vida, reconstruindo-o em um nível de detalhe impensável na era pré-web. Por isso, eu pedi que a rede escrevesse a minha biografia, e quem a prepara é um algoritmo. Utilizando fontes abertas, informações à disposição de todos. Se eu tivesse pedido ao Serviço Secreto, teria recebido um retrato menos vívido. Prove para acreditar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você é jornalista, teoricamente, está mais exposto do que um empregado do cartório. Mas isso não é óbvio, porque o empregado poderia ter uma dupla vida pirotécnica telemática: compartilha tudo no Facebook, comenta os blogs dos outros, confia ao Twitter em tempo real as suas próprias opiniões sobre o universo mundo. Em suma, coisas que eu não faço. Porque, no final, os pixels com os quais a rede irá compôr o nosso retrato digital, em alta ou baixa resolução, nós é que vamos fornecer. Às vezes, de maneira ativa, preenchendo questionários, assinando abaixo-assinados e assim por diante. Mais frequentemente, de modo passivo, simplesmente navegando, comprando ou sendo marcados em fotos de outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para começar, portanto, existe o Google. O nível zero é o egosurfing, ou seja, controlar o que se diz sobre nós na rede, digitando "nome e sobrenome". No meu caso, surgem 102 mil resultados, mas os números mudam com o passar dos dias. Nos primeiros lugares, um verbete da Wikipédia em inglês que, há algum tempo, defendia erroneamente que eu era o chefe do Repubblica.it (aproveito para me desculpar com o titular do posto). Perto do final, surge ao contrário uma mensagem que eu enviei no dia 27 de maio de 1996 a um grupo de discussão sobre a publicidade online. Pelo que eu sabia na época, era como anexar um anúncio em um mural da universidade. O que eu aprendi depois é que ninguém jamais o removeria, ou melhor, seria embalsamado para a memória futura. Se eu tivesse pedido instruções para confeccionar uma bomba seria o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se, depois, assim como eu e outros 170 milhões de pessoas do mundo, você usa o e-mail do Gmail, as coisas se complicam. No sentido de que tudo o que você escreve poderá ser usado, publicitariamente falando, contra você, porque o sistema analisa os textos para acasalar publicidades pertinentes. Então, se você conta a um amigo que seria bom passar um fim de semana em Palermo, espere, por exemplo, anúncios sobre uma suíte com desconto no hotel Delle Palme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ver como você foi rotulado, existe o Google Ads Preferences. De mim, o software entendeu que sou um homem e, entre os interesses derivados do meu comportamento online, há cinema, partituras musicais, jornalismo. E, na TV, me agradariam "crime stories and legal show" (nego a acusação).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o Google é quase um mundo. Coloca à disposição um programa para escrever, um calendário, um sistema de notificações personalizadas e muito mais. Grátis, ou melhor, pagando na moeda da privacidade. Ele lhe oferece um serviço, você lhe confia a sua vida digital. O que você escreve, aonde vai e quando, aquilo que lhe interessa saber. Assim, mesmo que anonimamente, o cber-leviatã reutilizará esse conjunto de dados para lhe fornecer o anúncio certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui verificar no Dashboard, a "caixa preta" de todas as minhas relações com o motor de busca. E é como olhar a alma no espelho. Desde o momento em que eu ativei a cronologia, ou seja, o registro histórico de cada pesquisas feita, eles sabem exatamente o que eu vi nos últimos anos. A prestação de contas começa às 18h16 do dia 22 de maio de 2007, e as palavras-chave, acreditem ou não, são "nietzsche memória muito boa" (talvez eu me deixei influenciar e queria sancionar com uma citação do filósofo o fato de ter ativado essa espécie de panóptico voluntário). Cada query singular foi posto em ata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há também todos os endereços que eu busquei no Maps. O vídeo que eu assisti, desde o clipe de The Ballad of John and Yoko ao último álbum disco dos Virginiana Miller. Sem falar dos que eu subi ao YouTube. Assim como as fotos que, há muito tempo, eu compartilhei nos álbuns digitais do Picasa. E os títulos que eu baixei no Books. Já há o suficiente para reconstruir a minha existência, tendo muito tempo para perder, minuto a minuto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Detetives digitais&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para acessar a sancta sanctorum, porém, é preciso possuir a palavra-chave. É preciso um bom hacker ou, banalmente, tê-la deixado memorizada no seu PC. No entanto, mesmo limitando-se às informações abertas, os resultados são surpreendentes. Se você não tem familiaridade com a sintaxe dos motores de busca, existem empresas especializadas em web listening. Geralmente, são as empresas que fazem isso, para entender que "reputação" uma marca ou um certo produto tem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu as desafiei a liberar os seus softwares especializados para que revelassem os dados mais suculentos sobre a minha conta. Depois de menos de um dia, a emiliana TheDotCompany me entregou um relatório que parecia ter sido escrito à mão por um funcionário da Digos. Ele contém: lugar e data de nascimento, números de telefone de trabalho e de casa, qualificação profissional exata, o nome do meu pai e a anotação de que "Os pais e os sobrinhos vivem em Viareggio". Uma impecável biografia de trabalho e depois: "O sistema de correção de palavras-chave e conteúdos sugere orientação política Partido Democrático/Rifondazione Comunista e fortes laços com o mundo sindical", creio que deduzidos do fato de eu ter escrito um livro sobre os imigrantes e tê-lo apresentado em vários festivais da Unidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em paralelo, o Expert System de Modena, especialista na tecnologia semântica para a compreensão e a análise das informações, também estava no meu rastro. Em uma dezena de slides resume as organizações, as pessoas (vence o meu amigo Raffaele Oriani, com 319 ocorrências), as localidades, os argumentos com os quais eu tenho mais a ver (Internet 206, imigração 150, editoria 137 etc.) e uma enoteca que eu frequento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os detetives milaneses da FreedataLabs extraem até perfis psicológicos das palavras que eu uso. Dizem que só 6% pertencem a categorias emocionais e me retratam como um sujeito muito "inclinado ao objetivo", "curioso", mas também "introvertido", com veios de "tristeza". Assim falou o psiquiatra automaticamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Joel Stein, um colega da Time que fez a mesma experiência, se saiu melhor ao encontrar rastros econômicos sobre ele mesmo. A Alliance Data, empresa de marketing digital, sabe que ele é um judeu de 39 anos, formado, com um salário de mais 125 mil dólares. Que gasta em média 25 dólares para cada compra online, mas, no dia 10 de outubro de 2010, desembolsou 180 em roupas íntimas. "São dados que, na Itália, seria impossível ter sem a ordem de um magistrado", me tranquiliza Andrea Santagata, número dois da Banzai, uma das maiores empresas de web nacionais, "porque temos uma lei sobre a privacidade muito mais severa. Em todo caso, não interessa à publicidade saber como você se chama, mas sim conhecer o seu perfil para mirar as mensagens".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo verdade, algo a ser mantido na mente para não acabar inscrito no já lotado partido das teorias da conspiração. Mas o que foi dito até aqui também o é. Ou melhor, não houve nem tempo para se falar da Last.fm, que sabe que música eu escuto (se você gosta dos Wilco, você também vai gostar dos Golden Smog e de The Autumn Defense). Ou da IBS que, sabendo quais livros eu compro, me aconselha outros, por propriedade transitiva: se David Foster Wallace, então George Saunders. Ou de infinitos outros destinos online, que, pelo simples fato de ter interagido com eles, criam dossiês a partir do qual podem inferir a minha personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma tragédia? Nem sonhando. A Internet é a invenção mais incrível e benemérita do último século. Basta se consciente e comportar-se em conformidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No que diz respeito, enfim, à insistência inconveniente do Expedia, eu limpei os cookies, o pequeno pedaço de código que lembrava ao site as minhas viagens anteriores. E agora o computador não se intromete mais em coisas que não lhe dizem respeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-2907745548723937323?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/2907745548723937323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/05/riccardo-stagliano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/2907745548723937323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/2907745548723937323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/05/riccardo-stagliano.html' title='Riccardo Stagliano'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3531263766715696489</id><published>2011-05-15T17:35:00.000-03:00</published><updated>2011-05-15T17:35:10.005-03:00</updated><title type='text'>Amir Khair</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mudanças na política econômica? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O governo comprou a idéia de que há excesso de demanda que tem que ser combatido através de redução das despesas para gerar forte superávit primário (receitas menos despesas, exclusive juros). Afirma que é necessário reduzir a despesa de custeio para expandir o investimento e abrir caminho para a redução dos juros básicos. Ora, o que está elevando a despesa são principalmente os juros. Sua redução dependa da redução da Selic, abrindo espaço para elevar investimentos e programas de distribuição de renda, que é o que mais interessa em termos de desenvolvimento econômico e social. O artigo é de Amir Khair.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada mais desgastante na política e na economia do que a inflação, mais até do que o desemprego, pois atinge a todos, especialmente os de renda média e baixa. É por essa razão que os governos a elegem como prioridade absoluta na formulação e implementação da política econômica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, a própria inflação acaba por criar o desemprego, com certa defasagem, ao retirar poder aquisitivo das camadas de renda média e baixa, reduzindo as vendas, produção e investimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A oposição, vazia de propostas, já tomou a inflação como tema central de seus ataques ao governo e assumiu como solução ao problema o mesmo receituário ortodoxo da redução de despesas do governo federal e aumento da Selic para conter o consumo, que seria o vilão inflacionário. Assumiu a mesma terapia aplicada durante o governo FHC, só que usou Selic bem superior à do governo Lula e realizou superávits primários segundo as exigências do FMI para salvar a iminente &lt;em&gt;débâcle&lt;/em&gt; das contas internas e externas ocorrida no início de 1999 (segundo mandato de FHC).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com inflação em elevação, a base de apoio ao governo no Congresso Nacional passa a ser mais exigente para aprovar a criação ou modificação das propostas do Executivo e a mídia passa a martelar duramente o governo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso está levando o governo a modificar sua política inicialmente traçada na posse da presidente de crescer com inflação sob controle e reduzir a Selic para conter a avalanche de dólares que está causando estragos na competitividade das empresas e ampliação dos rombos nas contas externas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa modificação vai se dando na prática, apesar do governo negá-la, mas fato é que já há alguns meses vem elevando a Selic e admitindo que deva reduzir o consumo, diminuindo as despesas de custeio do governo e tentando controlar o crédito para diminuir o consumo das famílias, que representam 75% do consumo total, ficando o governo com 25%.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso das despesas do governo dois compromissos foram assumidos: redução de R$ 50 bilhões no orçamento e obtenção de superávit primário do setor público (União, Estados e Municípios e suas estatais) de R$ 117,9 bilhões. Como demonstração desses compromissos, neste 1º trimestre, em relação ao crescimento do PIB, o governo federal teve suas receitas crescendo 5,2% e as despesas caindo 4,4% (pessoal 7,5%, benefícios da previdência 6,2% e outras despesas 0,1%). Com isso obteve um superávit primário de R$ 26,0 bilhões, acima da meta prevista para o 1º quadrimestre de R$ 22,9 bilhões. Em 2010 o superávit do 1º trimestre foi de R$ 8,9 bilhões. Nada se falou sobre a forte elevação das despesas com juros que passaram nesse período de R$ 30,6 bilhões para R$ 40,9 bilhões, prejudicando o resultado fiscal em R$ R$ 10,3 bilhões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso das despesas com consumo das famílias, as principais medidas foram: elevação dos depósitos compulsórios dos bancos no Banco Central (BC) em cerca de R$ 80 bilhões, aumento do requerimento de capital para operações de crédito de maior risco (superior a 24 meses) e aumento do IOF sobre operações de crédito. O BC elevou a Selic em todas as três reuniões do Copom deste ano totalizando 1,25 pontos percentuais e já anunciou que continuará a elevá-la nas próximas reuniões. Essa elevação da Selic serve mais para valorizar o real barateando as importações do que para elevar os juros aos consumidores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Banco Internacional de Compensações (BIS), dia 29/4, concluiu na reunião dos bancos centrais, que os países emergentes podem estar complacentes com a inflação, mas que o Brasil não está. O texto do banco destaca especificamente o combate à alta de preços no país pelo mix monetário e fiscal, notando que isso ocorre apesar de o crédito continuar aumentando, e que está subindo em todos os países.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na comparação dos 21 países com regime de meta de inflação, a situação do Brasil não é a mais desconfortável. Apenas Noruega e Suíça têm expectativas de fechar o ano abaixo do centro da meta. Já oito BCs poderão fechar o ano estourando a meta: o Banco Central Europeu (BCE), Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Turquia, Chile, Israel e Tailândia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A inflação, no entanto, é determinada por condicionantes internos e, principalmente, externos. Fato é que desde setembro do ano passado os preços dos alimentos e commodities deram um salto e tencionaram a inflação em todos os países, especialmente nos emergentes, que em relação aos desenvolvidos apresentam nível de crescimento econômico superior e o peso dos alimentos tem efeito maior sobre o orçamento familiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo a Bloomberg e BC de jul/2010 a fev/2011 os preços das &lt;em&gt;commodities&lt;/em&gt; subiram 74%. É importante observar que fazem parte das &lt;em&gt;commodities&lt;/em&gt; alguns alimentos (milho, trigo, soja, cacau, café, açúcar, suco de laranja, gado vivo e porco). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa elevação internacional de preços acendeu os debates sobre a melhor forma de combate da inflação em cada país. Há uma afirmação muito difundida nas análises econômicas de que o crescimento econômico de um país acaba por acirrar o processo inflacionário, caso a oferta interna de bens e serviços não estiver atendendo as necessidades do consumo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante avaliar com mais cuidado essa afirmação, pois caso aceita, o remédio mais adequado para combater a inflação é por o pé no freio no crescimento econômico, gerando queda nas vendas, produção, investimentos e desemprego.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em economias fechadas, onde não ocorre a importação de produtos, a afirmação faz sentido, pois a falta de atendimento por parte das empresas aos consumidores leva-as naturalmente elevarem seus preços. Mas em economias abertas, a oferta é constituída da produção local e da importação. Assim, se num primeiro momento a empresa quiser remarcar seus preços pode perder mercado para o produto importado mais barato e com qualidade compatível com a necessidade do consumidor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o que está ocorrendo no Brasil, mas não pelo aumento de preços por parte das empresas, mas pelo barateamento dos produtos importados, pois o valor do dólar vai ficando cada vez mais barato face ao real. Um ano atrás, cada dólar valia R$ 1,76 e em abril passou a valer R$ 1,59, ou seja, o dólar se desvalorizou perante o real em 9,7%. Há dois anos essa desvalorização alcançou 28,1%.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, torna-se cada vez mais difícil competir com o produto importado, que vem penetrando progressivamente no mercado brasileiro, causando problemas sérios às nossas empresas por questões alheias à sua eficiência nesta competição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o governo poderia deter esse processo? Sim, caso atuasse em cima das causas que têm criado essa supervalorização do real face ao dólar. E de que forma? Controlando o excesso de dólares que ingressam no País, através de medidas de controle desse ingresso. É o que vem fazendo os países emergentes, com destaque para a China que faz sua moeda acompanhar o valor do dólar e, com isso, consegue manter forte sua posição competitiva nas exportações, penetrando agressivamente em todos os mercados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o Brasil faz o contrário, pois estimula a entrada de dólares por uma via altamente lesiva ao País. Essa via é o presente dado aos especuladores internacionais de usufruírem lucros garantidos pelas taxas de juros que se oferece a eles. Esses lucros têm o agravante de serem isentos de imposto de renda, o que não ocorre quando a aplicação é feita internamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo vem tentando deter essa enxurrada de dólares atraída pela Selic e pela valorização do real entre o momento da aplicação e o do resgate, tributando essas aplicações com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas não consegue cercar todas as formas de ingresso que escapam do IOF. Uma delas se dá através dos investimentos diretos de estrangeiros (IED), cuja finalidade seria a aplicação de longo prazo na produção, mas que não é controlada sua utilização pelo Banco Central. Os lucros financeiros auferidos são depois levados para fora do País através da conta de lucros e dividendos, prejudicando o resultado das contas externas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para tentar salvar a economia americana, europeia e japonesa foram injetados trilhões de dólares, euros e ienes que se deslocam para países que ofereçam maiores vantagens à reprodução do capital. No caso brasileiro o saldo de dólares vindos a título de IED só no 1º trimestre atingiu US$ 17,5 bilhões, mais do triplo do mesmo período de 2010 e o recorde histórico no País para esse período.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As diversas ações do governo para tentar conter a apreciação do real poderiam ser mais fortes, como, por exemplo, maior tributação pelo IOF e a quarentena. A não utilização dessas medidas faz supor certa conivência com a queda do dólar, que é útil no combate à inflação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra questão de mudança na política econômica é que o governo comprou a idéia de que há excesso de demanda que tem que ser combatido através de redução das despesas para gerar forte superávit primário (receitas menos despesas, exclusive juros). Afirma que é necessário reduzir a despesa de custeio para expandir o investimento e abrir caminho para a redução dos juros básicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, o que está elevando a despesa são principalmente os juros. Sua redução dependa da redução da Selic, abrindo espaço para elevar investimentos e programas de distribuição de renda, que é o que mais interessa em termos de desenvolvimento econômico e social. A elevação dos investimentos favorece a melhoria da infraestrutura, e a distribuição de renda, além de ampliar o consumo, atenua o elevado déficit social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa mudança de política (elevação da Selic, valorização cambial e elevado superávit primário) tem efeito favorável na inflação de curto prazo para este ano e meados do próximo, mas eleva o desemprego, o passivo fiscal e o déficit das contas externas, o que exigirá um esforço maior do governo no médio e longo prazo para conseguir manter um desenvolvimento econômico e social sustentável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3531263766715696489?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3531263766715696489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/05/amir-khair.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3531263766715696489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3531263766715696489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/05/amir-khair.html' title='Amir Khair'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-8515334512746384706</id><published>2011-03-27T15:25:00.001-03:00</published><updated>2011-03-27T15:30:15.906-03:00</updated><title type='text'>Luiz Carlos Bresser-Pereira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-I37201doBH0/TY-CFawZPhI/AAAAAAAAB24/ttcjkqsQVOk/s1600/Inside+Job.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="0" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-I37201doBH0/TY-CFawZPhI/AAAAAAAAB24/ttcjkqsQVOk/s200/Inside+Job.jpg" width="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Não pode ser mera coincidência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira &lt;/em&gt;&lt;em&gt;publicado na Folha de S.Paulo, 13.03.11.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A CARICATURA é a farsa que precede e anuncia a tragédia. "Inside job", ganhador do Oscar de melhor documentário, é uma reportagem clara, precisa e bem estruturada da crise financeira global de 2008. É um filme ao qual o espectador assiste com prazer misturado com indignação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começa contando a história da crise da Islândia, um pequeno país de 380 mil habitantes no meio do Atlântico Norte cujos bancos entraram em especulação financeira desenfreada, com pleno apoio dos economistas neoliberais, e ficaram devendo quase cem vezes seu capital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Some-se a isto sua estratégia de crescimento com poupança externa que levou o deficit em conta corrente a 16% do PIB, e então entenderemos por que o país quebrou violentamente, com grande prejuízo para sua população. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Islândia foi a caricatura do sistema financeiro mundial apoiado pela teoria econômica ortodoxa, da mesma forma que no Chile a brutal crise financeira que encerrou os nove primeiros anos do governo Pinochet e seus Chicago boys (1973-81) foi o trailer caricatural dos 30 Anos Neoliberais do Capitalismo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes começaram em 1979 com a eleição de Margaret Thatcher na Grã Bretanha, contaram com o apoio firme dos economistas ortodoxos, resultaram em casos de fraude generalizada, documentada de forma impiedosa no filme, e, afinal, produziram a crise financeira que o globo conheceu em 2008.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheço muitos economistas neoclássicos e neoliberais que são impolutos. Mas há uma relação entre o aumento da instabilidade financeira, da especulação e da corrupção e o predomínio nas universidades dessa teoria econômica neoclássica ou ortodoxa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi essa teoria, foram o modelo do equilíbrio geral e a teoria das expectativas racionais que estão no seu núcleo duro, que serviram de justificação "científica" para o neoliberalismo. A ideologia neoliberal dos mercados autorregulados e da liberalização e desregulamentação geral do sistema econômico que abriu espaço para fraudes de todo tipo foi "legitimada" pela teoria ortodoxa. Foi essa teoria que fundamentou o neoliberalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este fato é significativo, mas ainda não é suficiente para que compreendamos a relação entre a teoria e a fraude. Afinal uma teoria científica tem um compromisso com a verdade que, em princípio, a defenderia contra a corrupção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que dizer se essa teoria não tiver compromisso com a verdade, ou seja, com a sua conformidade com o real? Se essa teoria for apenas um castelo no ar hipotéticodedutivo baseado em alguns axiomas sem validade? E se o principal desses axiomas for o de que todo homem só defende seus próprios interesses não tendo compromisso com o interesse público?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há, portanto, nessa teoria compromisso com a verdade, nem com a moralidade, apenas com a consistência lógica e com o autointeresse. Sei que nem tudo que é falso e autocentrado é imoral, mas a imoralidade está sempre associada à mentira e ao egoísmo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Inside job" mostra essa imoralidade de forma viva e definitiva. E mostra que quem a justifica são sempre economistas que ensinam essa teoria sem compromisso com a realidade ou com o interesse público. Definitivamente, a correlação entre o que se ensina e o que se pratica não pode ser mera coincidência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-8515334512746384706?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/8515334512746384706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/luiz-carlos-bresser-pereira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8515334512746384706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8515334512746384706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/luiz-carlos-bresser-pereira.html' title='Luiz Carlos Bresser-Pereira'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-I37201doBH0/TY-CFawZPhI/AAAAAAAAB24/ttcjkqsQVOk/s72-c/Inside+Job.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-4339172023290529527</id><published>2011-03-08T17:50:00.002-03:00</published><updated>2011-03-08T18:07:04.332-03:00</updated><title type='text'>Vittorio Zucconi</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A última fogueira das mulheres. A memória dos direitos civis &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-SMvN5xrlCNQ/TXaaMsuK9NI/AAAAAAAAB2c/nWTNhk3AuRI/s1600/nyu.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" q6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-SMvN5xrlCNQ/TXaaMsuK9NI/AAAAAAAAB2c/nWTNhk3AuRI/s200/nyu.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Artigo de Vittorio Zucconi, publicado no jornal La Repubblica, 06-03-2011. A tradução de Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o assustador crisol da imigração, a fundição humana na qual se fundiram para sempre os corpos, as identidades e as nacionalidades das quais nasceria a Nova York que conhecemos. &lt;strong&gt;Eram principalmente mulheres, italianas e ucranianas, russas e palestinas, romenas e irlandesas as costureiras que foram consumadas juntas há exatamente um século na fogueira da camisaria &lt;em&gt;Triangle Shirtwaist&lt;/em&gt;, do Village, nos apenas 18 minutos transcorridos entre o primeiro grito de "Fogo! Fogo!" e o apagamento. No fim, foram 146 mortos, todos entre 16 e 23 anos, pequenas escravas acorrentadas às máquinas de costuras e às mesas de corte de tecido, as quais foram encontradas fundidas.&lt;/strong&gt; Nova York teria que esperar 90 anos até o dia 11 de setembro de 2001 para sofrer uma carnificina mais horrível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a fogueira que mudou e selou o destino de uma grande cidade e de quem viveu e trabalhou dentro, segundo um projeto terrível e repetido tantas vezes na história norte-americana, periodicamente iluminada por imensos incêndios, na Chicago dos abatedouros industriais, na San Francisco dos aventureiros, na Atlanta derrotada na Guerra Civil, na Nova York selvagem do início do século XX, como se o parto doloroso dessa grande nação precisasse de uma fogueira de sinalização para começar novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as 129 costureiras e os seus 117 colegas masculinos do East Village pouco se importavam com história, com destinos à la Roma de Nero, de crisóis que sacudissem também as autoridades judiciárias e políticas da sua comodidade e do seu frequentemente corrupto "&lt;em&gt;laissez faire&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Bessie&lt;/strong&gt;, a russa, &lt;strong&gt;Peppina&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Concetta&lt;/strong&gt;, italianas, &lt;strong&gt;Fannie&lt;/strong&gt;, a ucraniana – vítimas identificadas com muito trabalho e algumas apenas agora sepultadas com um nome no imenso cemitério dos "Sempre Verdes" entre o Brooklyn e o Queens por um pesquisador obcecado por esse incêndio – se importavam apenas com ganhar aquilo que o chefe da repartição decidia pagar-lhes no final de cada dia. Um dólar, dois por dia, mas nunca mais do que isso, para ficar dentro dos custos previstos pelos dois proprietários da empresa: 18 dólares a cada 12 camisas, um dólar e meio por camisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucas delas, naquele palácio de 10 andares a poucos passos da Washington Square, no coração do Village, chamado Asch Building, falavam inglês e entenderam o que significava o grito que ressoou às 16h45 de uma tarde de primavera de 1911, o dia 25 de março: "Fire! Fire!". Não que a compreensão imediata do alarme poderia fazer muita diferença para as mulheres e os homens que cortavam, costuravam, lavavam, passavam e estendiam as camisas. O sweathshop, a fábrica do suor, ocupava três andares, entre o oitavo e o décimo, e o oitavo estava bloqueado. Todas as portas estavam fechadas pelo lado de fora, e as trabalhadoras eram controladas uma a uma no final do turno, para que não roubassem utensílios, tesouras, agulhas, fios ou pedaços do precioso algodão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O balde d'água que um empregado da contabilidade, William Bernstein, tentou derramar sobre o fogo aceso, alcançando a única torneira que funcionava no grande salão, não poderia fazer nada contra um incêndio que encontrou, talvez devido a uma bituca acesa, nos amontoados de retalhos jogados no chão, nas camisas estendidas nos arames e já secas, na madeira do piso e das mesas, o combustível ideal. Os relatos dos poucos sobreviventes, como &lt;strong&gt;Bernstein&lt;/strong&gt;, que testemunhou no processo contra os dois sócios propritários da Camisaria Triângulo, condenados pro homicídio, são páginas retiradas do imaginário infernal do catecismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São cenas de mulheres já em chamas que corriam procurando fugir do fogo que estava queimando as saias e os cabelos, mergulhos silenciosos e sem gritos de outras que se jogavam das janelas, preferindo o suicídio, fotografias de moças "simplesmente petrificadas", disse &lt;strong&gt;Bernstein&lt;/strong&gt;, incapaz de se mexer e de reagir. Imóvel na espera certa e resignada de se tornar tochas vivas ou de cair asfixiados pela fumaça. Os bombeiros, que, incrivelmente, conseguiram apagar um incêndio no oitavo andar em apenas 18 minutos, encontraram costureiras fundidas com a máquina de costura, com a qual morreram abraçadas, como se não quisessem se separar daquele utensílio que lhes havia dado um meio de vida na cidade onde haviam aportado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitas delas não seriam identificadas por décadas, as últimas por um século, como &lt;strong&gt;Elizabeth Adler&lt;/strong&gt;, romena de 24 anos, como &lt;strong&gt;Maximilian Florin&lt;/strong&gt;, russo de 23 anos, como a "morta número 85", uma desconhecida sepultada por 99 anos com essa lápide. E seria com ela que iniciaria, quase por acaso, o caminho de um historiador apaixonado por genealogia, &lt;em&gt;Michael Hirsch&lt;/em&gt;, obcecado pelo incêndio que mudou Nova York. A "vítima número 85" acabaria sendo a irmã de uma jovem de 17 anos, sepultada em um outro cemitério, sob uma lápide que lembra misteriosamente "a irmã morta", sem outras indicações. Desse túmulo, &lt;em&gt;Hirsch&lt;/em&gt; chegaria a uma bisneta octogenária, aposentada no Arizona. Dela, das suas confusas lembranças pessoais de tios-bisavôs perdidos no início do século XX, ele subiria a árvore da sua história e encontraria um nome, no elenco das empregadas da Camisaria Triângulo, que faleceu depois do dia 25 de março de 1911. E dali chegaria ao túmulo do cemitério do Brooklyn, finalmente dando um nome àqueles restos mortais: &lt;strong&gt;Maria Giuseppina Lauletti&lt;/strong&gt;, siciliana de 20 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com ela, a lista dos mortos foi completada. Sob o monumento que lembra aquele dia, foram escritos os nomes dos últimos seis desconhecidos: &lt;strong&gt;Max Florin&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Concetta Prestifilippo&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Josephine Cammarata&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Dora Evans&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Fannie Rosen&lt;/strong&gt;, de um ato de piedade foi escrito. Mas o verdadeiro memorial à fogueira das costureiras não está nesse cemitério. Está na carne viva da cidade, que o massacre mudou para sempre e que até o mais "casual" dos turistas pode ver, sem nem sabê-lo. O processo contra os dois sócios proprietários, que as autoridades da cidade perseguiram com toda a fúria e a severidade, reescreveu e impôs a normativa anti-incêndio na cidade que cresceu sem regras. Construiu e tornou obrigatórias aquelas escadas que hoje podem ser vistas pender dos edifícios mais baixos e que todo filme policial ou de terror usa para os pesadelos dos espectadores. Começou a limpeza dos tenement, aqueles prédios coletivos de aluguel, onde as ondas humanas dos novos imigrantes se empilhavam uma sobre a outra, fazendo de Nova York, no início do século passado, a cidade mais densamente povoada do mundo. As regras para a limpeza dos tenements já existiam há 10 anos, mas nem a prefeitura, nem a polícia, nem a magistratura haviam feito com que fossem respeitadas, em nome do crescimento impetuoso e da generosidade ilícita dos senhores dos cortiços. E aquelas 85 horas de trabalho por semana que as moças do oitavo andar tinham que sofrer pareceram, finalmente, intoleráveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As greves dos outros escravos das máquinas de costura na Philadelphia, em Baltimore, no Village e no Garment District de Manhattan, que ainda existe, mas definha na concorrência impossível dos novos escravos que cortam camisas e vestidos no Extremo Oriente, encontraram o apoio de um público que, até aquele incêndio, preferiam se inclinar por aqueles que lhes ofereciam, a qualquer preço, um trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante anos, e em vão, outros operários e operárias da indústria têxtil haviam organizado greves. E, em uma outra fábrica do suor de Nova York, poucos anos antes, se veria o espetáculo inaudito e aterrorizante da primeira greve convocada e organizada inteiramente por mulheres. Os ajustes salariais e as melhorias haviam recém encostado nas moças da Camisaria Triângulo, recrutadas entre as mais jovens, as mais tímidas, as mais dóceis imigrantes da Sicília, dos guetos da Ucrânia e da Rússia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;u&gt;Asch Building&lt;/u&gt; ainda está ali onde estava na tarde do dia 25 de março de 1911, rebatizado como &lt;u&gt;Brown Building&lt;/u&gt; e hoje como parte da &lt;u&gt;New York University&lt;/u&gt;, à qual foi doado. É um edifício pouco interessante, na banalidade do estilo neorrenascentista que disseminou as cidades norte-americanas com palácios semelhantes, e, nas janelas do oitavo andar, hoje sede de respeitáveis estudantes e professores de ciências, há alguns condicionadores de ar. É um lugar um pouco frio, pouco movimentado, estranhamente silencioso apesar da proximidade com a Washington Square, o coração do Village. Não entra em nenhuma foto ou videoclipe de lembrança da viagem a Nova York. Cruzam-se jovens, estudantes, principalmente moças, bonitas, sérias, sorridentes, decididas, ocupadas em viver aquele sonho que outras jovens costuraram também para elas, com a própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-4339172023290529527?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/4339172023290529527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/vittorio-zucconi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4339172023290529527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4339172023290529527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/vittorio-zucconi.html' title='Vittorio Zucconi'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-SMvN5xrlCNQ/TXaaMsuK9NI/AAAAAAAAB2c/nWTNhk3AuRI/s72-c/nyu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7020177723776791402</id><published>2011-03-08T16:50:00.005-03:00</published><updated>2011-03-08T18:10:34.840-03:00</updated><title type='text'>Elio Gaspari</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A má aula da London School of Economics &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo de&amp;nbsp;Elio Gaspari publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 06-03-2011&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Qual a diferença entre a &lt;strong&gt;Maison Dior&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;London School of Economics&lt;/strong&gt;? Uma delas mostrou que é rápida e séria. Ambas são casas de grife. Uma ensina os povos a se vestir. A outra ensina as nações a gerir suas economias. Depois da Segunda Guerra, Dior mandou as mulheres vestirem saias longas, rodadas, e assim elas fizeram, da duquesa de Windsor a Evita Perón.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com 16 prêmios Nobel no currículo, a &lt;strong&gt;London School of Economics&lt;/strong&gt; era a casa de &lt;strong&gt;Friedrich Hayek&lt;/strong&gt; quando ele escreveu "&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O Caminho da Servidão&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;" ensinando que o planejamento central da economia levava os países à ditadura e à ruína. Infelizmente, não o ouviram logo. Passaram pela &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;John Kennedy&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;José Guilherme Merquior&lt;/strong&gt; e o atual presidente da Colômbia, &lt;strong&gt;Juan Manuel Santos&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;FH&lt;/strong&gt;C ganhou um título de &lt;em&gt;doutor honoris causa&lt;/em&gt; e &lt;strong&gt;Mick Jagger&lt;/strong&gt;, matriculado, caiu fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas últimas semanas, tanto a &lt;strong&gt;Maison Dior&lt;/strong&gt; como a &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; foram confrontadas com maus passos. O estilista &lt;strong&gt;John Galliano&lt;/strong&gt; (uma espécie de Tiririca da alta-costura), deu-se a comentários antissemitas e, em duas semanas, foi suspenso e posto na rua. Já a &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; teve que explicar por que deu um titulo de doutorado a &lt;strong&gt;Saif al Islam&lt;/strong&gt;, o filho querido de &lt;strong&gt;Muammar Gaddafi&lt;/strong&gt;, e &lt;u&gt;levou dois anos para comprovar que ele praticara pelo menos 17 plágios&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2009, depois de ter diplomado o moço, a &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; aceitou uma promessa de US$ 2,45 milhões feita por &lt;strong&gt;Gaddafi&lt;/strong&gt; e Saif deu à escola mais US$ 488 mil. Se isso fosse pouco, o &lt;strong&gt;professor David Held&lt;/strong&gt;, orientador do herdeiro, fez uma viagem à Líbia às custas de um programa do papai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O diretor da &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Sir Howard Davies&lt;/strong&gt;, amealhou US$ 50 mil assessorando o fundo soberano líbio. Levou o capilé em 2007, mas se esqueceu de contar. Na sexta-feira, apanhado, pediu demissão, dizendo que "foi um erro". &lt;u&gt;Erro nada, foi cobiça colonial&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; anunciou que devolveria o dinheiro líbio. Demitir gente como a &lt;strong&gt;Maison Dior&lt;/strong&gt; fez com &lt;strong&gt;Galliano&lt;/strong&gt;, nem pensar. Investigar os critérios que a escola usa para receber doações, muito menos. Fez-se tudo à moda dos clubes. &lt;strong&gt;Gaddafi&lt;/strong&gt; sempre foi &lt;strong&gt;Gaddafi&lt;/strong&gt;, a &lt;u&gt;&lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; é que não era exatamente o que se pensava&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a poeira da Líbia assentar, talvez se comece a discutir as relações incestuosas entre universidades, centros de pesquisa e órgão de imprensa com ditadores. &lt;u&gt;Príncipes sauditas espargem dinheiro em instituições americanas como se fossem tâmaras&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;O Cazaquistão abarrota publicações respeitáveis com parolagens autocongratulatórias que elas classificam como "informes especiais".&lt;/u&gt; Isso para não se falar nos seminários de fancaria frequentemente montados nas capitais do circuito Elizabeth Arden. Se cada seminário desses anunciar quanto custa cada sábio-palestrante, lances como o da &lt;strong&gt;LSE&lt;/strong&gt; dificilmente se repetirão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sabedoria convencional ensina que na Jordânia e na Síria funcionam governos policiais e corruptos. Está entendido que o rei Abdula 2º e o presidente Assad são ditadores, mas suas mulheres parecem Cinderelas de um novo tempo. &lt;u&gt;A rainha Rania é ambientalista e tuiteira, com MBA pela Universidade Americana do Cairo, passagens pelo Citibank e pela Apple. É amiga de Nicole Kidman e da infalível Naomi Campbell. Festejou seus 40 anos com 600 convidados globais. Eles brindaram no deserto, pisando em areias umedecidas por jorros de pipas d'água&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Síria reina Asma, mulher do presidente Assad. Estudou no King's College de Londres e passou pelo fundo de derivativos do Deutsche Bank e pelo JP Morgan.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela se dedica a amparar o desenvolvimento rural. É o rosto cosmopolita do governo. Seu marido tem outros interesses: com tecnologia pirata paquistanesa e assistência da Coreia do Norte, montava um reator nuclear que produziria plutônio, e, com ele, umas bombinhas. Em setembro de 2007, a aviação israelense detonou-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;Os ditadores de todo o mundo sabem que universidades ilustres e empresários endinheirados gostam de polir celebridades&lt;/u&gt;. O filho de &lt;strong&gt;Gaddafi&lt;/strong&gt; só se tornou um quindim azedo para a &lt;strong&gt;London School of Economics&lt;/strong&gt; porque ela aceitou seu dinheiro na época errada. &lt;u&gt;Seus doutores precisam de uma consultoria da &lt;strong&gt;Maison Dior&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-yW7SaEv1GpQ/TXabM5nnsxI/AAAAAAAAB2k/yt00ueUaQb4/s1600/London_School_of_Economics_Logo.png" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-yW7SaEv1GpQ/TXabM5nnsxI/AAAAAAAAB2k/yt00ueUaQb4/s200/London_School_of_Economics_Logo.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Grupo ajudou filho de Gadafi em PHD - O Monitor admitiu ter auxiliado o filho de Gaddafi, Saif al Islam, a produzir sua tese de doutorado na London School of Economics em 2008. Nesta semana, veio à tona que o trabalho está repleto de plágios. "Nós nos arrependemos por nosso envolvimento nesse trabalho, que admitimos ter sido mal feito." A informação é do jornal Folha de S. Paulo, 07-03-2011. &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7020177723776791402?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7020177723776791402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/elio-gaspari.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7020177723776791402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7020177723776791402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/elio-gaspari.html' title='Elio Gaspari'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-yW7SaEv1GpQ/TXabM5nnsxI/AAAAAAAAB2k/yt00ueUaQb4/s72-c/London_School_of_Economics_Logo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-514119462529816126</id><published>2011-03-08T15:12:00.003-03:00</published><updated>2011-03-08T18:38:30.706-03:00</updated><title type='text'>Martín Granovsky</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;“Nossos verdadeiros aliados são os nossos vizinhos” &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O artigo é de Martín Granovsky, Página/12&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o Departamento de Estado dos EUA confiava em um fissura cada vez mais importante entre Venezuela e Brasil para recuperar posições na América do Sul, as posições brasileiras parecem desmentir essa ilusão nos fatos e nas ideias. Junto com a queda das exportações brasileiras aos Estados Unidos desapareceu a possibilidade de uma ameaça norte-americana. “&lt;em&gt;Sabem que se quiserem implementá-las, essas sanções seriam ineficazes&lt;/em&gt;”, acaba de escrever o diplomata brasileiro &lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimarães&lt;/strong&gt;. E acrescenta: “&lt;em&gt;Nossos verdadeiros aliados são os vizinhos&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Pinheiro Guimarães&lt;/strong&gt; aponta que hoje o Brasil só exporta 17% de sua produção para os Estados Unidos. Essa cifra é que tornaria impossível de cumprir uma eventual represália como a que, recorda o diplomata, Washington empregou em 1987 com as patentes farmacêuticas. Quando Fernando Collor de Mello assumiu como presidente, em 1989, satisfez em cascata as exigências norte-americanas, que questionavam a Lei da Informática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O diplomata acaba de escrever algumas reflexões no prefácio ao livro “&lt;strong&gt;Relações Brasil-Estados Unidos no contexto da globalização: rivalidade emergente&lt;/strong&gt;”, do pesquisador &lt;strong&gt;Luiz Alberto Moniz Bandeira&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Pinheiro Guimarães&lt;/strong&gt; foi vice-chanceler do &lt;strong&gt;Luiz Inácio Lula da Silva&lt;/strong&gt; e ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Por proposta de Lula, o Mercosul – que, para os EUA, é um “organismo antinorte-americano”, conforme telegrama divulgado por Wikileaks – designou-o em dezembro passado como seu Alto Representante com atribuições de negociar em nome do bloco, propor a formulação de estratégias e articular políticas comuns. O secretário do organismo é o argentino &lt;strong&gt;Agustín Colombo Sierra&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seguir, alguns trechos do texto escrito por &lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimarães&lt;/strong&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Um indicador da crescente hegemonia norte-americana é a ressurreição do Conselho de Segurança das Nações Unidas logo após a posse de Boris Yeltsin e Alexandre Kozirev, que alinharam a política russa à política externa norte-americana. Na prática, este alinhamento redundou na desaparição dos vetos russos, que passaram de um total de 118 no período 1945-1991 para apenas 4 no período 1992-2009. Como resultado, os EUA obtiveram, inclusive sem a oposição da China, apoio para suas ações de punição política, comercial ou militar&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Em 1988, os gastos militares norte-americanos eram de 533 bilhões de dólares. Entre 1988 e 2009 registraram um aumento acumulado de 10,376 bilhões de dólares, contra 1,683 bilhões do segundo país em gastos militares, a Rússia&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Em 1988, a renda per capita dos oito principais países desenvolvidos (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Austrália) era de 18.000 dólares, e a renda média per capita dos oito principais países subdesenvolvidos (China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México, Argentina e África do Sul) era de 1300 dólares. A diferença era, em 1988, de 16.700 dólares. Em 2008, a renda per capita média dos oito países desenvolvidos alcançou os 43.000 dólares e a renda média dos oito principais subdesenvolvidos chegou a 6.000. A diferença aumentou de 16.700 para 37.000&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Os Estados Unidos possuem a moeda de reserva e de uso internacional, o dólar, e são, sem dúvida, para os grandes capitalistas – quer se trate de megaempresas, megabancos, megafundos ou indivíduos de alta renda – o centro do sistema capitalista internacional e seu baluarte. Estes sucessos norte-americanos encontram-se, na verdade, entrelaçados. A elite norte-americana está absolutamente convencida de que tudo o que ocorre em todos os países que integram o sistema internacional é de interesse para sua sociedade e para sua sobrevivência&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O Brasil atravessa um momento de sua história onde as classes populares, conduzidas pelo Partido dos Trabalhadores e pelos partidos progressistas sob a liderança do presidente Lula, iniciaram um processo de transformação econômica, política e social para construir uma sociedade democrática de massas. Todavia, diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil é um país subdesenvolvido e está na periferia do sistema internacional&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O Brasil vive um momento de transformação na natureza da inserção de sua sociedade e de seu Estado no sistema internacional. A estrutura do comércio exterior se alterou, reduzindo muitíssimo a dependência da economia brasileira não somente em relação a terceiros mercados como também em relação a produtos específicos. Os fluxos de investimento direto estrangeiro se diversificaram, com um aumento significativo da participação de capitais de novas origens. O Brasil passou de devedor a credor internacional, acumulando reservas de quase 300 bilhões de dólares, maiores que as da França, Inglaterra e Alemanha. O Brasil passou a exportar capitais por meio de empréstimos e investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O presidente José Sarney assumiu a presidência em um momento delicado da política brasileira, e foi capaz de conduzir a transição de um regime autoritários para um regime democrático em meio a uma pertinaz crise econômica. Garantiu a liberdade de imprensa, iniciou um processo de firme aproximação com a Argentina, base do futuro Mercosul, resistiu às pressões para adotar medidas arbitrárias, convocou a Assembleia Constituinte, promulgou a Constituição de 1988 e enfrentou, com serenidade, uma campanha eleitoral de grande violência verbal contra ele e sua família. Desempenhou um papel fundamental na transição democrática e apoiou programas estratégicos vitais para o Brasil, como os programas nuclear, espacial e cibernético. Ao resistir às pressões norte-americanas para desmantelar esses programas contrariou poderosos interesses econômicos e políticos, nacionais e estrangeiros. Talvez seja essa a razão do antagonismo sistemático que é dirigido contra sua pessoa por setores dos grandes meios de comunicação&lt;/em&gt;” (Nota do autor: Sarney é o presidente do Senado, resultado de um acordo com o PT).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Vivemos o momento em que se desenvolve a estratégia de transformar a inserção – política, econômica e tecnológica – no mundo por meio de uma nova ação do Brasil na América do Sul, na África, no Oriente Próximo e nos organismos internacionais, frente às grandes potências e na conquista da autonomia em relação ao Fundo Monetário Internacional&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;É necessário, prudente e proveitoso manter as melhores relações com as grandes potências, devido a sua importância no mundo em geral e para o Brasil em particular, mas fundamo-nos nos princípios de igualdade soberana, reciprocidade, não intervenção e autodeterminação, sem perder de vista que os interesses nacionais brasileiros, que são os de um país subdesenvolvido, apesar de seu extraordinário potencial, não são idênticos aos interesses nacionais de cada uma das grandes potências em geral e, muito menos, aos interesses da maior potência mundial, os Estados Unidos&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;“(Desenvolvemos) uma política altiva, ativa, soberana, não intervencionista, não impositiva, não hegemônica, que luta pela paz e pela cooperação política, econômica e social, em especial com os países vizinhos e irmãos sul-americanos, começando pelos países sócios do Brasil no Mercosul, um destino comum que nos une, com os países da costa ocidental da África, também nossos vizinhos, e com países semelhantes: com mega-populações, mega-territoriais, mega-diversos, mega-ambientais, megaenergéticos, mega-subdesenvolvidos, mega-desiguais. Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos, daqui e de ultramar, com os quais nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado, e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-IxqWIOWQJ38/TXahwUR1WsI/AAAAAAAAB2s/ObSi9dICqrk/s1600/mercosul.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="145" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-IxqWIOWQJ38/TXahwUR1WsI/AAAAAAAAB2s/ObSi9dICqrk/s200/mercosul.gif" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-514119462529816126?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/514119462529816126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/martin-granovsky_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/514119462529816126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/514119462529816126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/martin-granovsky_08.html' title='Martín Granovsky'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-IxqWIOWQJ38/TXahwUR1WsI/AAAAAAAAB2s/ObSi9dICqrk/s72-c/mercosul.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3138250090652308199</id><published>2011-03-08T14:47:00.001-03:00</published><updated>2011-03-08T18:30:57.273-03:00</updated><title type='text'>Martín Granovsky</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Para EUA, Mercosul é “antinorteamericano” &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Martín Granovsky, Página/12. Tradução: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela primeira vez vem a público um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos que qualifica o Mercosul como um organismo “antinorteamericano”. Não consta nos arquivos públicos nenhuma menção neste sentido por parte de uma autoridade do Departamento de Estado. O documento ao qual o Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “&lt;em&gt;A entrada da Venezuela no Mercosul altera claramente o balanço e a dinâmica da organização&lt;/em&gt;”, diz o texto. “&lt;em&gt;O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reunião ocorreu nos dias 8 e 9 de maio de 2007 no Rio de Janeiro. O telegrama com um resumo foi classificado como secreto no dia 17 de maio pelo número dois da embaixada no Paraguai, Michael J. Fitzpatrick. Seu título original é “&lt;strong&gt;Conferência: uma perspectiva do Cone Sul sobre a influência de Chávez&lt;/strong&gt;”. Participaram os embaixadores norteamericanos no Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile, e o relatório agradece ainda as contribuições da embaixada na Bolívia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase quatro anos depois do encontro adquire ainda mais importância que tenha sido um diplomata sediado no Paraguai o encarregado de qualificar o grau de confidencialidade da reunião. O protocolo de adesão da Venezuela foi firmado em março de 2006. Mas até hoje não entrou em pleno vigor porque um país só passa a ser membro pleno do Mercosul quando os parlamentos dos países que já são membros ratificam a decisão dos poderes executivos. A única coisa que falta para a entrada da Venezuela no bloco é, hoje, a ratificação do Senado paraguaio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última reunião do Mercosul (Foz do Iguaçu, em 2010), a presidenta Cristina Fernández de Kirchner disse que “&lt;em&gt;a incorporação da Venezuela ao Mercosul, além de aportar sua generosidade, vai ajudar estrategicamente a consolidar-nos em uma das frentes mais importantes deste século, a energética&lt;/em&gt;”. Cristina disse confiar “&lt;em&gt;nos irmãos do Paraguai&lt;/em&gt;”, destacou o Mercosul como um bloco que permitiu deixar para trás uma hipótese absurda como o enfrentamento entre a Argentina e o Brasil e acrescentou que o peso dos mercados internos dos dois países permitiu “&lt;em&gt;superar a crise global mais importante desde 1930&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O atrativo de Chávez&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conclusão final dos embaixadores é que “&lt;em&gt;a campanha de Chávez para expandir sua influência no Cone Sul é multifacetada e repousa em boa medida, mas não totalmente, em uma generosa assistência energética e em acordos de investimento&lt;/em&gt;”. Concede que a figura de Chávez pode ser “&lt;em&gt;atrativa para muitos dos despossuídos da região, que todavia esperam que a globalização lhes traga os benefícios do livre comércio e o governo verdadeiramente democrático&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo o telegrama, “&lt;em&gt;ao integrar a Venezuela às instituições existentes e ao criar novos organismos regionais, Chávez quer que o Cone Sul siga essa ideia&lt;/em&gt;”. Que resultados teria produzido a suposta campanha do presidente venezuelano? “&lt;em&gt;Poucos países provaram ser capazes de resistir ao atrativo da ajuda venezuelana e de seus pacotes de investimento&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a sorte dos críticos da integração venezuelana, “&lt;em&gt;ao mesmo tempo que a influência de Chávez na região se expandiu significativamente, os líderes regionais suspeitam de seus motivos e objetivos&lt;/em&gt;”. Muitos desses líderes “&lt;em&gt;coincidem na ideia de que o Cone Sul, e sobretudo a América do Sul, deve estabelecer uma identidade separada em relação à hegemonia norte-americana, mas não se sentem cômodos se são usados&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma frase dos embaixadores indica o estado do diagnóstico estadunidense: “&lt;em&gt;os Estados Unidos não podem esperar que os líderes da região corram em nossa defesa&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois do diagnóstico vem a recomendação: “&lt;em&gt;Precisamos nos convencer da necessidade de implementar uma estratégia transparente para a região&lt;/em&gt;”. O texto segue assim: “&lt;em&gt;Nossa ideia de uma comunidade de nações democrática e inclusiva que assegura a perspectiva de um futuro mais próspero para seus cidadãos é a resposta correta a Chávez&lt;/em&gt;”. Os participantes também pediram “&lt;em&gt;mais ferramentas e recurso&lt;/em&gt;” para se contrapor ao que definem como “&lt;em&gt;esforços políticos de rachar a democracia, desenhar estratégias econômicas para estrangular o comércio livre, a politização do Mercosul, a expansão das relações na área da Defesa e a campanha nos meios de comunicação de massa&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;País por país&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os diplomatas reunidos no Rio de Janeiro se manifestaram convencidos de que existe uma campanha pública de Chávez e outra clandestina, de distribuição de recursos, e analisaram a posição dos governos da América do Sul detalhadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso argentino, um dado chave é o fato de que, segundo os participantes, “&lt;em&gt;uma pesquisa realizada em dezembro de 2006 apontava que Chávez era popular para 52% dos argentinos&lt;/em&gt;” e que a imagem dos EUA não era popular. Ao mencionar o nome de Néstor Kirchner, então presidente da Argentina, o relatório diz que “&lt;em&gt;Kirchner tentou distanciar-se publicamente da posição antinorte-americana de Chávez e tratou de manter a percepção de uma linha mais independente para resultar potável ao eleitor médio, mas sua estratégia econômica claramente busca laços mais estreitos com Chávez no comércio e nas finanças, procurando posicionar-se, além disso, entre Lulz e Chávez no espectro regional&lt;/em&gt;”. Na visão estadunidense, Kirchner tentava balancear a relação com Chávez. “&lt;em&gt;Isso é evidente no apoio de Kirchner e sua esposa à comunidade judia da Venezuela e, simultaneamente, no fato de que tenham se abstido de qualquer comunicado em favor da liberdade de imprensa no caso da RCTV, por exemplo&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Ainda que Kirchner compartilhe algumas das posturas esquerdistas de Chávez, ele é muito mais um pragmático&lt;/em&gt;”, diz o texto. E nomeia os empréstimos de 4,2 bilhões de dólares concedidos a Argentina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O documento assinala ainda que “&lt;em&gt;o que levou o Brasil a apoiar a admissão da Venezuela no Mercosul foi a crença de que Chávez poderia ser controlado mais facilmente dentro do organismo do que se deixado a sua própria inspiração fora dele&lt;/em&gt;”. O texto põe em questão essa ideia com dois exemplos. Um, que Chávez estimulou Evo Morales a nacionalizar a Petrobras na Bolívia. Outro, que Chávez disputava protagonismo com Lula nas reuniões do Mercosul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Esse atrito oferece uma oportunidade&lt;/em&gt;”, analisa o texto (e parece encher-se de esperança) classificado por Fitzpatrick em 2007. Obviamente se refere a uma oportunidade para os EUA causar alguma erosão nas relações do bloco sulamericano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, quando Morales nacionalizou o petróleo, nacionalizou também a Petrobras e não só a Petrobras. Brasil se irritou com a ocupação militar das suas unidades, mas um diálogo entre os dois países solucionou a diferença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tampouco houve, finalmente, uma disputa de protagonismo entre Lula e Chávez, a tal ponto que o então presidente brasileiro seguiu impulsionando a entrada da Venezuela no Mercosul. O Senado brasileiro ratificou a posição em 2009, com Lula presidente. E sua sucessora, Dilma Rousseff, disse em janeiro último em uma entrevista com meios de comunicação argentinos, entre eles Página/12, que “&lt;em&gt;a Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás&lt;/em&gt;”. Opinou que o país “&lt;em&gt;tem muito a ganhar entrando no Mercosul, e nós com sua presença&lt;/em&gt;”. Também tocou na questão da liderança, mas despersonalizou-a, preferindo colocá-la em um plano binacional argentino-brasileiro por tamanho e desenvolvimento econômico. “&lt;em&gt;Até para os outros países é absolutamente importante que Brasil e Argentina estejam juntos porque não é uma relação de hegemonia a que os dois países se propõem a estabelecer com o resto da América Latina&lt;/em&gt;”, declarou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na visão norte-americana daquele momento, outro tema a seguir de perto eram os contatos militares venezuelanos e, no caso da Bolívia, os supostos contatos na área da inteligência. Até o Uruguai aparece sob suspeita, porque segundo o telegrama os temas relacionados à segurança, do então presidente Tabaré Vázquez, eram implementados no dia a dia por seu irmão, Jorge, “&lt;em&gt;um ex-membro da guerrilha POR-33&lt;/em&gt;”. Vázquez, subsecretário do Interior, teria trabalhado segundo os Estados Unidos com “&lt;em&gt;agentes do serviço secreto recrutados sob o guarda-chuva da central sindical PIT-CNT, dominada pelo Partido Comunista, e treinados em Caracas e Havana&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, a OPR-33 foi mais libertária do que comunista e na PIT-CNT há também peso de socialistas e do Movimento de Participação Popular do ex-tupamaro Pepe Mujica. Jorge Vázquez é o mesmo que denunciou no Uruguai uma campanha por meio do qual teria sido falsamente acusado de armazenar para o Irã em combinação com a Venezuela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3138250090652308199?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3138250090652308199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/martin-granovsky.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3138250090652308199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3138250090652308199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/martin-granovsky.html' title='Martín Granovsky'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-4538111592696912833</id><published>2011-03-08T14:37:00.001-03:00</published><updated>2011-03-08T18:49:51.921-03:00</updated><title type='text'>Bernard Cassen</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;The Economist prega guerra contra funcionários públicos &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Artigo de Bernard Cassen, Le Monde Diplomatique (edição em espanhol). Tradução: Marco Aurélio Weissheimer. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-XjeCUqiBDg0/TXakY_2kAjI/AAAAAAAAB2w/mm4WFK5KtcM/s1600/greve.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="141" q6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-XjeCUqiBDg0/TXakY_2kAjI/AAAAAAAAB2w/mm4WFK5KtcM/s200/greve.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A revista &lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt; é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as &lt;strong&gt;teses ultraneoliberais&lt;/strong&gt;. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que &lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt; preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “&lt;em&gt;A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “&lt;em&gt;65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt; festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta solidariedade é a que os governos querem destruir a todo custo para reduzir a capacidade de resistência das populações contra os planos de ajuste e de austeridade implementados em toda a Europa. Os déficits públicos constituem assim um pretexto inesperado para modificar as relações sociais conflitivas em detrimento do mundo do trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Defender os serviços públicos é defender o único patrimônio do qual dispõem as categorias mais pobres da população&lt;/strong&gt;. A aposta na caça aos funcionários públicos e a seus sindicatos proposta por &lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt; não é apenas financeira. É política ou [e]&amp;nbsp;ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-4538111592696912833?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/4538111592696912833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/bernard-cassen.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4538111592696912833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4538111592696912833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/bernard-cassen.html' title='Bernard Cassen'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-XjeCUqiBDg0/TXakY_2kAjI/AAAAAAAAB2w/mm4WFK5KtcM/s72-c/greve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3956315007847669850</id><published>2011-03-08T14:33:00.001-03:00</published><updated>2011-03-08T18:57:34.528-03:00</updated><title type='text'>Lev Grinberg</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os limites da democracia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-haT-Mlz3vyQ/TXamM5AS7wI/AAAAAAAAB20/MaexoixPnpE/s1600/democracia-falsa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" q6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-haT-Mlz3vyQ/TXamM5AS7wI/AAAAAAAAB20/MaexoixPnpE/s200/democracia-falsa.jpg" width="166" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O artigo é de Lev Grinberg/Al Jazeera, professor de Economia Política e Sociologia na Universidade Ben Gurion, de Negev, Israel, e autor de “Politics and Violence in Israel/Palestine: Democracy vs. Military Rule”. Tradução: Katarina Peixoto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo egípcio tem muitas razões para estar orgulhoso. Deu ao mundo uma brilhante lição sobre como derrubar um ditador em três semanas e quase sem violência. Sua mensagem de liberdade, unidade e solidariedade permanecerá por muito tempo na memória coletiva do Oriente Médio e do mundo. O caminho para a democracia é, agora, muito mais longo. Mas a sabedoria política que os manifestantes egípcios têm demonstrado até agora é uma boa razão para crer que superarão os duros obstáculos que os esperam. No entanto, é necessário advertir aos democratas do Egito e, sobretudo, aqueles que os sigam no Oriente Médio, que a democracia não é a solução para todos os problemas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A democracia não resolve necessariamente os problemas da pobreza e da desigualdade econômica, nem os conflitos culturais vinculados à identidade comum dos cidadãos de uma nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Uma fórmula ocidental&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O motivo essencial pelo qual a democracia carece de resposta para tais assuntos é que seus princípios foram formulados em sociedades capitalistas industriais, caracterizadas por uma considerável homogeneidade cultural e por brechas econômicas relativamente pequenas. &lt;strong&gt;A democracia é um conjunto de princípios formais desenvolvidos na Europa ocidental com o objetivo de facilitar a representação e a articulação das classes média e trabalhadora e concebida para conter de forma pacífica os conflitos entre estas e a classe alta. &lt;/strong&gt;Quando não há um equilíbrio de poder entre as classes, nem uma identidade nacional única e consensuada, a instalação automática dos princípios democráticos formais poderia inclusive piorar as coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para impedir que isso ocorra, é preciso entender as condições sociais e econômicas peculiares de cada país e colocar em jogo não só os princípios democráticos, mas também outros fatores constitucionais, institucionais e políticos. Se existe um vínculo sistemático entre a identidade cultural e o status econômico, a democracia se converte mais em um problema do que em uma solução, pois exacerba os conflitos culturais até o ponto da violência ao criar uma oportunidade formal para que a maioria force a vontade da minoria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sociólogo político &lt;strong&gt;Michael Mann&lt;/strong&gt; demonstrou que, nestes casos, a democracia só serve para intensificar as tensões entre grupos raciais e étnicos, ao que eu agregaria – no contexto do Oriente Médio – o conflito entre grupos confessionais e entre setores religiosos e laicos. O exemplo mais recente foi a democratização da ex-federação da Iugoslávia, que conduziu a dez anos de guerras e à divisão em sete estados, acompanhadas de genocídio e limpeza étnica. O caso mais antigo foi o dos Estados Unidos. &lt;strong&gt;A constituição democrática que anunciava “&lt;em&gt;um governo do povo&lt;/em&gt;” começou com um massacre dos povos indígenas americanos porque eles não estavam incluídos no “nós, o povo” dos Estados Unidos&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta advertência pode resultar irrelevante para o Egito, que goza de um patrimônio nacional excepcional, homogeneidade cultural e uma tradição de tolerância com minorias religiosas, como os cristãos coptas e os judeus, assim como de muito respeito entre crentes devotos e não praticantes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a adoção do caminho egípcio em outros países da região, como Irã, Bahrein e Líbia, já indica outras possibilidades e o mesmo pode-se esperar de processos similares que iniciaram na Jordânia – com conflitos entre suas populações beduína e palestina – e na Síria – entre os muçulmanos sunitas e os alawis – e que constituem o contexto de tensões sociais em países como democracias formais como Iraque e Líbano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Israel, a violenta repressão à Intifada (levante palestino) de Al-Aqsa, em 2000, demonstrou que o grupo étnico que exerce o poder não cede controle político e econômico nem mediante a democratização nem outorgando a independência, a menos que os poderes das duas partes se equilibrem, como no caso na secessão entre o sul e o norte do Sudão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Em busca do consenso político&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem busca a democracia nessas condições deve encontrar primeiro fórmulas originais e consensuadas, sob as quais cada grupo cultural seja livre para seguir sua própria cultura sem tentar impor sua identidade e costumes ao resto da cidadania. Em outras palavras, protestar e se manifestar pela democracia não basta. Os países do Oriente Médio precisam é de um &lt;strong&gt;consenso político sobre o reconhecimento recíproco de direitos e a coexistência&lt;/strong&gt;, garantidos mediante uma constituição e institucionalizados por processos eleitorais e instituições representativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Egito, sim, deve se preocupar, em troca, com a desigualdade econômica e a pobreza que afeta a maioria de sua população. Sem solucionar esses problemas, até o regime mais democrático pode ser sacudido por novos protestos populares e dar lugar a novas formas de autoritarismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um bom exemplo desses fracassos da democracia se materializou em dezembro de 2001 na Argentina, quando a população tomou conta das ruas exigindo que “&lt;em&gt;se vayan todos&lt;/em&gt;” os políticos e derrubando cinco presidentes em poucos dias. Isso ocorreu apenas dois anos após a realização de eleições democráticas que levaram ao poder uma ampla coalizão de partidos de centroesquerda, que prometia superar uma profunda crise econômica, mas não o fez. O governo eleito se inclinou, em troca, por seguir as políticas ditadas pelo &lt;strong&gt;Fundo Monetário Internacional&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;(FMI),&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;que protegia os interesses dos investidores estrangeiros contra os das classes assalariadas e médias&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;A crise fez com que todos que tinham depósitos bancários perdessem 70% de seus ativos com a benção do FMI&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, o Egito deve entender que, embora a democracia seja essencial, nenhuma constituição ou sistema de governo resolverá seus problemas econômicos. Logo após as eleições, as novas autoridades devem passar do discurso liberal da democracia à discussão de questões fundamentais da estrutura econômica do país. Neste processo, se verão obrigadas a descobrir que é muito mais difícil arrancar um sistema econômico corrupto pela raiz do que derrubar um ditador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3956315007847669850?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3956315007847669850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/lev-grinberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3956315007847669850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3956315007847669850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/03/lev-grinberg.html' title='Lev Grinberg'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-haT-Mlz3vyQ/TXamM5AS7wI/AAAAAAAAB20/MaexoixPnpE/s72-c/democracia-falsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-3492995253651628894</id><published>2011-02-10T22:39:00.000-03:00</published><updated>2011-02-10T22:39:14.177-03:00</updated><title type='text'>Confirma-se drástico ajuste fiscal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O Portal G1 mostra o corte gigantesco de R$ 50 bilhões do orçamento de 2011, anunciado pelos Ministros da Fazenda e Planejamento. Confirmam-se, assim, todos os alertas dados pela Auditoria Cidadã da Dívida em diversas edições anteriores deste boletim, a respeito de um enorme ajuste fiscal do governo Dilma, que assim mantém a aprofunda a política neoliberal dos governos anteriores. A reportagem é do sítio &lt;strong&gt;Auditoria Cidadã da Dívida&lt;/strong&gt;, 09-02-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-x4TuBWYvo4A/TVSTIwG3oSI/AAAAAAAAB2M/qNGs3f54_4Q/s1600/CPI.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-x4TuBWYvo4A/TVSTIwG3oSI/AAAAAAAAB2M/qNGs3f54_4Q/s1600/CPI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A justificativa oficial para estes cortes é que isso reduziria a quantidade de dinheiro em circulação na economia, reduzindo a atividade econômica e a inflação, permitindo assim que o Banco Central não subisse os juros para combater a alta de preços. Porém, o país já aplica esta política de cortes de gastos sociais há mais de uma década e ainda praticamos a maior taxa de juros do mundo, que ainda vai subir mais!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na realidade, todos estes cortes ceifam direitos sociais urgentes da população brasileira para priorizar o pagamento da questionável dívida pública, que deveria ser auditada, conforme prevê a Constituição Federal de 1988.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra consequência destes cortes é mostrada pelo Jornal Estado de São Paulo: o governo fechou questão sobre o valor do salário mínimo de R$ 545, e enquadrou a sua base parlamentar a votar a favor deste valor. Os deputados que votarem por um valor maior poderão ser punidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O argumento é sempre o mesmo: falta de recursos para o pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais, ignorando que a Previdência está inserida na Seguridade Social, cujas receitas superaram as despesas em R$ 32,6 bilhões em 2009, conforme publicação da ANFIP (pág 19), valor este suficiente para elevar o salário mínimo para R$ 660. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Jornal O Globo repercute a taxa de inflação de janeiro (IPCA, que atingiu 0,83%), citando a opinião de especialistas ligados ao mercado financeiro de que seria necessário se aumentar os juros (que já são os maiores do mundo) para segurar a alta de preços. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, analisando-se a composição desta inflação, conforme divulgado pelo IBGE, verifica-se que nada menos que 67% desta inflação se deveu aos itens de transportes e alimentos, ou seja, decorreu principalmente dos aumentos nas tarifas de ônibus (definidos pelos municípios) e de queda na oferta de alimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante comentar que um aumento na taxa de juros pelo Banco Central não faz com que os prefeitos deixem de aumentar as tarifas de ônibus, nem faz com que haja uma maior oferta de alimentos, e nem que as pessoas deixem de consumir estes alimentos, ou deixem de pegar ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na realidade, as altas taxas de juros beneficiam os rentistas da dívida pública, às custas do povo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-3492995253651628894?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/3492995253651628894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/confirma-se-drastico-ajuste-fiscal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3492995253651628894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/3492995253651628894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/confirma-se-drastico-ajuste-fiscal.html' title='Confirma-se drástico ajuste fiscal'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-x4TuBWYvo4A/TVSTIwG3oSI/AAAAAAAAB2M/qNGs3f54_4Q/s72-c/CPI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-7489908406114332994</id><published>2011-02-10T22:16:00.000-03:00</published><updated>2011-02-10T22:16:58.566-03:00</updated><title type='text'>Bia Barbosa</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Boaventura defende ações coordenadas para implodir o sistema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Bia Barbosa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lQNJvNqs0sE/TVSN4zINeWI/AAAAAAAAB2I/Qm3QwR1iMjM/s1600/boaventuraFSM.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="133" src="http://2.bp.blogspot.com/-lQNJvNqs0sE/TVSN4zINeWI/AAAAAAAAB2I/Qm3QwR1iMjM/s200/boaventuraFSM.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Em 2003, as reações globais planejadas no &lt;strong&gt;Fórum Social Mundial&lt;/strong&gt; contra a anunciada invasão do Iraque ganharam visibilidade em todo o planeta. No entanto, não foram eficazes a ponto de impedir o início da guerra mais brutal deste milênio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucos meses, o mundo despertou para novas formas de mobilização que, estas sim, têm se mostrado conseqüentes, com a queda do ditador &lt;em&gt;Ben-Ali da Tunísia&lt;/em&gt;, a situação cada vez mais delicada do presidente do &lt;em&gt;Egito&lt;/em&gt;, o também ditador &lt;em&gt;Mubarak,&lt;/em&gt; além do crescimento dos protestos no Iêmen e Jordânia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pergunta colocada nesta quarta-feira (9) pelo sociólogo português &lt;strong&gt;Boaventura de Sousa Santos&lt;/strong&gt; (foto)aos ativistas do FSM foi: como produzir muitos Cairos ao mesmo tempo a ponto de mudar o sistema?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Nosso desafio é criar protestos sociais simultâneos e sincronizados em todo o mundo, com diferentes agendas políticas, mas convergentes na crítica aos Estados não legítimos. O que é novo no Cairo é que, ali, a partir da troca de informações, conseguiu-se uma sinergia na ação do ponto de vista nacional. Mas ainda não conseguirmos promover ações globais para desestabilizar o capitalismo&lt;/em&gt;”, disse. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O tipo de protesto que existe no Cairo é eficaz para derrubar ditadores, mas não podemos passar de uma ditadura pró-Estados Unidos, pró-Israel, anti-Irã e anti-Islã para uma democracia pró-Estados Unidos, pró-Israel, anti-Irã, anti-Palestina. Precisamos de transformações mais profundas. Não para derrubar Ben-Alis e Mubaraks, mas para derrubar o sistema capitalista&lt;/em&gt;”, afirmou &lt;strong&gt;Boaventura&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Novos atores&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na busca deste objetivo, duas tarefas estariam colocadas para aqueles que batalham por um outro mundo possível. A primeira, acredita o sociólogo, é rever a diferença e a separação existente hoje entre sociedade civil organizada e cidadãos comuns, que podem cumprir um papel central nestes processos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Os protestos no Cairo passam à margem dos movimentos sociais. Sem dúvida não podemos entender o que acontece lá sem olharmos para as greves em curso no país há três anos, mas o que houve no Egito foram pessoas que não estavam necessariamente preparadas para a luta e, de repente, entraram em ação. Precisamos saber encontrar este momento&lt;/em&gt;”, analisou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa constatação coloca um novo desafio para o &lt;strong&gt;Fórum Social Mundial&lt;/strong&gt;, que passou os últimos anos discutindo, entre todos os seus temas, a relação que os movimentos teriam com os partidos políticos. Agora se mostra necessário considerar e conseguir envolver sobretudo a juventude não organizada no conjunto dos agentes de transformação social e política com os quais o &lt;strong&gt;FSM&lt;/strong&gt; dialoga. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O cara a cara no Fórum Social é fundamental. Mesmo com os problemas de organização que estamos tendo, estamos felizes de entrar em contato com tudo isso. A parte do mundo real vai ser sempre importante, porque não sei beber e dançar virtualmente, isso não me dá prazer&lt;/em&gt;”, ressaltou &lt;strong&gt;Boaventura&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ele, “&lt;em&gt;precisamos de outra relação entre o mundo real e virtual. É preciso pensar em um outro formato, dar outra dimensão mais organizada e ativa para não perdermos a eficácia. Estamos sempre repensando o FSM, mas precisamos continuar a fazer isso para envolver outras pessoas&lt;/em&gt;”, acredita. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ideologia e novas tecnologias&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é aí que se coloca a segunda tarefa levantada por &lt;strong&gt;Boaventura&lt;/strong&gt; aos altermundistas: como descobrir onde os cidadãos e cidadãs não organizadas buscam ideologia? O caminho pode ter sido mostrado também pelos manifestantes que conseguiram derrubar &lt;em&gt;Ben-Ali&lt;/em&gt; e agora pedem a cabeça de &lt;em&gt;Mubarak&lt;/em&gt;: as novas tecnologias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para além de explorar o uso das redes sociais e da internet como um todo para a sensibilização dos povos em geral, o sociólogo português acredita que o &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt;, como uma metáfora da comunicação insurgente, pode contribuir consideravelmente para a desestabilização do sistema capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;O WikiLeaks não é parte do movimento anti-capitalista. Mas vai contra os segredos das multinacionais e dos Estados. Precisamos saber como nos beneficiar das informações que estão disponíveis. O Fórum de Davos tem informações estratégicas às quais nós não temos acesso. O WikiLeaks poderia nos ajudar a produzir um relatório do mundo que queremos&lt;/em&gt;”, avalia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A estratégia seria, portanto, conseguir se beneficiar deste conteúdo de forma mais célere do que imperialismo. Não deixar acontecer o mesmo que se passou com a Revolução Cubana, cuja viabilidade ainda estava sendo debatida pelas forças de esquerda enquanto os Estados Unidos já haviam criado um instrumento contra a revolução. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para que tal cenário seja possível, o movimento altermundista precisa superar uma barreira criada pelo próprio &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt; como uma forma de proteger sua credibilidade e possibilitar sua sobrevivência: a mediação dos grandes meios de comunicação do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sugestão de &lt;strong&gt;Boaventura Souza Santos&lt;/strong&gt; é que o &lt;strong&gt;Fórum Social Mundial&lt;/strong&gt; solicite acesso aos dados do &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt; antes de eles serem tratados pelos grandes jornais. “&lt;em&gt;Há documentos que não interessam a eles e são muito ricos para nós. Muitas informações estratégicas para o movimento não foram divulgadas&lt;/em&gt;”, afirmou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, a mobilização da mídia alternativa já conseguiu fazer com que o &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt; revisse sua forma de divulgação dos documentos no país. A partir da próxima semana, o público brasileiro vai poder escolher quais os temas que devem ser pesquisados no arquivo de documentos e publicados no site do &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt;. Todos os pedidos serão publicados, e os temas mais pedidos terão prioridade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a divulgação, o &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt; construiu uma parceria com uma série de blogs e veículos independentes. Até agora, como acontece em todo o mundo, O Globo, Folha e &lt;strong&gt;WikiLeaks&lt;/strong&gt; estavam usando seus critérios para julgar quais documentos seriam publicados. Dessa vez, o próprio público vai decidir, invertendo a lógica da produção da informação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-7489908406114332994?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/7489908406114332994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/bia-barbosa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7489908406114332994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/7489908406114332994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/bia-barbosa.html' title='Bia Barbosa'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lQNJvNqs0sE/TVSN4zINeWI/AAAAAAAAB2I/Qm3QwR1iMjM/s72-c/boaventuraFSM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-4658785684728771178</id><published>2011-02-10T22:06:00.000-03:00</published><updated>2011-02-10T22:06:29.203-03:00</updated><title type='text'>Bernardo Mello</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Fórum Social faz do Cairo exemplo para ser seguido &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Reportagem de Bernardo Mello Franco publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 10-02-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O levante foi exaltado por ativistas, intelectuais e políticos. Para eles, o Egito mostra como usar a comunicação instantânea para mobilizar massas e desestabilizar regimes autoritários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;O desafio da próxima década é criar protestos simultâneos em vários países&lt;/em&gt;", disse ontem o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, uma das estrelas do encontro. "&lt;em&gt;Não queremos Cairos globais, mas muitos Cairos ao mesmo tempo&lt;/em&gt;."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A declaração lembra o mote de Che Guevara nos anos 60: "&lt;em&gt;Criar um, dois, três, muitos Vietnãs&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro tema debatido no fórum é a divulgação de telegramas do WikiLeaks. Ativistas acusam o grupo de "privilegiar" a grande imprensa. A Folha é um dos seis veículos que têm acesso prévio aos documentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em sua segunda edição na África, o encontro de movimentos antiglobalização enfrenta problemas com a desorganização e a estrutura precária do Senegal. Debates foram cancelados por sobreposição de horários ou falta de auditórios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das vítimas foi o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), chefe da delegação brasileira no evento. Um evento em que ele falaria foi "desalojado" sem aviso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O petista estudou antecipar a volta ao país, mas foi convencido a ficar por militantes do PT, que improvisaram uma roda de cadeiras para ouvi-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-4658785684728771178?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/4658785684728771178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/bernardo-mello.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4658785684728771178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4658785684728771178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/bernardo-mello.html' title='Bernardo Mello'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-4496036433326848466</id><published>2011-02-10T21:51:00.000-03:00</published><updated>2011-02-10T21:51:58.451-03:00</updated><title type='text'>Marshall Auerback</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Brevíssima história de 40 anos de políticas neoliberais &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo de Marshall Auerback/SinPermisom,&amp;nbsp; analista econômico, pesquisador do Roosevelt&amp;nbsp; Institute, colaborador da New Economic Perspectives e da NewDeal 2.0. Tradução para SinPermiso: Casiopea Altisench. Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YtJSMfqJCNM/TVSICDmEBSI/AAAAAAAAB2E/WrSHXcONcDo/s1600/neoliberalismo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-YtJSMfqJCNM/TVSICDmEBSI/AAAAAAAAB2E/WrSHXcONcDo/s1600/neoliberalismo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Um assíduo leitor de &lt;em&gt;New Deal 2.0&lt;/em&gt; faz uma aguda questão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;“Há uma questão que nunca consigo responder. Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas sigo sem entender o que tornou possível esse giro na economia política. Que elementos, que novas forças nos anos 80 podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos esses temas são muito dignos de exploração e eu, quero dizer desde logo, não posso fazer justiça a eles com uma resposta de duas linhas. É melhor recomendar o soberbo livro de &lt;strong&gt;Yves Smith&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Econned&lt;/strong&gt;. O livro proporciona uma excelente explicação histórica do modo como algumas teorias infundadas, mas amplamente aceitas, levaram à execução de políticas que geraram o atual estado de coisas. Também ilumina a capacidade dessas filosofias para ressuscitar mesmo quando se acumulam provas conclusivas contra elas. Documenta não só a crescente degradação dos economistas profissionais neoclássicos (e sua concomitante tendência a reduzir a soma da experiência humana a uma série de equações matemáticas), mas também a maneira pela qual fundações muito bem financiadas subvencionaram universidades e &lt;em&gt;think tanks&lt;/em&gt; que, por sua vez, legitimaram e validaram essas filosofias charlatanescas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia de que governos democraticamente eleitos devem servir-se de políticas fiscais discricionárias para contraestabilizar as flutuações do ciclo do gasto público chegou a ser visto como algo muito próximo ao socialismo. Os poderes que tomam decisões políticas foram postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos e reforçavam as posições fiscalmente pró-cíclicas, ou seja: reforçavam a contração discricionária quando os estabilizadores automáticos levavam a grandes déficits orçamentários como resultado da frágil demanda não-pública.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa mudança em nossas políticas públicas foi acompanhada por um processo de tomada de controle dos juristas em uma longa marcha através do poder Judiciário. Foi um esforço patrocinado pelas grandes empresas, centrado exclusivamente no tema da desregulação, e culminou com um esforço titânico para revogar as reformas do &lt;em&gt;New Deal&lt;/em&gt;, limitar o poder dos sindicatos e do próprio governo (salvo em matéria de Defesa, cabe assinalar, que organizou seu próprio e formidável exército de lobistas).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Responder a questão colocada por nosso leitor passa por reconhecer que este foi um processo que durou décadas e que veio acompanhado de enormes somas de dinheiro e de vasto exército de forças empresariais, jurídicas e políticas, empenhado em frustrar qualquer alternativa progressista. O processo inteiro ocorreu em um período de aproximadamente 40 anos. Flexibilização da regulação e da supervisão; uma crescente desigualdade que levou às famílias a se endividar para manter o nível de gasto; cobiça e exuberância irracional e liquidez global excessiva: todos esses são sintomas do mesmo problema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como tudo começou? A análise que o grande economista &lt;strong&gt;Hyman Minsky&lt;/strong&gt; realizou no final de sua vida é particularmente potente, porque permite ver essas mudanças a partir de uma vasta perspectiva histórica. &lt;strong&gt;Minsky&lt;/strong&gt; chamou a situação de saída da II Guerra Mundial de “capitalismo paternalista”. Ela se caracterizava por um “enorme Tesouro público” (cujo custo equivalia a 5% do PIB) dotado de um orçamento que oscilava contraciclicamente a fim de estabilizar a renda, o emprego e os fluxos de lucros; um Banco Central ao estilo de um “enorme banco” que mantinha baixas as taxas de juros e intervinha como emprestador último de recursos; uma ampla variedade de garantias estatais (seguro de depósitos, respaldo público implícito ao grosso das hipotecas); programas de bem estar social (Seguridade Social, ajuda às famílias com filhos dependentes, ajuda médica); estreita supervisão e regulação das instituições financeiras; e um leque de programas públicos para promover a melhoria da renda e a igualdade de riqueza (tributação progressiva, leis de salário mínimo, proteção para o trabalho sindicalmente organizado, maior acesso à educação e à habitação para pessoas de baixa renda).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, o Estado jogava um papel importante em matéria de financiamento e refinanciamento (por exemplo, a corporação pública para financiar a reforma de imóveis e a corporação pública para o crédito destinado à compra de imóveis) e na criação de um mercado hipotecário moderno para a compra de imóveis (baseado em um empréstimo de tipo fixo amortizável em 30 anos), sustentado por empresas patrocinadas pelo Estado. Minsky reconheceu papel desempenhado pela Grande Depressão e pela II Guerra Mundial na criação de bases para a estabilidade financeira. Nas palavras de Randy Wray:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;A Depressão pulverizou e expulsou o grosso dos ativos e passivos financeiros: isso permitiu às empresas e às famílias saírem com pouca dívida privada. O ciclópico gasto público durante a II Guerra Mundial criou poupança e lucro no setor privado, enchendo os livros de contabilidade com dívida saneada do Tesouro (60% do PIB, imediatamente depois da II Guerra). A criação de uma classe média, assim como o baby boom, mantiveram alta a demanda de consumo e alimentaram um rápido crescimento do gasto público dos estados federados e dos municípios em infraestrutura e em serviços públicos demandados pelos consumidores metropolitanos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A elevada demanda dos entes públicos e dos consumidores trouxe por sua vez consigo a possibilidade de se cobrir o grosso das necessidades das empresas para financiar o gasto interno, incluindo os investimentos. Assim, durante as primeiras décadas que se seguiram à Segunda Guerra, o capital financeiro desempenhou um papel muito menor. A lembrança da Grande Depressão gerou relutância em relação ao endividamento. Os sindicatos pressionavam e, frequentemente, obtinham mais e mais compensações, o que permitiu o crescimento dos níveis de vida, financiados em sua maior parte somente com a renda dos trabalhadores&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na década de 1970 tudo isso começou a mudar, como é bem explicado em &lt;strong&gt;Econned&lt;/strong&gt;. O gasto público começou a crescer mais lentamente que o PIB; os salários ajustados à inflação se estancaram a medida que os sindicatos perdiam poder; a desigualdade começou a crescer e as taxas de pobreza deixaram de cair; as taxas de desemprego dispararam; e o crescimento econômico começou a desacelerar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos anos 70 assistimos também aos primeiros esforços sustentados para fugir das restrições impostas pelo &lt;em&gt;New Deal&lt;/em&gt;, a medida que as finanças respondiam para aproveitar as oportunidades. Com o desastroso experimento monetarista de Volcker (1979-82), muitos dos velhos vestígios do sistema bancário estabelecido pelo &lt;em&gt;New Deal&lt;/em&gt; foram arrasados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rito de inovações se acelerou a medida que foram se adotando muitas práticas financeiras novas para proteger as instituições do risco da taxa de juros. A despeito de todas as apologias feitas sobre os anos de Volcker a frente da &lt;em&gt;Federal Reserve&lt;/em&gt;, o certo é que suas políticas de juros altos assentaram as bases do atual sistema financeiro baseado no mercado, incluídas a titulação hipotecária, a inovação financeira na forma de derivativos para cobrir o risco das taxas de juros, assim como muitos dos veículos financeiros “extra contábeis” que proliferaram nas duas últimas décadas. Legislou-se para criar um tratamento fiscal muito mais favorável aos juros, o que, por sua vez, estimulou as compras alavancadas para substituir ativos por dívida (como a tomada de controle empresarial financiada com dívida que seria servida pelos futuros fluxos de receita da empresa assim controlada).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os excedentes orçamentários dos anos Clinton – outro exemplo de ascendência de uma filosofia neoliberal que fugiu da política tributária e determinou a primazia da política monetária – restringiram a demanda agregada, encolheram as receitas e criaram uma maior dependência da dívida privada como meio de sustentar o crescimento e as receitas. Esse foi claramente facilitado por inovações que ampliaram o acesso ao crédito e mudaram os critérios das empresas e dos lares para definir o nível de endividamento prudente. O consumo conduzia o timão e a economia voltou finalmente aos rendimentos dos anos 60. Regressou o crescimento robusto, agora alimentado pelo &lt;em&gt;déficit&lt;/em&gt; do gasto privado, não pelo crescimento do gasto público e da receita privada. Tudo isso levou ao que &lt;strong&gt;Minsky&lt;/strong&gt; chamou de capitalismo dos gestores do dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o contexto histórico básico que veio se desenvolvendo nos últimos 40 anos. E essa é, provavelmente, uma resposta que vai mais além do que nosso amável leitor queria, mas sua questão não é daquelas que possa ser respondida laconicamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-4496036433326848466?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/4496036433326848466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/marshall-auerback.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4496036433326848466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/4496036433326848466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/marshall-auerback.html' title='Marshall Auerback'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-YtJSMfqJCNM/TVSICDmEBSI/AAAAAAAAB2E/WrSHXcONcDo/s72-c/neoliberalismo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6863193709390322104</id><published>2011-02-10T21:33:00.001-03:00</published><updated>2011-02-10T21:34:46.705-03:00</updated><title type='text'>Katarina Peixoto</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Levem ao menos uma mulher, pede Davos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Katarina Peixoto é doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: &lt;/em&gt;&lt;a href="mailto:katarinapeixoto@hotmail.com"&gt;&lt;em&gt;katarinapeixoto@hotmail.com&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-m0I9H7PO8Nk/TVSDwsE71tI/AAAAAAAAB2A/1gbcBh-1PX4/s1600/forum.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-m0I9H7PO8Nk/TVSDwsE71tI/AAAAAAAAB2A/1gbcBh-1PX4/s320/forum.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Que o Fórum Econômico de Davos está mal das pernas ninguém questiona. A novidade do Fórum que não é mais só do Norte, embora siga frio e dos muito ricos e riquíssimos, está num pequeno detalhe: os organizadores estão consternados com a falta de diversidade de gênero dentre os participantes do encontro na cidade suíça. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro, a consternação fundamental segue sendo outra, embora não transparente enquanto agenda. Trata-se do enigma de como continuar mandando no mundo, nesta conjuntura e com as mudanças em direção da multipolaridade em curso. Vale dizer que essas decisões importantes não ocupam conferências, por mais fechadas que estas venham a ser. Para cada conferência há algum acadêmico “&lt;em&gt;prêt-à-penser&lt;/em&gt;”, como disse o professor da Universidade de Barcelona, Toni Domènech e outros macacos de auditório do gênero, como ex-governantes, periféricos ou não, dos anos 90 e grande elenco de sumidades, do porte de um Paulo Coelho, Bono Vox e coisas assim. Eles são auditório, isso mesmo. Porque as conferências e os acordos, as decisões e os debates, em Davos, não são públicos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem a bagatela do preço dos ingressos dá acesso ao que o Fórum Econômico Mundial estabelece como agenda. Para esta não há bilhete premiado. Poder global não cai do céu nem se compra em paraíso fiscal, unicamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O colunista Andrew Ross Sorkin do &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; fez uma bem humorada crônica (24/01/2001) sobre o custo Davos para os seus participantes. Na crônica, traduzida abaixo, constam não somente os dados relativos à organização do FEM e os relatos de alguns participantes com grande expressão no encontro anual e demais atividades da área. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ross Sorkin refere um detalhe interessante. A fim de incentivar a diversidade de gênero, o Fórum Econômico Mundial está solicitando aos participantes de nível mais alto (ver no texto do NYT os vários níveis de associação ao WEF, conforme os títulos de sócio oferecidos) que, dentre os cinco convidados a que têm direito, convidem ao menos uma mulher. Em números, os associados com carteirinha de “Parceiro Estratégico” pagam 522 mil dólares (um milhão de reais, em média) para poderem participar do evento de uma semana na cidadela, fora os ingressos individuais, no valor de 19 mil dólares cada um e os demais custos de viagem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do outro lado do mundo, em termos quase verticais, ocorrerá o Fórum Social Mundial, em Dakar, no Senegal, pouco depois do encontro dos ricos e muito ricos. Os seus organizadores costumam dizer que o caráter de contraponto a Davos foi superado e que o Fórum Social Mundial é muito maior do que um embate contra os donos do mundo poderia ser. É claro, essa não é uma posição imune a críticas e bem se sabe que o FSM tem um aspecto babilônico gratuito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dada a gravidade da crise econômica e financeira no mundo, há quem fale, e não são poucos, em crise civilizatória. O Fórum de Davos não tem, como é sabido e ressabido, autoridade para apresentar uma agenda para o mundo pós-crise ou mesmo de transição que conte com políticas globais para o seu enfrentamento. O Fórum Social Mundial, por outro lado, tem mais do que autoridade para debater uma agenda, aliás em gestação há mais de dez anos, entre os sujeitos objetificados pelos donos do mundo de Davos, e entre os movimentos sociais que ajudaram e estão ajudando a mudar ao menos a América Latina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a escumalha a ser reunida em Davos apresenta uma regra para quantificar a participação feminina não está adotando mais um expediente de absorção da agenda civilizatória. Pedir “ao menos uma mulher” aos mais ricos dentre o maior encontro dos mais ricos do mundo é um pouco mais que uma confissão de culpa, porque não é errado apenas moralmente, coisa que de resto em nada incomodaria a um Fórum com aquele perfil moral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedir aos bilionários ao menos uma mulher é uma confissão do embrete civilizatório em que esses patifes estão. Ao menos no Senegal há gente, e haverá muitas mulheres. Não será um Fórum somente do Sul, mas também dos do Norte empobrecido e embrutecido pelas políticas brindadas em Davos e impostas ao resto do mundo. E será na África, o continente credor da orgia de Davos, lá onde os “perdedores” e os “mal sucedidos” estarão. Parte deles, inclusive, descerá das ruas geladas para o continente africano, porque outro mundo é possível, ao menos por isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seguir, a crônica de Andrew Ross Sorkin:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Um preço alto para entrar em Davos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Qual o preço do ingresso para ser um Davos Man?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Executivos, governantes, lideranças e acadêmicos ao redor do mundo estão a caminho de Davos, Suíça, para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial nesta semana – uma reunião de poderosos que mistura negócios, políticas e Champanhe nos Alpes Suíços. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Trata-se de um evento que pauta uma vasta agenda dos tomadores de decisão, de Jamie Dimon, o executivo-chefe do JPMorgan Chase, ao Primeiro Ministro George A. Papandreou da Grécia ao vocalista da U2, Bono, voltados ostensivamente para contemplar como resolver os problemas do mundo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;É claro, muito do que ocorrerá na semana girará na verdade em torno de uma coisa: networking. Como o autor de “Cisne Negro”, Nassim N. Taleb o descreveu a Tom Keene, da Bloomberg Televisão, o evento está “buscando gente de sucesso que queira ser vista com outras pessoas de sucesso. Este é o jogo”. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Todo convite para o evento é para ser considerado uma honra exclusiva. Mas para os executivos das corporações o custo de ser um Davos Man ou, sim, uma Davos Woman, mesmo somente para um casal não fica tão barato. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Na semana passada eu entrevistei mais de doze executivos-chefes e outros executivos que regularmente peregrinam para se misturarem nas alturas, a fim de que avaliassem o custo financeiro real que as corporações tem no comparecimento a esse encontro anual. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mas antes de adquirirmos os ingressos para os ambientes privados, hotéis, carro e motorista, há o ingresso mais importante. E este não é grátis. Só para ter a oportunidade de visitar Davos, você deve ser convidado a ser um membro do Fórum Econômico Mundial, uma organização não-lucrativa suíça fundada por Klaus Shwab, um acadêmico de origem alemã que construiu uma conferência global na neve. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Há vários níveis de pertencimento: o nível básico, que lhe concede um convite a Davos, custa 50 mil francos suíços, ou algo como 52 mil dólares. O ingresso mesmo custa outros 18 mil francos suíços (19 mil dólares), mais taxas, levando a um custo total de associação e ingresso de entrada no valor de 71 mil dólares. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mas esse ingresso só o põe na porta, com as massas, em Davos, com entrada para todas as sessões gerais. Se você quiser ser convidado por trás das cortinas de veludo a participar das sessões privadas, entre colegas empresários, você precisa subir um degrau, para o nível “Associado Industrial”, que custa 137 mil dólares, mais o preço do ingresso, levando o custo total para algo em torno de 156 mil dólares. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;É claro, como muitos executivos chefe não gostam de ir a lugar algum sozinhos, eles podem pedir a um colega para ir junto. Bem, o Fórum Econômico de Davos não permite que você compre apenas um ingresso a mais por 19 mil dólares. Mais do que isso, você precisa subir de nível de associado para o de “Parceiro Industrial”. Isso lhe custará algo como 263 mil dólares, mais o custo de dois ingressos, levando a um total de 301 mil dólares. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E se você quiser levar uma entrourage, digamos cinco pessoas? Aí você está falando do nível “Parceiro Estratégico”. O preço do crachá: 527 mil dólares. (Esta é apenas a associação anual, autorizando você a convidar até 5 pessoas. Cada convite custa ainda 19 mil dólares, de modo que cinco pessoas chega a 95 mil dólares, dando um total de 622 mil dólares. Este ano, todos os Parceiros Estratégicos estão sendo demandados a convidarem ao menos uma mulher dentre aqueles a que tem direito, num esforço para diversificar a lista de participantes. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Como parte do nível de Parceiro Estratégico você tem acesso às sessões privadas e às salas de conferência especiais, onde ocorrem encontros. E talvez a maior vantagem de todas: seu carro e motorista tem um adesivo com acesso livre a todos os ambientes.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;No momento o Fórum diz que não está aceitando inscrições para se tornar Parceiro Estratégico, a não ser que a corporação seja da China ou da Índia, e deve ser alguns dentre os 250 mais ricos do mundo. É o caso de observar, para ser imparcial, que a associação em todos os níveis não lhe permite acesso apenas ao encontro em Davos, mas também para, ao menos, meia dúzia de outros encontros ao redor do mundo. A associação também lhe dá acesso aos diversos projetos de pesquisa do Fórum. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Todos esses custos, é claro, não incluem os gastos de uma viagem a Suíça, naquela vida dura e talvez indo a um jantar ou a um cocktail para clientes (onde as coisas em todo caso realmente acontecem). &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Um grande investidor está alugando este ano um chalé de cinco quartos ao lado de Davos, para ele e seu staff. O custo? 140 mil dólares pela semana. Um carro e um motorista que o Fórum Econômico Mundial providenciará para você gira em torno de 10 mil dólares por semana, para um Mercedes S Class. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Uma tarifa de primeira classe de Nova York para Zurique está custando algo como 11 mil dólares. Mas um jatinho privado da NetLets custará algo como 70 mil dólares pela viagem, de acordo com um executivo que usou o serviço. O serviço de helicóptero de Zurique a Davos? 3400 reais cada perna. (O Fórum providencia um serviço grátis de ônibus para aqueles que se preocupam com a área de cobertura do entorno). &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;É claro, muitas companhias oferecem jantares para clientes, com vários eventos para algumas firmas. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;No Posthotel, por exemplo, o restaurante está cobrando um mínimo de 210 dólares por cabeça. Um festa cocktail para 60 a 80 por cabeça por apenas uma hora? Isso custa algo como 8000. Duas horas? 16 mil dólares.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;As grandes festas, como aquela da Google na sexta-feira à noite para centenas de pessoas pode custar mais de 250 mil dólares o evento. (Em anos passados a Google ofereceu bandas de rock e atendentes de bar; num ano a companhia ofereceu um bar de O2).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Todos esses custos incluídos ajudaram a tornar o Fórum Econômico Mundial um grande negócio – talvez a maior conferência estruturadora de agenda do mundo. De acordo com seu relatório anual, ela gera algo como 185 milhões de dólares entre receitas e despesas; aproximadamente tudo dessa quantia vai para a organização (quase metade) de eventos e outra metade, com pessoal. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mas todo esse gasto pode em breve sair de moda. Como um dos organizadores, o autor David Rothkopf escreveu recentemente no seu blog, “A coisa toda está decaindo por vários razões, todas associadas à inadequação de Davos como fórum de networking”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ele explicou que, “Como Steve Case, fundador da AOL me disse uma vez, no bar no meio do tumulto do principal centro de conferências: “Você sempre se sente como se estivesse no lugar errado, em Davos. Como se houvesse um encontro melhor acontecendo em outro lugar, em algum hotel onde você realmente deveria estar. Como se Davos de verdade estivesse acontecendo em segredo, em algum lugar”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tradução: Katarina Peixoto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6863193709390322104?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6863193709390322104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/katarina-peixoto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6863193709390322104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6863193709390322104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/katarina-peixoto.html' title='Katarina Peixoto'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-m0I9H7PO8Nk/TVSDwsE71tI/AAAAAAAAB2A/1gbcBh-1PX4/s72-c/forum.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6150677690851369908</id><published>2011-02-04T22:01:00.001-03:00</published><updated>2011-02-04T22:03:03.385-03:00</updated><title type='text'>Jeffrey Sachs</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A luta de classes política nos Estados Unidos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyhrwJ_YcI/AAAAAAAAB18/e7doK6uyMYE/s1600/piramide_do_capitalismo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyhrwJ_YcI/AAAAAAAAB18/e7doK6uyMYE/s320/piramide_do_capitalismo.jpg" width="255" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Jeffrey Sachs é professor de Economia e Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia. Também é assessor especial do secretário geral das Nações Unidas sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio. Traduzido do inglês para www.project-syndicate.org por David Meléndes Tormen. Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Estados Unidos estão em rota de colisão consigo mesmo. O acordo firmado em dezembro entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso para manter os cortes de impostos iniciados há uma década pelo presidente George W. Bush está sendo saudado como o começo de um novo consenso bipartidário. Creio, ao contrário, que é uma falsa trégua naquilo que será uma batalha campal pela alma da política estadunidense.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do mesmo modo que ocorre em muitos países, &lt;strong&gt;os conflitos sobre a moral pública e a estratégia nacional se reduzem a questões envolvendo dinheiro&lt;/strong&gt;. Nos Estados Unidos, isso é mais certo do que nunca. O país tem um déficit orçamentário anual ao redor de US$ 1 trilhão, que pode aumentar ainda mais como resultado de um novo acordo tributário. Esse nível de endividamento anual é demasiadamente alto. É preciso reduzi-lo, mas como?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O problema é a política corrupta e a perda de moral cívica dos EUA&lt;/strong&gt;. Um partido político, o Republicano, aposta em pouco mais do que reduzir os impostos, objetivo que coloca acima de qualquer outro. Os democratas têm um leque mais amplo de interesses, como o apoio ao serviço de saúde, a educação, a formação e a infraestrutura. Mas, como os republicanos, também estão interessados em presentear com profusão cortes de impostos para seus grandes contribuintes de campanha, entre os quais predominam os estadunidenses ricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resultado é um paradoxo perigoso. O déficit orçamentário dos EUA é enorme e insustentável. &lt;strong&gt;Os pobres são espremidos pelos cortes nos programas sociais e um mercado de trabalho fraco. Um em cada oito estadunidenses depende de cartões de alimentação para comer.&lt;/strong&gt; No entanto, apesar deste quadro, um partido político quer acabar com as receitas tributárias por completo, e o outro se vê arrastado facilmente, contra seus melhores instintos, na tentativa de manter contentes seus contribuintes ricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este frenesi de cortes de impostos vem, incrivelmente, depois de três décadas de um regime tributário de elite nos EUA, que favoreceu os ricos e poderosos. Desde que Ronald Reagan assumiu a presidência em 1981, o sistema orçamentário dos Estados Unidos se orientou para apoiar a acumulação de uma imensa riqueza no topo da pirâmide da distribuição de renda. Surpreendentemente, o 1% mais rico dos lares estadunidenses tem agora um valor mais alto que o dos 90% que estão abaixo. A receita anual dos 12 mil lares mais ricos é maior que o dos 24 milhões de lares mais pobres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O verdadeiro jogo do Partido Republicano é tratar de fixar em seu lugar essa vantagem de receitas e riquezas. Temem, corretamente, que cedo ou tarde todo o mundo comece a exigir que o déficit orçamentário seja atacado, em parte, elevando os impostos para os ricos. Depois de tudo o que ocorreu, os ricos vivem melhor do que nunca, enquanto que o resto da sociedade estadunidense está sofrendo. Tem todo sentido aplicar mais impostos aos mais ricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os republicanos se propõem a evitar isso a qualquer custo. Até aqui tiveram êxito. Mas querem fazer com que sua vitória tática – que propõe o reestabelecimento das taxas tributárias anteriores a Bush por dois anos – seja seguida por uma vitória de longo prazo na próxima primavera. Seus líderes no Congresso já estão dizendo que vão cortar o gasto público a fim de começar a reduzir o déficit.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ironicamente, há um âmbito onde certamente se justifica fazer grandes cortes orçamentários: as forças armadas&lt;/strong&gt;. Mas esse é o tema que a maioria dos republicanos não vai tocar. &lt;strong&gt;Querem cortar o orçamento não mediante o fim da inútil guerra no Afeganistão e a eliminação dos sistemas de armas desnecessários, mas sim cortando recursos da educação, da saúde e de outros benefícios da classe pobre e trabalhadora&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao final, não creio que o consigam. No momento, a maioria dos estadunidenses parece estar de acordo com os argumentos republicanos de que é melhor diminuir o déficit orçamentário mediante cortes de gastos ao invés de aumento de impostos. No entanto, quando chegar a hora de fazer propostas orçamentárias reais, haverá uma reação cada vez maior. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prevejo que, empurrados contra a parede, os estadunidenses pobres e da classe trabalhadora começarão a se manifestar por justiça social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso pode levar tempo. &lt;strong&gt;O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso&lt;/strong&gt;. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as &lt;strong&gt;campanhas eleitorais&lt;/strong&gt; que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a &lt;strong&gt;maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos&lt;/strong&gt;. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não nos equivoquemos: ambos partidos estão implicados. Já se fala que Obama vai arrecadar US$ 1 bilhão ou mais para sua campanha de reeleição. Esta soma não virá dos pobres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema para os ricos é que, tirando os gastos militares, não há mais espaço para cortar o orçamento do que em áreas de apoio básico para a classe pobre e trabalhadora. &lt;strong&gt;Os EUA realmente vão cortar os auxílios de saúde e as aposentadorias? O orçamento será equilibrado reduzindo-se o gasto em educação, no momento que os estudantes dos EUA já estão sendo superados por seus colegas da Ásia? Os EUA vão, de fato, permitir que sua infraestrutura pública siga se deteriorando? &lt;/strong&gt;Os ricos tratarão de impulsionar esse programa, mas ao final fracassarão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obama chegou a poder com a promessa de mudança. Até agora não fez nenhuma. Seu governo está cheio de banqueiros de Wall Street. Seus altos funcionários acabam indo se unir aos bancos, como fez recentemente seu diretor de orçamento, Peter Orszag. Está sempre disposto a atender os interesses dos ricos e poderosos, sem traçar uma linha na areia, sem limites ao “toma lá, dá cá”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se isso seguir assim, surgirá um terceiro partido, comprometido com a limpeza da política estadunidense e a restauração de uma medida de decência e justiça. Isso também levará um tempo. O sistema político está profundamente ligado aos dois partidos no poder. No entanto, o tempo da mudança virá. Os republicanos acreditam que têm a vantagem e podem seguir pervertendo o sistema para favorecer os ricos. Creio que os acontecimentos futuros demonstrarão o quanto estão equivocados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6150677690851369908?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6150677690851369908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/jeffrey-sachs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6150677690851369908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6150677690851369908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/jeffrey-sachs.html' title='Jeffrey Sachs'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyhrwJ_YcI/AAAAAAAAB18/e7doK6uyMYE/s72-c/piramide_do_capitalismo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6527929460064661959</id><published>2011-02-04T21:28:00.001-03:00</published><updated>2011-02-04T21:29:38.120-03:00</updated><title type='text'>Laurez Cerqueira</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do fundo das trevas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Laurez Cerqueira é jornalista e escritor, autor de “Florestan Fernandes vida e obra” e “Florestan Fernandes – um mestre radical”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte:&amp;nbsp; Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyZhay1QBI/AAAAAAAAB10/2VX9udy_KVM/s1600/img_home_preconceito.gif" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyZhay1QBI/AAAAAAAAB10/2VX9udy_KVM/s1600/img_home_preconceito.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos meses o Brasil passou a viver uma escalada do anacronismo que preocupa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá, no fundo da história, revirado no ano passado pelo candidato José Serra nas eleições, estava o atraso, sereno como um pântano coberto pela intolerância e por preconceitos de toda natureza. Movido por uma ambição desmedida pelo poder, José Serra não teve o menor pudor em trazê-lo de volta à tona. Trouxe junto o que há de mais abominável no reino da política: o ódio de classe. Serra deu voz a setores que cultivam valores medievais, derrotados no processo de democratização do país, e proporcionou-lhes espaço para estúpida performance no cenário político nacional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alimentados por instituições religiosas, educacionais e políticas que não aceitam as diferenças, os preconceitos e o ódio de classe se espraiam pela internet e pelas ruas em ondas de intolerância, principalmente entre jovens ainda vulneráveis a apelos desses grupos, no vácuo da ausência de escolas laicas e democráticas. O atraso está por aí, vociferante, e pode até atacar cidadãos mortalmente, como já aconteceu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente o líder da pregação pelo boicote à candidata Dilma Rousseff na campanha presidencial, o bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, encampou nova mobilização que repercutirá na esfera política. Ele recolhe nas paróquias sob sua jurisdição assinaturas para um projeto de iniciativa popular que visa eliminar a permissão legal ao aborto nos casos de estupro e risco à vida da mãe. O movimento já conta com o respaldo de oito dioceses e foi referendado em reunião da Regional Sul-1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que abrange as principais cidades de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A escalada de intolerância ganhou força com a articulação da campanha eleitoral de José Serra. Uma avalanche de mensagens acintosas inundou a internet naquele período, continua a alimentar o anacronismo e promove ações em várias localidades no país. Os atentados que estão ocorrendo são inadmissíveis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Praça 11, no Rio de Janeiro, um monumento a Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, erguido em 1986, amanheceu pichado com uma suástica nazista; a estudante do último ano de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Meire Rose Morais, sofreu ofensas racistas de uma colega de sala em uma lista de e-mails. Segundo ela, é comum os bolsistas negros do Prouni serem tratados de maneira preconceituosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente, jovens de classe média atacaram dois rapazes supostamente homossexuais em São Paulo com lâmpadas fluorescentes; uma jovem, também de classe média, atacou nordestinos em seu blog e acendeu o preconceito regional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Universidade Mackenzie divulgou uma nota contra a Lei da Homofobia, dizendo que “&lt;em&gt;a lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas as orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais&lt;/em&gt;.” Segundo a nota, os direitos dos homossexuais não podem ser “&lt;em&gt;privilégios de um grupo&lt;/em&gt;” sobre os demais direitos dos cidadãos. Essa nota é reveladora da dimensão da intolerância, baseada em moral religiosa, que se espalha pelas instituições em toda a sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O preconceito de classe também cresce e se manifesta em aeroportos e shoppings, contra as pessoas que melhoraram de vida e estão tendo dinheiro para viajar e consumir. O colunista Luiz Carlos Prates, do grupo RBS, afiliado à Globo, manifestou seu preconceito num dos programas de uma emissora catarinense do grupo, em novembro passado. Disse que a popularização do automóvel seria responsável pelo aumento dos acidentes de trânsito. "&lt;em&gt;Hoje, qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais lê um livro, mora apertado em uma gaiola, que hoje chamam de apartamento. Não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem&lt;/em&gt;". Disse ele. Depois de 23 anos na emissora, Prates foi demitido. Talvez a demissão tenha sido causada pela reação de parte da sociedade a esse tipo de posição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As melhorias na economia com inclusão social estão provocando uma nova acomodação de classes e revelando conflitos escamoteados na sociedade brasileira. Conflitos que me fizeram lembrar o que foi mostrado num programa da TV Globo, há alguns anos, (perdoem-me por não conseguir me lembrar dos detalhes, se não me engano, no Fantástico), sobre as diferenças entre a Zona Norte e a Zona Sul do Rio de Janeiro. A matéria mostrou o incômodo de pessoas de classe média de Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, em conviver com pessoas da Zona Norte nas praias cariocas. Guardadas as devidas exceções, no Rio as pessoas da Zona Norte ou moradores dos morros, costumam ser chamadas por alguns cariocas, de “suburbanos”, “farofeiros” e “paraíbas”. Assim como alguns paulistanos costumam chamar de “baianos” os nordestinos que não pertencem às classes média e média alta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma moça da Zona Sul ao ser entrevistada disse ao repórter, em tom de revolta, que os cariocas da Zona Norte e dos morros não sabiam se comportar numa praia e que uma solução para evitar o incômodo, seria cercar as praias da Zona Sul. Segundo ela, com isso, somente moradores das cercanias, “gente de classe”, poderiam ir à praia “sem se misturar” com as pessoas da Zona Norte e dos morros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente o noticiário sobre a ocupação dos morros do Complexo do Alemão povoou corações e mentes. A exploração de imagens do conflito para ganhar audiência na grande mídia beirou a barbárie. Na cobertura da Globo, como lembra José Arbex Jr., em artigo no &lt;em&gt;Le Mond Diplomatique&lt;/em&gt;, as expressões utilizadas por repórteres e comentaristas, “ocupar o território” “expulsar o inimigo” e “extirpar o mal”, entre outras, de cunho militarista, pode ter reforçado ainda mais os preconceitos de classe. A performance das Forças Armadas no confronto com traficantes mexeu não só com os cariocas, mas com o Brasil. Levou uma parte considerável da população a apoiar incondicionalmente a guerra contra o tráfico no Rio. A exploração das imagens foi tão forte que deixa transparecer que ser policial hoje é como ser um astro de TV. &lt;strong&gt;Até onde vai a sociedade do espetáculo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se sabe ao certo o que está acontecendo com os conflitos latentes que sempre existiram entre “morro e asfalto”, entre “a sala, a cozinha e a dependência de empregados”. Não se sabe também a dimensão do anacronismo com o impulso conseguido nas últimas eleições. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivemos dias de escalada da intolerância movida por preconceitos e por motivações de fundo religioso. Para fazer frente a isso, precisamos avançar na revolução educacional no estabelecimento de uma escola laica e na mobilização da sociedade para consolidarmos a democracia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para finalizar, fica um alerta do arcebispo emérito Desmond Tutu, um religioso progressista, que participou da luta contra o “Apartheid”, na África do Sul. &lt;strong&gt;“Sempre que um grupo de seres humanos é tratado como inferior por outro, o ódio e a intolerância triunfam”&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-6527929460064661959?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/6527929460064661959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/laurez-cerqueira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6527929460064661959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/6527929460064661959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/02/laurez-cerqueira.html' title='Laurez Cerqueira'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUyZhay1QBI/AAAAAAAAB10/2VX9udy_KVM/s72-c/img_home_preconceito.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-8016168361843198552</id><published>2011-01-22T08:48:00.003-03:00</published><updated>2011-01-22T08:50:39.470-03:00</updated><title type='text'>Laurindo Lalo Leal Filho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Tempo como serviço, não como espetáculo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTrECSqvw7I/AAAAAAAAB1g/0fuTUNVnHuc/s1600/petropolis.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTrECSqvw7I/AAAAAAAAB1g/0fuTUNVnHuc/s320/petropolis.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Artigo de Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as redes comerciais de televisão no Brasil têm as suas moças do tempo. São herdeiras, em São Paulo, do Narciso Vernizzi, o primeiro “homem do tempo” da rádio Jovem Pan. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Elas surgem do nada, entre uma notícia e outra, aparecem no canto da tela e caminham para o centro, mostrando mais que o tempo as suas belas curvas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em casa, o telespectador vê atrás das moças as indicações do clima e da temperatura em todo o Brasil. Com algumas variações, esse tipo de informação é universal. O canal mundial da BBC mostra o tempo em várias partes do mundo, sem as moças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São informações úteis, mas limitadas. Ajudam a sair de guarda-chuva no dia seguinte ou, aos viajantes, a escolha do que colocar na mala. Não sei se informações tão superficiais e genéricas contribuem para decisões mais importantes, como dos agricultores, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar do avanço da internet, o rádio e a televisão ainda são os mais eficientes e abrangentes serviços públicos de informação. Não há outro meio que consiga falar de forma tão rápida para milhões de pessoas ao mesmo tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em momentos críticos tornam-se imprescindíveis. Pena que, por aqui, são pouco usados nesse tipo de prestação de serviços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso de tragédias, como as deste início de ano, ao invés de moças desfilando à frente de ilustrações artísticas, deveríamos ter as programações interrompidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seu lugar seriam formadas cadeias nacionais ou locais de rádio e TV, antes das catástrofes, dando orientações seguras para a população. Sem pânico, mas com precisão e firmeza. E não generalizando com frases do tipo “chove no litoral do nordeste”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de um de trabalho que deve ser o mais localizado possível, com o envolvimento articulado dos serviços de meteorologia, da defesa civil e do jornalismo, na produção das informações. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou, no caso, de São Paulo que vias deveriam ser evitadas na iminência dos temporais, já que não há segredo nessa cidade sobre onde se localizam os eternos pontos de alagamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para obter mais eficiência, esse serviço deveria ter seu foco nas informações locais. Dai a importância da regionalização das programações de rádio e TV, tão combatida pelos concessionários do setor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto são elas que darão às emissoras regionais e locais experiência, tanto na produção como na técnica, para enfrentar com competência situações extraordinárias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem todos se salvariam, é verdade. Mas, com certeza, os danos seriam menores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitos navios não foram à pique na costa brasileira graças ao programa radiofônico “A Voz do Brasil”. A seção “Aviso aos navegantes” informava todos os dias, minuciosamente, as condições das bóias de luz, sinalizadoras dos perigos naturais existentes no mar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o rádio atuando como serviço público numa época de recursos eletrônicos muito limitados, se comparada aos hoje existentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Satélites transmitem informações meteorológicas com alto grau de precisão e as redes de rádio e TV cobrem todo o território nacional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falta apenas articular esses dois serviços com planos nacionais e locais de prevenção à catástrofes naturais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso das enchentes no sudeste e centro-oeste, trata-se de problema datado, de dezembro a março. Há todo o resto do ano para o trabalho de planejamento e articulação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem toma a iniciativa?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-8016168361843198552?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/8016168361843198552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/laurindo-lalo-leal-filho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8016168361843198552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/8016168361843198552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/laurindo-lalo-leal-filho.html' title='Laurindo Lalo Leal Filho'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTrECSqvw7I/AAAAAAAAB1g/0fuTUNVnHuc/s72-c/petropolis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-1625132778696287939</id><published>2011-01-22T08:21:00.001-03:00</published><updated>2011-01-22T08:25:03.725-03:00</updated><title type='text'>Washington Araújo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;BBB 11 - Ética pelo ralo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTq9rHhnW7I/AAAAAAAAB1c/hROJGGgscws/s1600/globofascio.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTq9rHhnW7I/AAAAAAAAB1c/hROJGGgscws/s320/globofascio.jpg" width="302" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México. Tem o blog &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.cidadaodomundo.org/"&gt;&lt;em&gt;http://www.cidadaodomundo.org&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Email - &lt;/em&gt;&lt;a href="mailto:wlaraujo9@gmail.com"&gt;&lt;em&gt;wlaraujo9@gmail.com&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 11/1/2011 a TV Globo levou ao ar seu programa de maior audiência no verão brasileiro: Big Brother Brasil 11. Sucesso de público, sucesso de marketing, sucesso financeiro, sempre na casa dos milhões de reais. Fracasso ético, fracasso de cidadania, fracasso de respeito aos direitos humanos fundamentais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prêmio será de R$ 1,5 milhão para o vencedor. O segundo e terceiro lugares levam, respectivamente, R$ 150 mil e R$ 50 mil. As inscrições para a próxima edição do BBB já estão encerradas. Ao todo, nas dez edições, foram 140 participantes. E já foram entregues mais de R$ 8,5 milhões em prêmios. Balanço raquítico, tanto numérico quanto financeiro para seus participantes, para um programa que se especializou em degradar a condição humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 11 anos de existência, roubando sempre 25% do ano (janeiro a março) e agora entrando na puberdade como se humano fosse, o BBB começa anunciando que passará por mudanças na edição 2011. Se você pensou que as mudanças seriam para melhorar o que não tem como ser melhorado se enganou redondamente. O formato será sempre o mesmo, consagrado pelo público e pelos anunciantes: invasão de privacidade com a venda de corpos quase sempre sarados, bronzeados e bem torneados e com a exposição de mentes vazias a abrigar ideias que trafegam entre a futilidade e a galeria de preconceitos contra negros, pobres, analfabetos funcionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após dez anos seguidos, sabemos que a receita do reality show inclui em sua base de sustentação as antivirtudes da mentira, da deslealdade, dos conluios e... da cafajestagem. Aos poucos, todos irão se despir de sua condição humana tão logo um deles diga que "isto aqui é um jogo". Outros ensaiarão frases pretensamente fincadas na moral: "Mas nem tudo vou fazer para ganhar esse jogo."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como miquinhos amestrados, os participantes estarão ali para serem desrespeitados, não poucas vezes humilhados e muitas vezes objeto de escárnio e lições filosóficas extraídas de diferentes placas de caminhões e compartilhadas quase diariamente pelo jornalista Pedro Bial, ao que parece, senhor absoluto do reality show. Não faltarão "provas" grotescas, como colocar uma participante para botar ovo a cada trinta minutos; outra para latir ou miar a cada hora cheia; algum outro para passar 24 horas de sua vida fantasiado de bailarina ou para pular e coaxar como sapo sempre que for ativado determinado sinal acústico. O domador, que terá como chicote sua lábia de ocasião ou nalgumas vezes sua língua afiada, continuará sendo Pedro Bial que, a meu ver, representa um claro sinal de como as engrenagens que movem a televisão guardam estreita semelhança com aqueles velhos moedores de carne.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O último a sair da jaula&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É inegável que Bial é talentoso. É inegável que passou parte de sua vida tendo páginas de livros ao alcance das mãos e dos olhos. É inegável também que parece inconsciente dos prejuízos éticos e morais que haverá de carregar vida afora. Isto porque a cada nova edição do reality mais se plasmam os nomes BBB e Pedro Bial. E será difícil ao ouvir um não lembrar imediatamente o outro. Porque lançamos aqui nosso nome, que poderá ter vida fugaz de cigarra ou ecoará pela eternidade. Imagino, daqui a uns 25 anos, em 2035, quando um descendente deste Pedro for reconhecido como bisneto daquele homem engraçado que fazia o Big Brother no Brasil. E os milhares de vídeos armazenados virtualmente no YouTube darão conta de ilustrar as gerações do porvir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, no entanto, essas quase duas dezenas de jovens estarão ali para ganhar fama instantânea, como se estivessem acondicionados naqueles pacotinhos de sopa da marca Miojo. Imagino cada um deles a envergar letreiro imaginário a nos dizer com a tristeza possível que "Coloco à venda meu corpo sem alma, meu coração quebrado e minha inteligência esgotada; vendo tudo isso muito barato porque vejo que há muita oferta no mercado". E teremos aquele interminável desfile de senso comum. Afinal, serão 90 dias de vida desperdiçada, ou melhor, de vida em que a principal atividade humana será jogar conversa fora. O que dá no mesmo. E não será o senso comum exatamente aquele conjunto de preconceitos adquiridos antes de completarmos 15 anos de vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Friederich Nietzsche&lt;/strong&gt; (1844-1900) parecia ter o dom da premonição. É que o filósofo alemão se antecipava muito quando se tratava de projetar ideias sobre a condição humana. É dele esta percepção: &lt;strong&gt;"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele"&lt;/strong&gt;. Isto porque Nietzsche foi poupado de atrações quase sérias e semi-circenses, como o BBB. No picadeiro, o macaco é aplaudido por sua imitação do humano: se equilibra e passeia de triciclo e de bicicleta, se veste de gente, com casaca e gravata, sabe usar vaso sanitário, descasca alimentos. No picadeiro do BBB, os seres humanos são aplaudidos por se mostrarem intolerantes uns com os outros, se vestem de papagaios, ladram, miam, coaxam, zumbem – e tudo como se animais fossem. Chegam a botar ovo em momento predeterminado. Se vestem de esponja e se encharcam de detergente a limpar pratos descomunais noite afora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em sua imitação de animal, o humano que se sobressai no BBB é aquele que consegue ficar engaiolado – digo, literalmente engaiolado – junto com outros bípedes não emplumados – por grande quantidade de horas. E sem poder satisfazer as necessidades humanas básicas, muitas vezes tendo que ficar em uma mesma posição, como seriemas destreinadas. E são os únicos animais que demonstram imensa felicidade em permanecer por mais tempo na gaiola. Não lhes jogam bananas nem pipocas, mas quem for o último a sair da jaula semi-humana ganha uma prenda. Pode ser um passeio de helicóptero, pode ser um carro, pode ser uma noite na Marquês de Sapucaí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Heidegger reconheceria&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O leitor atento deve ter percebido que em algum momento deste texto mencionei que o BBB 11 terá mudanças. Nem vou me dar ao trabalho de editar. Eis o que copiei do site G1: "Boninho, diretor do BBB, falou em seu Twitter nesta quarta-feira, 24/11, sobre a nova edição do programa, a 11ª, que estreará em janeiro de 2011. E ele adianta que, desta vez, as coisas vão mudar. ‘Esse ano tudo vai ser diferente... Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser’, postou Boninho em seu microblog. Questionado sobre o que estaria liberado no confinamento que não estava em edições anteriores, ele respondeu: ‘Esse ano... liberado! Vai valer tudo, até porrada’. Boninho também comentou sobre as bebidas no reality show: ‘Acabou o ice no BBB... Vai ser power... chega de bebida de criança’, escreveu."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não terá chegado a hora de o portentoso império Globo de comunicação negociar com o governo italiano a cessão do Coliseu romano para parte das locações, ao menos aquelas em que murros e safanões, sob efeito de álcool ou não, certamente ocorrerão? E como nada compreendo de &lt;strong&gt;Heidegger&lt;/strong&gt;, só me resta dizer que ao longo de toda sua vida madura &lt;strong&gt;Heidegger&lt;/strong&gt; esteve obcecado pela possibilidade de haver um sentido básico do verbo "ser" que estaria por trás de sua variedade de usos. E são recorrentes suas concepções quanto ao que existe, o estudo do que é, do que existe: a questão do Ser (i.e. uma Ontologia) dependente dos filósofos antes de &lt;strong&gt;Sócrates&lt;/strong&gt;, da filosofia de &lt;strong&gt;Platão&lt;/strong&gt; e de &lt;strong&gt;Aristóteles&lt;/strong&gt; e dos Gnósticos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sabe tivesse assistido uma única noite do BBB – caso o formato da Endemol estivesse em cena antes de 1976 –, o filósofo, por muitos cultuado, não apenas teria uma confirmação segura de que não valia mesmo a pena publicar o segundo volume de sua obra principal, &lt;strong&gt;O Ser e o Tempo&lt;/strong&gt;, como também haveria de reconhecer a inexistência de algo anterior ao ser. Mas, com certeza, se fartaria com a miríade de usos dados ao verbo "ser".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-1625132778696287939?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/1625132778696287939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/washington-araujo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/1625132778696287939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/1625132778696287939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/washington-araujo.html' title='Washington Araújo'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTq9rHhnW7I/AAAAAAAAB1c/hROJGGgscws/s72-c/globofascio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-5816353795701920122</id><published>2011-01-17T20:36:00.003-03:00</published><updated>2011-01-17T20:38:47.174-03:00</updated><title type='text'>Jorge Durand</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTTST6t5J3I/AAAAAAAAB1Q/TFC2J-hxTpo/s1600/muroEUA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; height: 125px; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; width: 235px;"&gt;&lt;img border="0" height="118" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTTST6t5J3I/AAAAAAAAB1Q/TFC2J-hxTpo/s200/muroEUA.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;A guerra contra os imigrantes nos EUA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo é Jorge Durand, La Jornada. Tradução: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Estados Unidos são um país guerreiro; saem de uma guerra para entrar em outra. Pode ser que esse seja o destino dos impérios, também em período de queda. Mas além dos inimigos externos, os EUA precisam de inimigos internos. Lembremos a época da proibição e da luta contra o álcool, o macarthismo, a guerra fria e o anticomunismo. Agora o perigo está na fronteira e os inimigos são os imigrantes ilegais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do mesmo modo que em outras épocas, as forças mais obscuras do conservadorismo levam o país do norte a situações extremas, a cometer erros históricos gigantescos que fomentam fanatismo, perseguição e violência. Muitos políticos republicanos se anunciam como verdadeiros conservadores, enquanto que os liberais, entre eles Barack Obama, sentem-se encurralados e não se atrevem a defender suas posições, e menos ainda a atacar frontalmente seus opositores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas estradas dos Texas, enxergam-se anúncios com o rosto de Barack Obama desfigurado e agressivo com a legenda “socialista”. As campanhas mais absurdas, como a de acusar o presidente Obama de socialista por sua proposta de reforma do sistema de saúde, de acesso generalizado, encontram eco em amplos setores da população. E se Obama não soube ou não pode se defender, os imigrantes muitos menos, pois são os mais indefesos e vulneráveis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A retórica da invasão de imigrantes pela fronteira com o México é acompanhada das operações Bloqueio, Guardião e, a mais agressiva, Defender a linha (Hold the line). Sobre esse tema, o antropólogo Leo Chávez analisa em seu livro &lt;em&gt;Covering immigration&lt;/em&gt; dezenas de capas de revistas que falam de uma fronteira em crise, da necessidade de fechar a porta, de prevenir uma “invasão desde o México”, da preocupação porque a “América está mudando de cor”, e, a mais irônica, com a chamada “English spoken”, como se o país tivesse perdido a sua identidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas &lt;strong&gt;as reclamações contra os imigrantes terminam quando o garçom serve a comida, a doméstica limpa a casa e o consumidor compra alfaces baratas no supermercado&lt;/strong&gt;. A mão de obra mexicana é fundamental para que o sistema funcione. Mas não é indispensável. Há centenas de milhares de pobres no mundo que gostariam de estar no lugar dos mexicanos. E o sistema sabe disso, utilizando e manejando esse fato segundo sua conveniência. A única vantagem diferencial é que nós, mexicanos, estamos perto, disponíveis e somos descartáveis. Trazer mão de obra da China, da Índia ou África teria custos adicionais e ela não poderia ser descartada com tanta facilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A experiência indica que o melhor trabalhador é aquele sem documentos, que é tratado como ilegal e tem que se esconder, vive com medo, não pode reclamar e carece de direitos. As batidas policiais ocorrem nas fábricas, no comércio, nos restaurantes onde há trabalhadores em excesso, facilmente substituíveis. Há anos que não há batidas em zonas agrícolas, onde os trabalhadores são mais escassos e não há substituição. Cerca de 85% dos trabalhadores agrícolas dos EUA nasceram no México e a maioria deles não tem documentos. Esse é o nicho do mercado de trabalho que nos tem sido destinado há mais de um século.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma parte do problema reside no fato de que os imigrantes se tornaram visíveis e se dispersaram por todo o território estadunidense. No Texas e na Califórnia sempre houve presença mexicana, fazem parte da sociedade, da diversidade racial e cultural. Em Arkansas, Georgia, Alabama, Carolinas e outros novos estados de destino, os migrantes são os recém chegados, os estrangeiros. A raça de bronze altera o equilíbrio racial e ancestral entre brancos e negros. Mas por trás das atitudes contra os imigrantes e medidas legalistas há um conflito racial evidente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os afroamericanos aprenderam a levantar a voz contra qualquer evidência clara de agressão ou discriminação contra seus irmãos. Os latinos, muitas vezes, se inibem como grupo, carecem de suficiente representação política e os migrantes suportam calados as agressões. Há alguns anos, consegui compreender por que, quando se perguntava a um migrante mexicano se ele já havia se sentido discriminado, quase sempre respondia que não. A resposta me foi dada por outro migrante que já estava há muitos anos nos EUA e que me explicou que era uma questão de linguagem: se você não entende o insulto ou a agressão, o impacto é muito menor...Se não pode respondê-lo em inglês, fique quieto e aguente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reforma migratória converteu-se em um mito. Os republicanos afirmam que o tema só começará a ser debatido quando a fronteira estiver protegida. O que nunca vai ocorrer. Sempre haverá incidentes de fronteira. O muro está incompleto e não foi a solução. Além disso, por trás do muro é preciso ter um exército para vigiar 3 mil quilômetros de fronteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não apenas isso. No interior dos EUA é preciso controlar e verificar que só se contrate gente com os papéis em ordem. Mas o sistema de verificação &lt;em&gt;E-Verif&lt;/em&gt; é lento, complicado e tem muitos erros. Além disso, a tramitação tem que ser feita em linha, exigindo uma consulta telefônica e a espera de confirmação. Muitas pequenas empresas e empregadores não têm capacidade de fazer isso. São cerca de 10 milhões de trabalhadores que trabalham com um número falso da Previdência Social ou utilizam o número de outra pessoa, mas a imensa maioria paga impostos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os imigrantes irregulares subsidiaram com aproximadamente 200 bilhões de dólares o sistema de seguridade social. Esse dinheiro vai para um fundo, onde se acumula e se utiliza quando há solicitações. Mas os ilegais não podem solicitar e nunca terão direito a esse dinheiro ou à aposentadoria. Sem este dinheiro, o sistema de pensões dos EUA está quebrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas os argumentos monetários não contam quando se trata de migrantes irregulares. A falta de documentos é um pecado original que mancha para sempre a história de uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-5816353795701920122?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/5816353795701920122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/jorge-durand.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5816353795701920122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/5816353795701920122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/jorge-durand.html' title='Jorge Durand'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTTST6t5J3I/AAAAAAAAB1Q/TFC2J-hxTpo/s72-c/muroEUA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-899051880197305917</id><published>2011-01-12T21:03:00.000-03:00</published><updated>2011-01-12T21:03:47.476-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Noam Chomsky</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TS5BOJKOSYI/AAAAAAAAB1M/Y4_rkaasldM/s1600/noamC.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TS5BOJKOSYI/AAAAAAAAB1M/Y4_rkaasldM/s1600/noamC.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;WikiLeaks, crise econômica e outros temas.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A estação alternativa de rádio estadunidense Democracy Now entrevistou à distância o linguista, filósofo e ativista libertário Noam Chomsky (foto), em vésperas do seu 82º aniversário. A entrevista é de Amy Goodman, âncora de Democracy Now!, um noticiário internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em mais de 250 em espanhol. Numa entrevista exclusiva falamos com o dissidente político e linguista de fama mundial Noam Chomsky sobre a publicação de mais de 250.000 telegramas secretos do Departamento de Estado dos EUA, por parte da WikiLeaks. Em 1971 Chomsky ajudou o informador de dentro do governo [estadunidense] Daniel Ellsberg a publicar os “Documentos do Pentágono”, um relatório interno secreto dos Estados Unidos sobre a guerra do Vietname. A entrevista, na sua tradução para o português, é publicada pelo jornal Brasil de Fato e Agência Envolverde, 11-01-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Encontramo-nos com o distinto dissidente político e linguista de reputação mundial &lt;span style="color: #660000;"&gt;Noam Chomsky&lt;/span&gt;, professor emérito do &lt;em&gt;Massachusetts Institute of Technology&lt;/em&gt; e autor de mais de cem livros, incluindo o seu mais recente &lt;span style="color: #660000;"&gt;Esperanças e realidades&lt;/span&gt;, para obter a sua reacção aos documentos da WikiLeaks. Há quarenta anos, Noam e Howard Zinn ajudaram o denunciante de dentro do governo Daniel Ellsberg a editar e publicar os “Documentos do Pentágono”, a história interna ultra-secreta dos EUA da guerra do Vietname. Antes de falarmos da WikiLeaks, qual foi a sua participação nos “Documentos do Pentágono”? Não creio que a maioria das pessoas esteja informada sobre isso&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Dan e eu éramos amigos. O Tony Russo também os preparou e ajudou a filtrá-los. Recebi cópias do Dan e do Tony e várias pessoas as distribuíram à imprensa. Eu fui uma delas. Então o Howard Zinn e eu, como você disse, editamos um volume de ensaios e indexamos os documentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Penso sempre que é importante contar essa história, especialmente aos jovens. Dan Ellsberg – funcionário do Pentágono com acesso ao máximo segredo – saca da sua caixa de fundos essa história da intervenção dos EUA no Vietnam, fotocopia-a, e então como veio parar às suas mãos? Entregou-a diretamente?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Chegou-me por intermédio de Dan Ellsberg e de Tony Russo, que tinham feitos as fotocópias e preparado o material.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Foi muito editado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Bem, nós não modificamos nada. Não corrigimos os documentos. Ficaram na sua forma original. O que fizemos, o Howard Zinn e eu, foi preparar um quinto volume além dos quatro que apareceram, que continha ensaios críticos de muitos peritos sobre os documentos, o que significavam, etc. E um índice, que é quase imprescindível para poderem ser seriamente utilizados. É o quinto volume da série da &lt;em&gt;Beacon Press&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Então foi um dos primeiros a ver os documentos do Pentágono?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Sim, para além do Dan Ellsberg e do Tony Russo. Quer dizer, talvez tenha havido alguns jornalistas que puderam vê-los, mas não tenho a certeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;E atualmente, o que pensa? Por exemplo, acabamos de reproduzir o vídeo do congressista republicano Peter King, que diz que se deveria declarar a WikiLeaks como organização terrorista estrangeira.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Penso que é revoltante. Temos de compreender – e os &lt;em&gt;Documentos do Pentágono&lt;/em&gt; são outro exemplo claro – que uma das principais razões do segredo governamental é proteger o governo contra a sua própria população. Nos &lt;em&gt;Documentos do Pentágono&lt;/em&gt;, por exemplo, houve um volume – o volume das negociações – que poderia ter tido influência nas atividades em curso, e o Daniel Ellsberg não o revelou logo. Apareceu pouco depois. À vista dos documentos propriamente ditos, há coisas que os estadunidenses deveriam ter sabido e que outros queriam que não se soubessem. E, que eu saiba, pelo que eu próprio vi deste caso, agora é o mesmo. De fato, as revelações atuais – pelo menos as que eu vi – são interessantes, sobretudo pelo que nos esclarecem sobre como funciona o serviço diplomático.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;As revelações dos documentos acerca do Irã aparecem precisamente no momento em que o governo iraniano aceitou uma nova ronda de conversações nucleares para o começo do próximo mês. Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu disse que os telegramas reivindicam a posição israelita de que o Irã constitui uma ameaça nuclear. Netanyahu disse: “&lt;em&gt;A nossa região tem estado presa a uma narrativa que é o resultado de sessenta anos de propaganda que apresenta Israel como principal ameaça. De fato, os dirigentes compreendem que esse ponto de vista está na falência. Pela primeira vez na história existe um acordo de que a ameaça é o Irã. Se os dirigentes começarem a dizer às claras aquilo que têm dito à porta fechada, podemos realizar uma mudança radical na caminhada para a paz.&lt;/em&gt;” A secretária de Estado Hillary Clinton também falou do Irã na sua conferência de imprensa em Washington. Disse o seguinte:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Hillary Clinton&lt;/strong&gt;: “&lt;em&gt;Creio que não deveria ser surpresa para ninguém que o Irã é uma fonte de grande preocupação, não só para os EUA. Em todas as reuniões que tenho ido, em qualquer parte do mundo, aparece a preocupação com as ações e as intenções do Irã. Por isso, qualquer dos alegados comentários dos telegramas confirma que o Irã representa uma ameaça muito séria do ponto de vista dos seus vizinhos e uma preocupação muito séria muito para além da sua região. Por isso a comunidade internacional se reuniu para aprovar as sanções mais duras possíveis contra o Irã. Isso não aconteceu porque os EUA tivessem dito ‘Por favor, façam isso por nós!’. Aconteceu porque os países – depois de avaliarem as provas quanto às ações e às intenções do Irã – chegaram à mesma conclusão que os EUA: que temos de fazer o que pudermos com o fim de unir a comunidade internacional para que ela atue e impeça o Irã de se converter em um Estado com armas nucleares. De modo que, se os que lerem as histórias sobre esses, em supostos telegramas, pensarem cuidadosamente, chegarão à conclusão de que as preocupações&lt;/em&gt; &lt;em&gt;com o Irã são bem fundadas, são amplamente partilhadas e continuarão a ser fundamento para a política que mantemos com os países que têm a mesma opinião, para impedir que o Irã adquira armas nucleares&lt;/em&gt;.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Assim falou a secretária Hillary Clinton, ontem, numa conferência de imprensa. Qual o seu comentário sobre Clinton, sobre o comentário de Netanyahu, e o fato de Abdullah da Arábia Saudita – o rei que está a ser operado às costas em Nova Iorque – ter incitado os EUA a atacarem o Irã&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Isso só vem reforçar o que eu disse antes, que o significado principal dos telegramas que têm sido publicados é, até agora, o que nos dizem sobre os dirigentes políticos ocidentais. Hillary Clinton e Benjamin Netanyahu&amp;nbsp;com certeza conhecem as cuidadosas sondagens da opinião pública árabe. O &lt;em&gt;Brookings Institute&lt;/em&gt; publicou há poucos meses amplas sondagens sobre o que pensam os árabes acerca do Irã. Os resultados são bastante impressionantes. &lt;u&gt;Mostram que 80% da opinião árabe considera que a maior ameaça na região é Israel. A segunda maior ameaça são os EUA, com 77%. E o Irã só é referido como ameaça por 10%. No que diz respeito às armas nucleares, de um modo bastante notável, há 57% que diz que, se o Irã possuísse armas nucleares, isso teria um efeito positivo na região. Pois bem, não se trata de cifras pequenas. 80% e 77%, respectivamente, dizem que Israel e os EUA constituem a maior ameaça. 10% dizem que o Irã é a maior ameaça&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que, aqui, &lt;u&gt;os jornais nada dizem sobre isso&lt;/u&gt; – dizem-no na Inglaterra – mas é certamente algo que os governos de Israel e dos EUA e os seus embaixadores sabem muito bem. Mas não se vê aparecer uma palavra sobre isso. O que isso revela é o profundo ódio à democracia por partes dos nossos dirigentes políticos e dos dirigentes políticos israelitas. São coisas que nem referidas podem ser. Isso impregna todo o serviço diplomático. Não há nenhuma referência a isso nos telegramas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falam dos árabes referem-se aos ditadores árabes, não à população, que se opõe rotundamente às conclusões dos analistas, neste caso Clinton e os médias [a mídia]. Também há um problema menor que é o maior problema. O problema menor é que os telegramas não nos dizem o que pensam e dizem os dirigentes árabes. Sabemos o que foi seleccionado daquilo que disseram. De modo que há um processo de filtragem. Não sabemos o quanto a informação é distorcida. Mas não restam dúvidas: o que é mesmo uma distorção radical – ou nem sequer uma distorção, mas sim um reflexo – é a preocupação de que o que importa são os ditadores. A população não importa, mesmo se se opõe totalmente à política estadunidense. Há coisas semelhantes noutros sítios, como as que têm a ver com essa região.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos telegramas mais interessantes foi aquele de um embaixador dos EUA em Israel para Hillary Clinton, que descrevia o ataque a Gaza – que deveríamos chamar o ataque israelo-estadunidense a Gaza – em dezembro de 2008. Indica corretamente que houve uma trégua. Não acrescenta que durante a trégua – que de fato Israel não respeitou, mas o Hamas respeitou escrupulosamente segundo o próprio governo israelita –, não foi disparado um só míssil. É uma omissão. Mas logo surge uma mentira direta: diz que em dezembro de 2008 o Hamas retomou o disparo de mísseis e que por isso Israel teve&amp;nbsp;que atacar para se defender. Acontece que o embaixador não pode deixar de saber que há alguém na embaixada dos EUA que lê a imprensa israelita – a imprensa israelita dominante – e nesse caso a embaixada tem&amp;nbsp;que saber que é exatamente o contrário: o Hamas estava a pedir uma renovação do cessar-fogo. Israel considerou a oferta, recusou-a e preferiu bombardear em vez de optar pela segurança. Também omitiu que Israel nunca respeitou o cessar-fogo – manteve o cerco [a Gaza] em violação do acordo de trégua – e em 4 de novembro, dia da eleição de 2008 nos EUA, o exército israelita invadiu Gaza e matou meia dúzia de militantes do Hamas, o que motivou trocas de tiros em que todas as vítimas, como de costume, foram palestinas. De imediato, em dezembro, quando terminou oficialmente a trégua, o Hamas pediu que ela fosse renovada. Israel recusou e os EUA e Israel preferiram lançar a guerra. O relatório da embaixada é uma falsificação grosseira e é muito significativa porque tem a ver com a justificação do ataque assassino, o que significa que ou a embaixada não fazia ideia do que estava a acontecer ou estava a mentir descaradamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;E o último relatório que acaba de aparecer – da Oxfam, da anistia internacional e de outros grupos – sobre os efeitos do cerco de Gaza? O que está a acontecer agora?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Um cerco é um ato de guerra. Se alguém insiste nisso é Israel. Israel desencadeou duas guerras – 1956 e 1967 – em parte na base de que o seu acesso ao mundo exterior estava muito restringido. Esse mesmo cerco parcial que consideraram como um ato de guerra e como justificação – bem, uma entre várias justificações – para o que chamaram “guerra preventiva” ou, se preferir, profilática. Assim o entendem perfeitamente e o argumento é correto. Um cerco é, desde logo, um ato criminoso. O Conselho de Segurança, e não só, instaram Israel a que o levantasse. Tem o propósito – como declararam os funcionários israelitas – de manter o povo de Gaza num nível mínimo de existência. Não querem matá-los todos porque não seria bem visto pela opinião internacional. Como eles dizem, “mantê-los em dieta”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta justificação começou pouco depois da retirada oficial israelita. Houve umas eleições em janeiro de 2006 – as únicas eleições livres em todo o mundo árabe – cuidadosamente monitorizadas e reconhecidas como livres, mas tiveram um defeito. Ganharam os que não deviam ganhar. Ou seja, o Hamas, os que Israel e os EUA não queriam. Rapidamente, em muito poucos dias, os EUA e Israel impuseram duras medidas para castigar o povo de Gaza por ter votado mal em eleições livres. O passo seguinte foi que eles – os EUA e Israel – trataram, em colaboração com a Autoridade Palestina, de provocar um golpe militar em Gaza para derrubar o governo eleito. Fracassou. O Hamas derrotou a tentativa de golpe. Foi em julho de 2007. Então endureceram consideravelmente o assédio. Entretanto ocorreram numerosos atos de violência, bombardeamentos, invasões, etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas basicamente Israel afirma que, quando se estabeleceu a trégua no verão de 2008, o motivo porque Israel não a observou, retirando o cerco, foi o fato de um soldado israelita – Gilad Shalit – ter sido capturado na fronteira. Os comentadores internacionais consideram isso um crime terrível. Bem, pode-se pensar o que for, a captura de um soldado de um exército atacante – e o exército estava a atacar Gaza – não chega aos calcanhares do crime que é sequestrar civis. Precisamente na véspera da captura de Gilal Shalit na fronteira, as tropas israelitas tinham entrado em Gaza, sequestraram dois civis – os irmãos Muammar – e levaram-nos para o outro lado da fronteira. Desapareceram no sistema carcerário de Israel, onde centenas de pessoas, talvez mil, são detidas sem acusação por vezes durante anos. Também há prisões secretas. Não sabemos&amp;nbsp;o que se passa nelas. Isto é, por si só, um crime muito pior do que o sequestro de Shalit. De fato, poder-se-ia argumentar que houve uma razão para se ter silenciado o ocorrido. Israel, durante anos, comportar-se assim: raptos, capturas de pessoas, sequestros de barcos, assassinatos, pessoas são reféns durante anos e anos. De modo que isso é uma prática habitual; Israel pode fazer o que entende. Mas a reação, aqui e no resto do mundo, ao sequestro de Shalit – que não é um sequestro, não se sequestra um soldado, mas captura-se – é considerá-lo um crime horrendo e uma justificação para manter o cerco e assassinar… uma desgraça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Então temos a Anistia Internacional, a Oxfam, a Save The Children e outras dezoito organizações de ajuda a instarem Israel para que levante, sem condições, o bloqueio a Gaza. E a WikiLeaks publica um telegrama diplomático estadunidense – transmitido ao Guardian pela WikiLeaks – que conta: “Diretiva nacional de recolha de informações humanas: pede-se ao pessoal dos EUA que obtenha pormenores de planos de viagem, como itinerários e veículos utilizados por dirigentes da Autoridade Palestina e membros do Hamas”. O telegrama pede: “Informação biográfica, financeira, biométrica de dirigentes e representantes mais importantes da A.P. e do Hamas, incluindo a Jovem Guarda, dentro de Gaza e da Cisjordânia, e fora”, diz.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Isso não deveria ser uma surpresa. Contrariamente à imagem que é projetada neste país, os EUA não são um intermediário honesto. São participantes, e participantes diretos e cruciais, nos crimes israelitas, tanto na Cisjordânia como em Gaza. O ataque a Gaza foi um caso claro: utilizaram armas estadunidenses, os EUA bloquearam as tentativas de cessar-fogo e deram apoio diplomático. O mesmo vale para os crimes diários na Cisjordânia, e não devemos esquecê-los. Na realidade, a [ONG] &lt;em&gt;Save The Children&lt;/em&gt; informou que na área C – a parte da Cisjordânia controlada por Israel – as condições são piores do que em Gaza. Também isto acontece porque há um apoio crucial e decisivo dos EUA, tanto no plano militar como no econômico; e também ideológico – o que tem a ver com a distorção da situação, como acontece também, dramaticamente, com os telegramas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O próprio cerco é, em si mesmo, simplesmente criminoso. Não somente bloqueia a ajuda desesperadamente necessária como, além disso, afasta os palestinos da fronteira. Gaza é um local pequeno e superpovoado. E os tiros e os ataques israelitas afastam os palestinianos do território árabe junto da fronteira e também impõe aos pescadores de Gaza o limite das águas territoriais. São forçados por canhoneiras israelitas – é tudo o mesmo, claro está – a pescar junto à costa onde a pesca é quase impossível porque Israel destruiu os sistemas elétricos e de saneamento e a contaminação é terrível. É apenas um estrangulamento para castigar as pessoas por estarem ali e por insistirem em votar “mal”. Israel decidiu: “Não queremos mais isto. Livremo-nos deles.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também deveríamos lembrar que a política israelo-estadunidense – desde Oslo, desde o começo dos anos 1990 – foi osloseparar Gaza da Cisjordânia. É uma violação direta dos acordos de Oslo, mas foi sendo implementada sistematicamente e teve muitas consequências. Significa que quase metade da população palestina ficaria à margem de qualquer possível acordo político a que se pudesse chegar. Também significa que a Palestina perde o seu acesso ao mundo exterior. Gaza deveria ter aeroportos e portos marítimos. Até agora Israel apoderou-se de cerca de 40% do território da Cisjordânia. As últimas ofertas de Obama oferecem-lhe ainda mais, e certamente os israelitas planejam apoderar-se de mais. O que resta são pedaços de territórios cercados. É o que o planificador Ariel Sharon chamou bantustões. E estão também na prisão, enquanto Israel se apodera do Vale do Jordão e expulsa os palestinos. Todos esses são crimes de uma só peça. O cerco de Gaza é particularmente grotesco dadas as condições de vida a que obriga as pessoas. Quero dizer, se uma pessoa jovem em Gaza – estudante em Gaza, por exemplo – quer estudar numa universidade da Cisjordânia, não pode fazê-lo. Se uma pessoa de Gaza precisa de um estágio ou de um tratamento médico sofisticado num hospital de Jerusalém Oriental, não pode lá ir! E não deixam passar os medicamentos. É um crime escandaloso, tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Na sua opinião, que deveriam fazer os EUA neste caso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - Aquilo que os EUA deveriam fazer é muito simples: deveriam unir-se ao mundo. Quero dizer que supostamente existem negociações. Tal como são apresentadas aqui, o quadro tipicamente traçado é de que os EUA são um intermediário honesto que procura unir os opositores recalcitrantes – Israel e Autoridade Palestina. Isso não passa de uma farsa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se houvesse negociações sérias, seriam organizadas por uma parte neutra e os EUA e Israel estariam de um lado e o mundo estaria do outro. Não é um exagero. Não deveria ser segredo que desde há muito tempo existe um consenso internacional completo para uma solução diplomática, política. Todos conhecem as linhas básicas. Alguns detalhes, sim, poderão ser discutidos. [Nesse consenso] incluem-se todos, exceto os EUA e Israel. Os EUA têm bloqueado a solução ao longo de 35 anos, com derivas ocasionais, e breves. [Esse consenso] inclui a Liga Árabe. Inclui a Organização dos Estados Islâmicos, que inclui o Irã. Inclui todos os protagonistas relevantes com exceção dos EUA e de Israel, os dois Estados que o recusam. De modo que, se houvesse alguma vez negociações sérias, é assim que seriam organizadas. As negociações que há chegam apenas ao nível da comédia. O tópico que está a ser discutido é uma nota de rodapé, uma questão menor: a expansão dos colonatos. Claro que é ilegal. De fato, tudo o que Israel está a fazer em Gaza e na Cisjordânia é ilegal. Nem sequer tem sido polêmico, desde 1967 (…)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Quero ler-lhe agora a mensagem-twitter de Sarah Palin – a ex-governadora do Alaska e candidata republicana à vice-presidência. É o que ela colocou no twitter sobre a WikiLeaks. Retifico, foi colocado no Facebook. Ela diz: “&lt;em&gt;Primeiro, e antes de mais, que passos foram dados para impedir que o diretor da WikiLeaks, Julian Assange, distribuísse esse material confidencial altamente delicado, sobretudo depois de ele já ter publicado material, não uma vez mas duas, nos meses anteriores? Assange não é um jornalista, é-o tanto como um editor da nova revista da al-Qaeda em inglês “Inspire”. É um agente anti-EUA que tem sangue nas mãos. A sua anterior publicação de documentos classificados revelou aos talibãs a identidade de mais de 100 das nossas fontes afegãs. Porque não persegui-lo com a mesma urgência com que perseguimos os dirigentes da al-Qaeda e dos talibãs&lt;/em&gt;?” Que lhe parece?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Noam&lt;/strong&gt; - É exatamente o que se esperaria de Sarah Palin. Não sei o que ela entende ou não, mas acho que devemos dar atenção ao que nos dizem as revelações [da WikiLeaks]… Talvez a revelação, ou referência, mais dramática seja o ódio amargo à democracia revelado tanto pelo governo dos EUA – Hillary Clinton e outros – como pelo corpo diplomático. Dizer ao mundo – bem, de fato estão a falar lá entre eles – que o mundo árabe considera o Irã como a principal ameaça e que deseja que os EUA&amp;nbsp;joguem bombas&amp;nbsp;no Irã, é extremamente revelador, sabendo eles, como sabem, que cerca de 80% da opinião árabe considera os EUA e Israel como a maior ameaça, que 10% consideram o Irã como a maior ameaça, e que uma maioria de 57% pensa que a região teria a ganhar se o Irã tivesse armas nucleares, que funcionariam como um dissuasor. Isso, eles nem sequer o referem. Tudo o que referem é apenas o que foi dito pelos ditadores árabes, os brutais ditadores árabes. Isso é que conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sabemos até que ponto é representativo do que dizem, porque ignoramos qual é o filtro. Mas isto não importa muito. O aspecto mais importante é que [para eles] a população é irrelevante. Só interessam as opiniões dos ditadores que apoiamos. Se nos apoiam, então eles são o mundo árabe. É um quadro bem revelador da mentalidade dos dirigentes políticos dos EUA e, pode-se presumir, da opinião das elites. A avaliar pelos comentários que têm aparecido aqui. E é também o modo como tem sido apresentado na imprensa. O que pensam os árabes, isso não interessa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1380798856392173624-899051880197305917?l=economiasociedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://economiasociedade.blogspot.com/feeds/899051880197305917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/entrevista-noam-chomsky.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/899051880197305917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1380798856392173624/posts/default/899051880197305917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://economiasociedade.blogspot.com/2011/01/entrevista-noam-chomsky.html' title='Entrevista - Noam Chomsky'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TS5BOJKOSYI/AAAAAAAAB1M/Y4_rkaasldM/s72-c/noamC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1380798856392173624.post-6047097261346045346</id><published>2011-01-01T11:22:00.002-03:00</published><updated>2011-01-01T11:23:12.850-03:00</updated><title type='text'>José Luís Fiori</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TR84aSoqS4I/AAAAAAAAB1A/IyXRA3euNxY/s1600/logo_caleidoscopio-animado.gif" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TR84aSoqS4I/AAAAAAAAB1A/IyXRA3euNxY/s1600/logo_caleidoscopio-animado.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Caleidoscópio mundial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Artigo é de José Luís Fiori. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a primeira década do século XXI, o Brasil conquistou um razoável grau de liberdade, para poder definir autonomamente sua estratégia de desenvolvimento e de inserção internacional, num mundo em plena transformação. &lt;strong&gt;O sistema mundial saiu da crise econômica de 2008, dividido em três blocos&lt;/strong&gt; cada vez mais distantes, do ponto de vista de suas políticas e da sua velocidade de recuperação: os EUA, a União Europeia e algumas grandes economias nacionais emergentes, entre as quais se inclui o Brasil. Mas do ponto de vista geopolítico, o sistema mundial ainda segue vivendo uma difícil transição - depois do fim da Guerra Fria - de volta ao seu padrão de funcionamento original. Desde o início do século XIX, o sistema inter-estatal capitalista se expandiu liderado pela Grã Bretanha, e por mais algumas potências europeias, cuja competição e expansão coletiva foi abrindo portas para o surgimento de novos “poderes imperiais”, como foi o caso da Prússia e da Rússia, num primeiro momento, e da Alemanha, EUA e Japão, meio século mais tarde. Da mesma forma como aconteceu depois da “crise americana” da década de 1970.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois da derrota do Vietnã, e da reaproximação com a China, entre 1971 e 1973, o poder americano cresceu de forma contínua, construindo uma extensa rede de alianças e uma infra-estrutura militar global que lhe permite até o hoje o controle quase monopólico, naval, aéreo e espacial de todo o mundo. Mas ao mesmo tempo, esta expansão do poder americano contribuiu para a “ressurreição” militar da Alemanha e do Japão e para a autonomização e fortalecimento da China, Índia, Irã e Turquia, além do retorno da Rússia, ao “grande jogo” da Ásia Central e do Oriente Médio. Os reveses militares dos Estados Unidos na primeira década do século desaceleraram o seu projeto imperial. Mas uma coisa é certa, os EUA não abdicarão voluntariamente do poder global que já conquistaram e não renunciarão à sua expansão contínua, no futuro. Qualquer possibilidade de limitação deste poder só poderá vir do aumento da capacidade conjunta de resistência das novas potências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, depois do fim do Sistema de Bretton Woods, entre 1971 e 1973, a economia americana cresceu de forma quase contínua, até o início do século XXI. Ao associar-se com a economia chinesa, a estratégia norte-americana diminuiu a importância relativa da Alemanha e do Japão, para sua “máquina de acumulação”, em escala global. E, ao mesmo tempo, contribuiu para transformar a Ásia no principal centro de acumulação capitalista do mundo, transformando a China numa economia nacional com enorme poder de gravitação sobre toda a economia mundial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta nova geometria política e econômica do sistema mundial, se consolidou na primeira década do século XXI, e deve se manter nos próximos anos. Os Estados Unidos manterão sua centralidade dentro do sistema como única potência capaz de intervir em todos os tabuleiros geopolíticos do mundo e que emite a moeda de referencia internacional. Desunida, a União Europeia terá um papel secundário, como coadjuvante dos Estados Unidos, sobretudo se a Rússia e a Turquia aceitarem participar do “escudo europeu anti-mísseis”, a convite dos EUA e da OTAN. Neste novo contexto internacional, a Índia, o Brasil, a Turquia, o Irã, a África do Sul, e talvez a Indonésia, deverão aumentar o seu poder regional e global, em escalas diferentes, mas ainda não terão por muito tempo, capacidade de projetar seu poder militar além das suas fronteiras regionais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer forma, três coisas se podem dizer com bastante certeza, neste início da segunda década do século XXI:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Não existe nenhuma “lei” que defina a sucessão obrigatória e a data do fim da supremacia americana. Mas é absolutamente certo que a simples ultrapassagem econômica dos EUA não transformará automaticamente a China numa potência global, nem muito menos, no líder do sistema mundial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Terminou definitivamente o tempo dos “pequenos países” conquistadores. O futuro do sistema mundial envolverá - daqui para frente -uma espécie de “guerra de posições” permanente entre grandes “países continentais”, como é o caso pioneiro dos EUA, 
